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  • 29 de Outubro, 2009
  • Por Carlos Esperança
  • Religiões

Saramago, a fé e a liberdade

A sacralização das crenças é uma forma de totalitarismo que serve de pretexto para amordaçar convicções diferentes e impor a lei do mais forte. Nos países onde funciona a democracia há quem tente os constrangimentos sociais para limitar a liberdade.

A recente polémica em torno do último livro de José Saramago deve fazer-nos reflectir sobre a fé e a liberdade. Que a um crente seja proibido interrogar-se sobre a crença que abraçou é um direito da sua Igreja, mas cabe ao Estado laico garantir-lhe a liberdade de mudar ou, simplesmente, de a abandonar. É aqui que reside a diferença entre teocracias e democracias. A apostasia, crime gravíssimo nos estados confessionais, é um direito inalienável nos estados laicos.

Qualquer livro sagrado é considerado como tal por alguns e, seguramente, desprezado por outros, assistindo a todos o mesmo direito. Se não se contestassem as crenças ainda hoje o Sol continuaria a girar à volta da Terra. Se não pudéssemos discutir a Tora, a Bíblia ou o Corão com que direito alguém condenaria o Mein Kampf ou o Manifesto Comunista?  É tão legítimo combater uma religião, ou todas, como combater qualquer sistema político. As crenças podem e devem ser combatidas, os crentes é que merecem ser respeitados.

Entendo, pois, que Saramago tem o direito de escrever tudo o que escreve (e quanto lhe agradeço) e de dizer tudo o que diz tal como as Igrejas têm igual direito de contradizer o que diz e escreve Saramago. Passo ao lado dos dislates de um infeliz eurodeputado que pretende definir o critério de nacionalidade em função das suas crenças. Há sempre um clone de Sousa Lara, ensandecido, à espera de cinco minutos de glória.

A Igreja católica teve logo a solidariedade de outras, menos recomendáveis, e tem todo o direito de não gostar de Saramago e de combater as suas ideias, não tem é o direito à imunidade das tolices que prega e ao monopólio da interpretação do Antigo Testamento. Se hoje considera literatura esse livro violento da Idade do Bronze, só a partir do século XIX é que a exegese católica o começou a considerar como tal. E a liberdade religiosa só foi admitida pelo Concílio Vaticano II.

Os judeus das trancinhas que pretendem derrubar o Muro das lamentações à cabeçada e anexar a Palestina, assim como os cristãos evangélicos, que tiveram um presidente dos EUA que falava com deus e invadiu o Iraque, exigem uma leitura literal para o Antigo Testamento.

Alguns pretensos ateus, sôfregos de bênçãos dos leitores, afirmam que a Tora, a Bíblia e o Corão só devem ser avaliados pelos descrentes como obras literárias, à semelhança da Ilíada, Odisseia ou das obras de Shakespeare. Acontece que nenhum destes livros serviu para justificar cruzadas, guerras, tribunais do Santo Ofício ou códigos de conduta.

Não se conhece uma só morte provocada por um fanático para convencer um céptico do dogma do cavalo de Tróia.

14 thoughts on “Saramago, a fé e a liberdade”
  • Verissimo

    Muito bem, Carlos.Texto muito claro e muito esclarecedor.

  • sempapasnalingua

    Saramago vista a idade dele já terá tido tempo de escrever algo contra aquela religião de Amor, Paz e Tolerância inventada por um analfabruto proxeneta, pedófilo e sanguinário salteador de caravanas. Vulgarmente conhecido por Maomerda.
    Eu compreendo que a pressa com que as pessoas vivem não dá tempo para tudo, nem muito menos salvaguardar certas nuances que contam.
    Estou tentado em pensar que este escritor só tem olhos para a religião católica-é sabido que a “esquerda” continua a proteger o iislamofascismo da crítica só porque entendem ser a “religião dos pobres” e partilham o mesmo ódio ao estado de Israel.
    Será por acaso que Saramago não denuncia maiores horrores nessa seita?
    O senhor escritor e com peso grande na opinião internacional, ainda não se deu conta do perigo que representa a seita do cameleiro tarado?
    Foi desenterrar umas anedotas virtuais de mau gosto num livro que já ninguém segue à letra, para não dizer que implicitamente o JC renegou. Mas silencia, não se ofusca, não lhe belisca a consciência, não lhe perturba o sono,nem lhe tira o apetite os tsunamis de violência bem real e actual, por parte duma seita que não conhece limites na agressão e violência.
    Vejam bem se outra religião hoje em dia é verdadeiramente O PROBLEMA, tal como aparece a seita do tarado sexual e profeta da desgraça da Humanidade.
    Gostava que o Sr. Saramago visse coisas macabras como esta, lhe sacudisse a consciência e o inspirasse para escrever a denunciar o Islamofascismo.
    Mas se quiser fazer como muita gente e como a avestruz, seria lamentável e no limite criminoso.
    E cobarde e cúmplice com a maior ignomínia planetária desde há 1400 anos.
    Pessoas da notariedade de Saramago não têm direito moral ao silêncio perante uma tão grave ameaça para a Humanidade nos tempos que correm.

    http://www.postedeveille.ca/2009/07/somalie.html

    sempapasnalingua

  • sempapasnalingua

    Olá Veríssimo
    Ainda por cá?
    Aproveito para renovar o convite e pela mesma razão: dia 5/11 conferência em Bruxelas com a Caroline Fourest e Mahomed Sifaoui.
    Não sei ainda qual o tema, mas o ambiente promete sabendo da zaragata ao rubro entre os laicos à Fourest / MS/FNLP/Respublica…, e a nebulosa de Riposte Laique/ Pierre Cassen/ Mohamed Pascal Hilout/ Radu Radu Steneoscu…
    e muitos outros e cada vez mais.
    Se te interessa diz qualquer coisa.

  • Verissimo

    Olá, Carlos.
    Ainda por cá ando, e sempre atento à vida, que eu adoro e acho curta. Obrigado por Bruxelas, mas agora não dá.Depois lerei o que escreveres.
    Um grande abraço de amizade.

  • Revisionista

    Concordo com o texto… veja a sacralização da religião holocáustica.Os paises “democrático$”, títere$ dos judeu$ $ioni$ta$, proibem que se revise a suprema verdade holocaustica com o velho clichê de anti-semitismo….. Os judeu$ escolheram o numero 6000000 pra designar o “grande numero de mortos no holocau$to” por causa da Cabala judaica… Os judeus cabalisticos tem “affair” pelo n° 6 e seus multiplos… ex: 12… tribos de israle etc.
    Os sionistas conseguiram minar a livre expressão na Europa há tempos…. afinal.. eles são as “eternas vitimas”.

  • Revisionista

    caro sempapas… o islam nunca foi santo… a exemplo do sionismo e cristianismo…. mas seu discurso soa como de 1 títere do sionismo organizado… o islam é diabo em pessoa… ameaça o mundo etc…. a real ameaça é o sionismo organizado… chefiado pelos Rottschild e outros….
    Qual o problema de se repudiar o regime sordido de I$rael??
    I$rael comete atrocidades enormes……

    continue sendo titere da propaganda sionista…..

  • Carpinteiro

    Revisionista, o mais curioso é que nem os judeus fazem a mínima ideia de qual o número de vítimas do holocausto. Quando lhes interessa afirmam terem sido doze milhões, quando se esquecem, ficam-se pelos três milhões. Estes números já eu os ouvi a saírem da boca de judeus em documentários sobre o tema. Convenhamos que de três para doze milhões ainda vai alguma diferença.

  • Revisionista

    Carpinteiro….
    os judeu$ e os títeres deles converteram o “holocau$to” num dramalhão mexicano; telenovela praticamente….
    espetaculo business….
    Veja a manipulação… quando se fala de vitimas da 2GM, só lembram dos judeus…. (e dos japoneses de Hiroshima e Nagasaki). Quase não se fala do massacre de Katyn, do genocidio de Dresden, do regime Ustasha, do regime eslovaco de Tiso, dos crimes japoneses.. e dos aliados etc.
    muita hipocrisia!

  • Carpinteiro

    Morreram milhares de ciganos que a história insiste em ignorar, talvez porque não foram escolhidos por deus algum. A URSS foi o país com mais mortes em número absoluto. Morreram 15 Milhões de Russos na frente Leste a combater nazis, que são propositadamente esquecidos pela história judaico-cristã. Só os interesses americanos na geoestratégica internacional no médio oriente, fizeram dos Judeus o que são hoje: Os carrascos (pintados com cores de vítimas), dos palestinianos.

  • revisionista

    Os ciganos mortos são ignorados pq ~eram “sub-raça e ladrões”. Os soviéticos mortos são ignorados pq “malditos stalinistas ateus”. E o os judeus?? ah claro… os judeus viraram as “eternas vítimas” e “intocaveis” .. e quem se atrever a questionar a “divindade” deles e seus “dogmas” será processado por “antisemitismo”…. Daqui a pouco será proibido criticar I$rael. Ah… Ironicamente os U$A permitem o revisionismo do holocausto ao mesmo tempo que Obama condena-o.

  • revisionista

    Carpinteiro a historia do nazifascismo e 2GM não são totalmente contados pq existe lobby judeu, americano,francês,inglês,vaticano etc.
    lembremos ke Mussolini e Pio XI foram os pais do Vaticano…. via Pacto de Ladrão (digo, Latrão). e ke a ICAR apoiou o Duce. Lembremos ke o Zentrumspartei o padre Kaas votou a favor da lei que dava imensos poderes a Hitler e NSDAP. Em troca, o NSDAP assinou Concordata com a ICAR.Hitler tambem fez pacto com os luteranos (do pastor Ludwig Müller).Lembremos tambem do apoio do clero austriaco(incluindo o primaz Innitzer) a Anschluß. Lembremos do regime pró-nazi eslovaco do padre Tiso, do regime Ustasha croata de Pavelic. da ajuda do Vaticano,CIA e Cruz Vermelha aos fugitivos nazistas e ustashas (Ratlines).
    Lembremos das dúbias relações dos EUA,GB e França com o Eixo. Ou das cumplicidade dos sionistas com Hitler… ou dos soldados judeus de Hitler (livro aborda isso).
    Todos os fatos citados anteriormente são ignorados pela grande midia por causa do Grande Lobby.

  • Carpinteiro

    Morreram milhares de ciganos que a história insiste em ignorar, talvez porque não foram escolhidos por deus algum. A URSS foi o país com mais mortes em número absoluto. Morreram 15 Milhões de Russos na frente Leste a combater nazis, que são propositadamente esquecidos pela história judaico-cristã. Só os interesses americanos na geoestratégica internacional no médio oriente, fizeram dos Judeus o que são hoje: Os carrascos (pintados com cores de vítimas), dos palestinianos.

  • revisionista

    Os ciganos mortos são ignorados pq ~eram “sub-raça e ladrões”. Os soviéticos mortos são ignorados pq “malditos stalinistas ateus”. E o os judeus?? ah claro… os judeus viraram as “eternas vítimas” e “intocaveis” .. e quem se atrever a questionar a “divindade” deles e seus “dogmas” será processado por “antisemitismo”…. Daqui a pouco será proibido criticar I$rael. Ah… Ironicamente os U$A permitem o revisionismo do holocausto ao mesmo tempo que Obama condena-o.

  • revisionista

    Carpinteiro a historia do nazifascismo e 2GM não são totalmente contados pq existe lobby judeu, americano,francês,inglês,vaticano etc.
    lembremos ke Mussolini e Pio XI foram os pais do Vaticano…. via Pacto de Ladrão (digo, Latrão). e ke a ICAR apoiou o Duce. Lembremos ke o Zentrumspartei o padre Kaas votou a favor da lei que dava imensos poderes a Hitler e NSDAP. Em troca, o NSDAP assinou Concordata com a ICAR.Hitler tambem fez pacto com os luteranos (do pastor Ludwig Müller).Lembremos tambem do apoio do clero austriaco(incluindo o primaz Innitzer) a Anschluß. Lembremos do regime pró-nazi eslovaco do padre Tiso, do regime Ustasha croata de Pavelic. da ajuda do Vaticano,CIA e Cruz Vermelha aos fugitivos nazistas e ustashas (Ratlines).
    Lembremos das dúbias relações dos EUA,GB e França com o Eixo. Ou das cumplicidade dos sionistas com Hitler… ou dos soldados judeus de Hitler (livro aborda isso).
    Todos os fatos citados anteriormente são ignorados pela grande midia por causa do Grande Lobby.

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