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  • 24 de Outubro, 2009
  • Por Ricardo Alves
  • Ateísmo

Ateísmo e anti-teísmo

No seu artigo de hoje no Diário de Notícias, o padre católico Anselmo Borges distingue o Caim de Saramago das declarações do escritor sobre a Bíblia. Gostou do livro, classifica as declarações como «ignorância arrogante». Afirma que «perante o Deus de Saramago, só haveria uma atitude digna para o crente: ser ateu».

Já li e ouvi muitos católicos dizerem isto. Acontece que estão a incorrer numa confusão. Não é por fazer um juízo de valor (ético) sobre o Deus da Bíblia que eu sou ateu. É por fazer um juízo de facto (científico) sobre as alegações da existência de «Deus», sobre a origem do universo, sobre a «vida depois da morte» e sobre a «ressurreição», que sou ateu. E comigo muitos outros, que fundamentam (quando necessário) o seu ateísmo em Bertrand Russell, Carl Sagan ou Richard Dawkins, e na ciência em geral.  Somos ateus porque temos a certeza quase total de que aquele «Deus» não pode existir no universo que conhecemos. A questão de saber se o «Deus» da Bíblia e das suas múltiplas intepretações é justo, cruel ou tirânico é uma questão separada, e que não nos torna mais ou menos ateus.

Efectivamente, eu rejeito que o «Deus» da Bíblia seja justo, amoroso ou misericordioso. Mas isso não tem nada a ver com a questão da existência. É por saber (com um grau de certeza maior do que saber se vai chover amanhã) que não existe, que sou ateu. Se eu estivesse convencido da existência de «Deus», a questão seria outra. Em primeiro lugar, não seria ateu. Mas, por rejeitar as suas crueldades e ensinamentos imorais, não lhe prestaria culto e revoltar-me-ia contra os seus actos. Seria, então, anti-teísta. O que é outra coisa.

[Diário Ateísta/Esquerda Republicana]

2 thoughts on “Ateísmo e anti-teísmo”
  • Alberto Fernandes

    As declaraçoes de Saramago, foram de muita agressividade. Eu também sou ateu e para mim existe uma convicçao inabalável da ausência de qualquer “Deus”. Tal convicção fundamenta-se na vida tal como a conhecemos e na evolução do conhecimento humano. Eu não tenho dúvidas da ausência de um deus. Fui católico de formação e por isso estou à vontade para debater qualuer assunto religioso. O primeiro problema que um deus criava consiste em explicar a sua própria origem. Quem o criou a ele ?. Isto não teria fim. Pode-se pôr o problema ao inverso. Quem acredita em deus, dizer, se vós não acreditais, então quem criou o universo ?; Ora aqui reside uma diferença abissal.Primeiro o universo não há dúvida que existe, pois vivemos nele. Mas nós estamos actualmente limitados para responder com 100% de conhecimento de causa, pois conhecmos do universo apenas uma ínfima parte. Não podemos pretender ter respostas sobre o que ainda temos de descobrir. A evolução com o desenvolvimento tecnológico, da ciência e do conhecimento do espaço, vão gradualmente abrindo portas com nova informação. Não temos que ter a resposta final, temos é de aprender a aprender e, perceber que as dúvidas de hoje, terão resposta à medida que evoluímos. pelo contrário sobre deus, ninguém pode ter a certeza da sua existência, mesmo os que acreditam nisso. Além disso, por mais anos e séculos que passem, não há qualquer evolução, não há nenhuma dúvida a ter resposta, nem nunca vai ter. isto é uma das diferenças entre a crença e a ciência. A prova de tudo isto é que à medida que o conhecimneto avança, recua a àrea da influência do deus (seja de que religião fôr). Em relação a Saramago, considero que não havia necessidade de usar termos ofensivos, como ele próprio reconheceu. É importante isso sim, debater ideias e pensar sempre sobre tudo. para mim só existe uma verdade absoluta, é a de que não há verdades absolutas !!!.

  • Alberto Fernandes

    As declaraçoes de Saramago, foram de muita agressividade. Eu também sou ateu e para mim existe uma convicçao inabalável da ausência de qualquer “Deus”. Tal convicção fundamenta-se na vida tal como a conhecemos e na evolução do conhecimento humano. Eu não tenho dúvidas da ausência de um deus. Fui católico de formação e por isso estou à vontade para debater qualuer assunto religioso. O primeiro problema que um deus criava consiste em explicar a sua própria origem. Quem o criou a ele ?. Isto não teria fim. Pode-se pôr o problema ao inverso. Quem acredita em deus, dizer, se vós não acreditais, então quem criou o universo ?; Ora aqui reside uma diferença abissal.Primeiro o universo não há dúvida que existe, pois vivemos nele. Mas nós estamos actualmente limitados para responder com 100% de conhecimento de causa, pois conhecmos do universo apenas uma ínfima parte. Não podemos pretender ter respostas sobre o que ainda temos de descobrir. A evolução com o desenvolvimento tecnológico, da ciência e do conhecimento do espaço, vão gradualmente abrindo portas com nova informação. Não temos que ter a resposta final, temos é de aprender a aprender e, perceber que as dúvidas de hoje, terão resposta à medida que evoluímos. pelo contrário sobre deus, ninguém pode ter a certeza da sua existência, mesmo os que acreditam nisso. Além disso, por mais anos e séculos que passem, não há qualquer evolução, não há nenhuma dúvida a ter resposta, nem nunca vai ter. isto é uma das diferenças entre a crença e a ciência. A prova de tudo isto é que à medida que o conhecimneto avança, recua a àrea da influência do deus (seja de que religião fôr). Em relação a Saramago, considero que não havia necessidade de usar termos ofensivos, como ele próprio reconheceu. É importante isso sim, debater ideias e pensar sempre sobre tudo. para mim só existe uma verdade absoluta, é a de que não há verdades absolutas !!!.

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