Loading
  • 26 de Dezembro, 2009
  • Por Carlos Esperança
  • Catolicismo

A homília natalícia do Cardeal Patriarca

Por

E – Pá

A homília de Natal de D. José Policarpo trouxe a público posições rígidas e dogmáticas (para não chamar fundamentalistas) da ICAR que reflectem o modo como as autoridades religiosas olham a sociedade actual.

Disse, Sua Eminência:
“…É um dos grandes paradoxos da História, um povo oficialmente crente em Deus não reconhece Deus que o visita”…

Bem. Não existem povos oficialmente crentes em Deus fora das teocracias, quaisquer que elas sejam.
A confusão entre o Estado laico que temos e a liberdade de prática de qualquer religião, não pode levar o cardeal a reivindicar qualquer privilégio, nem qualquer estatuto de excepção. A liberdade religiosa é um princípio democrático – só existe em plenitude nos Estados laicos – e está acima dos interesses e das mordomias da ICAR, como é o incompreensível regime de excepção da Concordata…
A liberdade religiosa diz respeito a todos os crentes – católicos ou de outras religiões – , e inclusive, aos agnósticos e aos ateus.

Mais adiante afirmou:
“Outros refugiam-se na atitude agnóstica de quem não se pronuncia, de quem não sabe dizer nada sobre Deus. Respeitam os crentes, mas não se sentem interpelados por eles, esquecendo que há inquietações profundas que dificilmente se podem calar”.
Estas “inquietações” do eminente purpurado mostram-se distantes de qualquer racionalidade dialéctica.
Na verdade, os agnósticos e os ateus interrogam-se sobre múltiplas posições dos crentes que transbordam para a sociedade. A Igreja, melhor dizendo, as Igrejas, nomeadamente, as hierarquias religiosas, são as primeiras a não tolerar a existência de “não-crentes”, como se vivêssemos em tempos em que a arrenegação dos “Deuses” fosse um abominável crime.

Este foi o imaginário paradoxo histórico que o patriarca não soube resolver e “atirou-o”, numa grosseira generalização, para cima dos cidadãos, acompanhadas do público exorcismo dos agnósticos e dos ateus. De facto, antes destas natalícias congeminações, tecidas no ano da graça de 2009, “sucedeu” há mais de 200 anos a Revolução Francesa. O paradoxo está aqui!

9 thoughts on “A homília natalícia do Cardeal Patriarca”
  • Rasputine Saloio

    Uma homília em tom de desespero, de quem está a perder o controlo do “rebanho”.
    Sente-se também uma certa nostalgia e saudade do tempo das conversões forçadas.
    Mas, felizmente, o tempo não volta atrás, o tempo do Tribunal do Santo Oficio e dos cristãos-novos acabou.

  • Abraão (Laico)

    Notou-se que o mestre sala das saias tem ódio à evolução, falta de respeito por quem vota livremente e que sente que tem a casa cada dia mais vazia.
    A sua bondade ainda não chegou ao ponto de ir à sua conta bancária retirar uns milhares para melhorar a situação dos pobres.
    De palavras lindas tá o mundo cheio. Ele que venda o ouro que pendura no pescoço e transforme em arroz e leite e distribua por sua conta aos que precisam de encher a barriga pq os ouvidos já já transbordam de paleio e não matam a fome.

  • Realista

    “Mas, felizmente, o tempo não volta atrás, o tempo do Tribunal do Santo Oficio e dos cristãos-novos acabou.”
    nem da Croacia Ustashi

  • Carpinteiro

    Esmiuçando a mensagem de um personagem que (vejam a desfaçatez), se afirma humilde mas se faz tratar por Excelência; Eminência; Reverendíssimo; Dom…

    Ontem assisti ao discurso mais ridículo que alguma vez saiu da boca desses homenzinhos que insistem em vender o céu a retalho.

    Pela primeira vez, que eu me recorde, o “lembrete” de natal, foi dirigido, não aos crentes mas aos descrentes, que são a maioria. Tem por isso lógica e razão de ser tão anedótico discurso.

    Vejo na televisão este empresário do ramo da religião, e vejo Edir Macedo da IURD. Ambos vendem assoalhadas no céu e se governam divinamente aqui na terra. Se diferença existe, é no preço por cada um cobrado aos ingénuos, nos bilhetes de acesso ao paraíso.
    Não fora a ridícula parafernália de que o primeiro se paramenta, e ninguém lhe daria dois minutos de atenção.

    Começou por se queixar dos ateus, como se os ateus tivessem o atrevimento de na noite de consoada usarem os um órgãos de comunicação social pagos dos bolsos de todos os contribuintes, para se queixarem dos crentes e seus gurus.

    Exita entre ajuntar os crentes no redil e assomar o cão aos ateus. – «Nos últimos tempos, entre nós, falou-se muito de ateísmo; exprimiram-se ateus, pessoas e organizações, defendeu-se o direito de ser ateu e de exprimir a negação de Deus, manifestação da liberdade de consciência; deu-se a entender que não é o facto de os crentes acreditarem em Deus que faz com que Ele exista. Mas esqueceu-se a afirmação de que não é o facto de alguém não acreditar em Deus que faz com que Ele não exista.»
    – Através desta ridícula expressão ficámos a saber que o direito de liberdade de expressão e pensamento, incomoda Sua Eminência Reverendíssima Dom…, ficamos a saber também, que todos os deuses das várias religiões existentes no planeta, são verdadeiros. Todos eles fizeram a terra e o universo; o que deixa em maus lençóis o deus deste senhor, que ele afirma ser o único, o verdadeiro e o único feitor de todas as coisas visíveis e invisíveis, sem lugar para que os outros deuses operassem as suas façanhas.

    A insegurança é total: – «Esta noite, dirijo-me a vós com total sinceridade», – vendo-se obrigado a repetir dois parágrafos à frente: – «Este anúncio é sincero …» e mais abaixo voltar à carga com: – «…com a mesma sinceridade que vos prometi,…»; – nota-se por demais, que tem alguma dificuldade em que o levem a sério, dá a nítida sensação que nem ele acredita no que diz, chegando ao cumulo de afirmar: – «um Deus que conhecemos pouco (…) Esse Deus escondido…A Deus nunca ninguém O viu.» – ou seja: sabe que nunca ninguém o viu, que está escondido, mas fala dele, das suas vontades, gostos e desejos, como se tomassem todos os dias o pequeno almoço juntos. Não tem a mínima convicção do que afirma, ao ponto de ter que dizer que acredita em deus, afirmação que devia ser escusada num guru religioso. É caso para dizer: vai-te embora, homem de pouca fé!

    Insiste propositadamente, em confundir o mito-pai com o mito-filho, como se, pai; mãe; filho ou tio fossem a mesma coisa. «Um Menino nasceu para nós, Deus vem ao nosso encontro …» diz ele, – ficamos sem saber se é o menino jesus de pele branca, loirinho e olhos azuis tipo ariano, ou o menino jesus africano, preto ou crioulo de olhos castanhos e carapinha.

    Nota-se neste discurso, a titânica (e até agora bem conseguida) façanha de fazer conotar fé com paz, amor e harmonia, causando o conveniente adormecimento mental relativamente à palavra fé, que como eles dizem: derruba montanhas; e nós acrescentamos: derruba torres gémeas, e atira autocarros cheios de gente pelos ares ou faz explodir comboios na estação de Atocha; mata palestinianos como moscas, queima mulheres vivas por copularem com o Demo na floresta e é motivo de enriquecimento ilícito por parte dos investidores no ramo da religião.

    Perde demasiado tempo a falar de ateísmo e acaba a dar uma engraxadela aos judeus, numa altura em que o seu Patrão, numa clara atitude provocatória, insiste em fazer descer do céu (lugar que só eles sabem que existe e onde fica) para elevar aos altares o sinistro personagem, Pio XII, um dos mais acérrimos perseguidores e carrasco dos judeus. Como se não houvesse outros patifes para elevar ao estatuto de santo (para o povo adorar), e como se fosse possível um personagem tão sinistro como Pio XII, operar milagres num judeu, por bastantes esfoladelas de joelho que este esteja disposto a oferecer-lhe.
    «Saúdo os nossos irmãos judeus… deles herdámos… a certeza de que Deus intervém na nossa história». – O holocausto é a prova.

    «A todos vós, quando um dia receberdes o prémio da vossa fidelidade, será revelado o Seu Filho, Jesus Cristo, que vos encherá de alegria.»
    – Faz-me lembrar aqueles curandeiros de província que depois de espoliar o ingénuo lhe prometem melhoras: – vá para casa que a coisa vai melhorar… – Umas vezes melhora outras não.
    Este porém é mais esperto, tudo o que promete é só no além, lugar que só ele sabe onde fica e do qual ninguém voltou para reclamar dos serviços prestados.
    Um conselheiro da Cofidis não faria melhor; promete felicidade e tudo o que o dinheiro pode comprar, mas, à cautela, lá vai dizendo que, só depois de morto.
    – É cinismo desmesurado… enfim, uma lástima.

  • Realista

    Edir Macedo, o empresário da fé, possui um crescente império de comunicações no Brasil… ele é dono da TV Record, do jornal “Folha Universal”… possui rádio… site na internet etc.

    Pio XII??? Até quando vão falar do clichê que ele se calou diante da Shoah?? Ninguém fala da atuação dele na concordata com o III Reich. Essa concordata só ocorreu pq o partido Zentrum do padre Kaas votou a favor da ditadura nazi em 1933.Ninguem fala do apoio dele a Franco… Ninguém fala da conivência dele com a perseguição de anti-nazis ; Ninguém fala da conivencia dele com o PADRE Tiso, “Führer” eslovaco. Ninguém fala da conivência dele com o regime Ustasha de Ante Pavelic (e o envolvimento clerical).
    Ninguem fala da conivencia dele com as Ratlines

  • Carpinteiro

    Realista. Aqui, Sua Eminência Reverendíssima Dom Policarpo, não gasta dinheiro em canais de televisão para fazer proselitismo, usa os órgãos de comunicação social públicos que nós pagamos. Somos um povo avantajado, por isso sustentamos esta classe de divinos representantes dos mitos oficiais. Há quem diga que somos os pelintras da cauda da Europa, mas isso é falso. Somos tão ricos que até transportamos Sua Excelência Reverendíssima no avião presidencial para ir ao conclave a Roma, à semelhança do que sucede no Irão, não nos poupamos em esforços para que a nossa casta clerical luxe. Há quem insinue que vivemos numa Teocracia mal disfarçada, mas são tudo bocas de ateus mal formados. A nossa democracia é das melhores da Europa, está para lavar e durar, os nossos clérigos também…

  • Realista

    exato… e se reclamarmos do privilegio clerical … e tentarmos revogá-lo.. aí seremos os “anticlericais”,”jacobinos”,”stalinistas”, “republicanos de 1910” etc.
    a democracia modelo “ideal” é akela ke o clero dita.

    ah.. Espanha franquista, Croacia Ustashi e Slovakia de monsenhor Tiso foram 3 santos modelos de democracias clericais…. O mundo inteiro seria melhor se seguisse essa democracia….

  • Ricardo Alves

    Excelente comentário, Carpinteiro.

  • Ricardo Alves

    Excelente comentário, Carpinteiro.

You must be logged in to post a comment.