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Ricardo Araújo Pereira sobre a mensagem de Policarpo

O ateu Ricardo Araújo Pereira escreveu na Visão sobre a mensagem de José Policarpo. A não perder.

  • «O Natal é tempo de paz, tempo de amor, tempo de lamentar a existência de pessoas como eu. Não admira que seja uma época que toda a gente aprecia. No dia que assinala o nascimento do salvador, o cardeal-patriarca não resistiu a lembrar que há quem não tenha salvação possível. (…) O ateísmo tem sido, para mim e para tantos outros incréus, a luz que me tem conduzido na vida. Às vezes fraquejo, em momentos de obscuridade e de dúvida, mas, mesmo sendo incapaz de provar a inexistência de Deus, tenho conseguido manter a fé – uma fé íntima fundada numa peregrinação que tem a grandeza e a humildade da longa caminhada da vida – em que Ele não exista. Todos os dias busco a não-existência do Senhor com renovada crença, ciente de que a Sua inexistência é misteriosa demais para que eu a tenha inventado. (…) Acreditar que Deus existe é uma convicção profunda, mas acreditar que não existe, curiosamente, não o é. Alguém, munido de um aparelho próprio, mediu a profundidade das convicções e deliberou que as do crente são mais fundas que as do ateu. Quando alguém diz acreditar em Deus, está a exprimir legitimamente a sua fé; quando um ateu ousa afirmar que não acredita, está a agredir as convicções dos crentes. Ser crente é merecedor de respeito, ser ateu é um crime contra a humanidade. (…)»
3 thoughts on “Ricardo Araújo Pereira sobre a mensagem de Policarpo”
  • Baal

    Concordo com a injustiça de os crentes acharem ser um direito inalienável fazer propaganda à sua crença e poderem criticar o ateísmo á sua vontade enquanto consideram uma grande insulto que os ateus façam o mesmo.

    Mas noto uma coisa. O texto também, reconhece implicítamente, embora essa não fosse a sua intenção, que o ateísmo é tanto uma crença como o teísmo.

    Os únicos que realmente não acreditam somos nós, os agnósticos.

    Não acreditamos que deus exite nem que deus não existe, simplesmente reconhecemos a única verdade possível – não sabemos.

  • Ricardo Alves

    Baal,
    o texto é irónico e humorístico, não é um tratado filosófico nem científico.
    O que ele defende, a meu entender correctamente, é que a convicção ateísta seja tratada com a mesma dignidade do que a convicção católica. Ou que a ausência de convicção – o seu caso – tenha também a mesma dignidade.

  • Ricardo Alves

    Baal,
    o texto é irónico e humorístico, não é um tratado filosófico nem científico.
    O que ele defende, a meu entender correctamente, é que a convicção ateísta seja tratada com a mesma dignidade do que a convicção católica. Ou que a ausência de convicção – o seu caso – tenha também a mesma dignidade.

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