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A Fé

Se a Fé nos credos e dogmas religiosos nos fosse proposta depois da adolescência, na idade adulta, não duvido que o profuso reportório de mitos e lendas incluídas nas reelaborações teológicas que substanciam a essência da Fé religiosa, não teriam acolhimento em mentes normalmente formadas, salvo em pessoas com uma peculiar idiossincrasia. A irracionalidade desse reportório e as suas contradições, conduzem à sua recusa, pela maioria das pessoas de bom senso. A Fé adquire-se no seio da família, da tradição, e na infância da vida, quando o sujeito está sob pressão e ao mesmo tempo protecção e cuidado de um Superego manipulador.

A Fé abandona-se por influência de pessoas ou experiências vitais complexas, geralmente intensas e extensas, que exigem um dispêndio de energia psíquica considerável, tanto no plano emotivo como intelectual. As crises de Fé põem à prova o equilíbrio do Ego, como núcleo da personalidade.  A sensibilidade a inteligência e informação, um determinado nível cultural e uma vontade de discernimento, colocados acima dos preconceitos herdados, são o motor capaz de nos libertar das algemas da Fé.

A teologia das religiões reveladas costuma atribuir a Fé a um privilégio pessoal, dom ou graça. Não é por acaso. Os credos contêm tal número de fantasias e infantilidades, que só por dom ou graça, eles ganham assento no intelecto humano. Aqui a teologia fica escrava da psicologia. A tese da revelação, dom ou graça, é a racionalização da falácia conotativa, que reveste o discurso teológico. Deus existe porque o desejo, desejo-o porque o necessito. Logo, tem que existir. A sua graça revela-me essa evidência. Este é o habitual raciocínio em círculo em que assenta o pensamento religioso.

Qualquer criança aceita com complacência uma fé e não arrisca perdê-la. As cerimónias mágicas aprendidas na infância asseguram-lhe uma teofania que não consegue questionar. O adulto que desconhece a tradição, vê essa Fé como um desideratum pueril ou até, como uma brincadeira de mau gosto. As Igrejas sabem-no e por isso obstaculizam por todos os meios o debate intelectual e a informação sobre a origem e as pretensões epistemológicas dos seus credos.

A noção de deus, nas religiões monoteístas – um deus pessoal e criador -, é a mera extrapolação até ao infinito, do conjunto dos atributos finitos e contingentes do ser humano. Esta adjudicação sub specie infinitas atque aeternitatis dos atributos humanos, esbarra inevitavelmente na multitude de antinomias, que arruínam a noção de Deus, e provam a sua impossibilidade.

O inacabável debate sobre a teodiceia e a extenuante polémica de auxilliis, tão dramática como grotesca, bastam para substanciar o facto consumado do colapso do Deus infinito. Pese embora, ousassem exibir esta Divindade com barbas brancas.

 * referências: Gonzalo Ojea, Elogio ao Ateísmo.

 

 

7 thoughts on “A Fé”
  • Carlos Esperança

    Fernando Fernandes:

    A colaboração já estava a fazer falta.

  • Revisionismo

    faltou citar a fé(dogma) holocaustica… esta a maioria nem se atreve a questionar… o Tribunal da Inquisição Sionista pune quem duvida desta fé!!!

  • amiltonsilva200809

    Na verdade são muito poucos que têm e praticam a fé.
    A imensa maioria das pessoas apenas diz acreditar em deus por comodismo, pra não entrar em polêmicas. Elas não estão realmente interessadas no assunto. Grande parte, inclusive, acha este assunto chato, e pra fugir dele faz qualquer coisa.

  • Carpinteiro

    Amiltonsilva.

    A religião é um placebo, a fé, a forma de acesso. A diferença é que o padre, ao contrário do médico, exige côngrua, pede-lhe a confissão, diz-lhe como se deve comportar, e até a sua vida íntima, onde se inclui a sexual, ele quer controlar.

  • 25041974

    Mais um analfabeto oco e mentiroso!!!
    Na ásia, todos os anos milhares de adultos se convertem e baptizam!!
    (Japão; Coreia do Sul-no Norte os selvagens ateus matam e esfolam; China, apesar dos selvagens ateus; VIetname, etc…)
    Nos países islâmicos, apesar de ser crime a conversão, tb há adultos que se convertem ao Cristianismo…muitos morrem pouco depois.
    Este ano, nos USA, na Páscoa, houve 150 mil baptizados de adultos…
    Enfim, a habitual ignorância e mentira ateísta…

  • Carpinteiro

    No Ruanda também. Pena que seja à catanada.

  • Carpinteiro

    No Ruanda também. Pena que seja à catanada.

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