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ICAR – Paradoxos

Imagine-se um muçulmano a publicar um livro de receitas com pratos à base de carne de porco e com uma adenda sobre os vinhos recomendados para cada prato e o digestivo adequado a finalizar a refeição;

Imagine-se um invisual  a dar instrução aos candidatos a condutores de automóveis;

Imagine-se um surdo profundo a dirigir a orquestra da Gulbenkian ou um mudo a fazer o discurso de abertura de um comício;

Imagine-se um coxo a correr a maratona ou um analfabeto a dar aulas de português.

Podíamos passar horas a imaginar absurdos e a formular paradoxos. Poderá dizer-se que o Vaticano fez de monsenhor Escrivá santo e do cardeal Ratzinger  Papa, mas não é a mesma coisa. O direito canónico não impede a santidade de um fascista nem recusa a tiara a um inquisidor.

O que surpreende é que um clérigo a quem o múnus impede a interrupção do celibato se torne num adversário do divórcio, um indivíduo condenado à castidade se torne num orientador da sexualidade e um sujeito do sexo masculino, celibatário e casto, se assuma como perito das doenças sexualmente transmissíveis e se queira substituir aos peritos da medicina reprodutiva.

É este papel pouco convincente e algo ridículo que os padres insistem em representar.

6 thoughts on “ICAR – Paradoxos”
  • Avro Manhattan

    e o vaticano que prega a vida mas cometeu n crimes??
    O mesmo vaticano que se baseia na bíblia, 1 livro imundo que prega assassinatos etc.

  • Carpinteiro

    Paradoxo, é a Igreja nunca se ter preocupado com as crianças e suas famílias, abusadas ao longo dos séculos pelo clero, paradoxo é o clero nunca ter abordado a manipulação a que sujeita os crentes para lhes extorquir dinheiro de uma forma indigna e vergonhosa, paradoxo é a Igreja nunca ter a coragem de abordar o assunto sobre o seu avassalador poderio económico e passar a vida a apregoar a pobreza. Isso sim, é para mim um paradoxo.

  • Miguel

    Desculpem mas este discurso acusatório dos erros históricos da icar e afins não traz nada de novo nem ajuda a nossa causa. às vezes fazemos o discurso do ceguinho frustrado e resignado. Pelo mesmo correr de ideias poderiam falar dos genocídios dos regimes comunistas ateus e afins… acho que nos devemos concentrar naquilo que ajuda a estabelecer diálogo e a dignificar a nossa causa: porquê ser ateu, em que prejudica o ser humano ter fé, e que dizemos daqueles que têm fé e são um exemplo para a humanidade, não falamos neles? não são mais importantes os seres humanos ateus e crentes que constroem alguma coisa melhor!

    falar dia atrás dia de quezílias de uma forma raivosa e pouco crítica (porque insiste em ver só um lado da moeda) não é sério, damos a imagem de ser destrutivos em vez de construtivos. Desculpem o desabafo, mas penso assim.

  • Jose Simoes

    “em que prejudica o ser humano ter fé”?

    Médio oriente
    Irlanda
    Cashmira
    Corno de África

    José Simões

  • Miguel

    ok, o que estava a dizer antes concorda com o acaba de dizer, mas por outro lado ateus fizeram coisas tão más. uma das perguntas que devemos colocar com honestidade é se esses exemplos de violência dependem da fé ou não fé de cada um ou se esta é a desculpa ou apenas um elemento de reforça a identidade de um grupo de rufias. pessoalmente julgo que é assim, fanatismos existem em todo o lado, na religião, na política e nas mais diversas ideologias. falo disto porque tenho a impressão que tenho pouca autoridade e ninguém me ouve se a única coisa que faço é apontar o defeito do outro sem ver o meu nem ver o que o outro tem de bom. à minha idade gostava que as minhas convicções ateístas fossem levadas mais a sério, para isso penso que devo falar com mais honestidade. admito que posso estar totalmente errado. foi outro desabafo… desculpem

  • Miguel

    ok, o que estava a dizer antes concorda com o acaba de dizer, mas por outro lado ateus fizeram coisas tão más. uma das perguntas que devemos colocar com honestidade é se esses exemplos de violência dependem da fé ou não fé de cada um ou se esta é a desculpa ou apenas um elemento de reforça a identidade de um grupo de rufias. pessoalmente julgo que é assim, fanatismos existem em todo o lado, na religião, na política e nas mais diversas ideologias. falo disto porque tenho a impressão que tenho pouca autoridade e ninguém me ouve se a única coisa que faço é apontar o defeito do outro sem ver o meu nem ver o que o outro tem de bom. à minha idade gostava que as minhas convicções ateístas fossem levadas mais a sério, para isso penso que devo falar com mais honestidade. admito que posso estar totalmente errado. foi outro desabafo… desculpem

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