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  • 1 de Março, 2009
  • Por Carlos Esperança
  • Religiões

As religiões e a liberdade

O texto do Rui Cascão, bem documentado como é seu hábito, merece que torne ao assunto abordando, especialmente, as discordâncias.

Quanto aos factos não tenho divergências de maior, limito-me a reiterar que o Islão é um plágio grosseiro do cristianismo mas talvez seja mais rigoroso dizer que as três religiões monoteístas plagiam o Antigo Testamento, um livro da Idade do Bronze, de cujas páginas escorre a violência, a crueldade e a vingança de um deus feito à imagem e semelhança dos homens e das sociedades dessa época.

Concordo que as três religiões são idênticas: reaccionárias, anti-modernistas, anti-científicas e opressivas. Não se trata de uma idiossincrasia muçulmana. Não é por acaso que Pio IX considerava o cristianismo incompatível com a liberdade e a democracia.

O Talmude e a Tora, O Antigo e o Novo Testamento, O Corão e a Sunnah (séc. IX) têm em comum o carácter misógino mas diferem em relação ao álcool, à carne de porco e na defesa do véu e da burka. No islão as proibições atingem o esplendor esquizofrénico, onde até urinar com o jacto virado para Meca é proibido. Não é, pois, uma questão de preconceito contra o Islão, é a verificação do que é.

É verdade que o Islão já foi mais tolerante do que o cristianismo mas o mérito nunca é das religiões mas sim das sociedades que contêm a fé.

Paulo de Tarso odiava o prazer e injuriava as mulheres. Advogou o castigo do corpo e glorificou o celibato, a castidade e a abstinência. É um expoente da patologia teológica e do masoquismo místico mas o Iluminismo e a Revolução Francesa puseram termo à demência beata. No Islão não houve Reforma nem Iluminismo e, em vez do Direito Romano (civilista) vigora a influência do direito teocrático tal como no cristianismo ortodoxo existe a influência de um direito de natureza política.

1 – «Na época áurea do islamismo (Séc. X e XIV) a civilização islâmica (ou árabe?) era a mais próspera e a mais avançada…» mas isso não foi mérito da religião, foi talvez o período em que a fé teve menos influência enquanto o cristianismo, por sua vez, dominava.

2) Existem, nos dias de hoje, sociedades predominantemente islâmicas, com razoável prosperidade económica, índices médios e até altos de desenvolvimento social e humano, e onde se entende o Islão de forma moderada (Malásia, Singapura, Turquia).

Desconheço o caso da Malásia e Singapura é apenas uma cidade-estado. Vamos à Turquia. É um imenso país laico onde as Forças Armadas e os Tribunais se têm oposto às tentativas de submissão à sharia, na defesa da herança de Mustafa Kemal Atatürk que proibiu violentamente quaisquer sinais exteriores religiosos e onde o véu é interdito nos edifícios públicos. Mas essa herança está em risco com o progressivo avanço do islão e a vitória eleitoral de um primeiro-ministro que compreende o assassinato de juízes que consideraram inconstitucional o uso do véu nas universidades.

Não esqueçamos que as páginas do Corão apelam constantemente à destruição dos infiéis, da sua cultura e civilização, bem como dos judeus e cristãos (por esta ordem) em nome do mesmo Deus misericordioso que inspira as hordas de terroristas.

3 – Não é o Islão que oprime, são as duras condições socioeconómicas…. Esta afirmação politicamente correcta exige demonstração. As condições socioeconómicas são provavelmente consequência do Islão, da discriminação da mulher, da ausência de liberdade, das cinco orações diárias e da obstinada subordinação do quotidiano dos cidadãos à vontade de Alá. O Génesis também condena radical e definitivamente a mulher como primeira pecadora e causa de todo o mal no mundo, mas qual é o cristão que ainda leva a sério tão piedoso ensinamento?

O que é mau é o radicalismo…. Claro que sim, mas o que é um muçulmano moderado?

A crença inabalável na vida eterna é um obstáculo insuperável para a liberdade na única vida que nos é dado viver. Se não fosse a repressão política à Igreja, no Ocidente, ainda hoje seríamos regidos pelo direito canónico em vez de termos uma Constituição. O divórcio, o adultério, a apostasia, a homossexualidade e a igualdade entre os sexos ainda seriam proibições absolutas e crimes duramente punidos.

Não há crentes moderados, há apenas crentes com pouca fé ou muitas dúvidas. Não há religiões humanistas, há credos submetidos às leis democráticas e padres com medo do Código Penal.

6 thoughts on “As religiões e a liberdade”
  • mathias

    Os povos islâmicos acham que, por não terem dado a atenção merecida ao Islã, foram vítimas de um castigo divino que deu força aos infiéis (o ocidente). Agora voltam-se para si mesmos, aos seus fundamentos, misturando estes à política. Resultado: teremos uma nova Idade Média com toda sua miséria só que agora regida por Alá.

  • pedro paulo netto

    Reitero meu comentário anterior: Islâmicos São BIN LADENS e estes anseiam o Martírio e a Morte porque os Estadunienses insistem em impor a sua “democracia do Big mac e da Coca-Cola” num Deserto coalhado de Petróleo. Nada podemos esperar de Racionalidade e Esclarecimento de um povo refém do Ouro Negro e da Ignorância, só podemos Combater e os Exterminar para que o Mundo não retroceda novamente à idade média. Façamos Agora! Porque estes não irão parar jamais.

  • Steve

    Rui Cascão??? Ele odeia banho??
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Casc%C3%A3o

  • João Seixas

    “No Islão não houve Reforma nem Iluminismo e, em vez do Direito Romano (civilista) vigora a influência do direito teocrático tal como no cristianismo ortodoxo existe a influência de um direito de natureza política.”

    Bom, é discutível se a Reforma terá sido, em última instância, útil. Quando esta se deu, o Vaticano estava reduzido a um Reino temporal praticamente decadente, quase falido e fraco perante interesses de outros monarcas europeus. A Reforma serviu apenas para fomentar a Contra-Reforma e todo o fanatismo e intransigência que se seguiram. Embora de forma reflexa, a Reforma foi a causa do fundamentalismo católico dos últimos tempos…

  • João Seixas

    “No Islão não houve Reforma nem Iluminismo e, em vez do Direito Romano (civilista) vigora a influência do direito teocrático tal como no cristianismo ortodoxo existe a influência de um direito de natureza política.”

    Bom, é discutível se a Reforma terá sido, em última instância, útil. Quando esta se deu, o Vaticano estava reduzido a um Reino temporal praticamente decadente, quase falido e fraco perante interesses de outros monarcas europeus. A Reforma serviu apenas para fomentar a Contra-Reforma e todo o fanatismo e intransigência que se seguiram. Embora de forma reflexa, a Reforma foi a causa do fundamentalismo católico dos últimos tempos…

  • João Seixas

    “No Islão não houve Reforma nem Iluminismo e, em vez do Direito Romano (civilista) vigora a influência do direito teocrático tal como no cristianismo ortodoxo existe a influência de um direito de natureza política.”

    Bom, é discutível se a Reforma terá sido, em última instância, útil. Quando esta se deu, o Vaticano estava reduzido a um Reino temporal praticamente decadente, quase falido e fraco perante interesses de outros monarcas europeus. A Reforma serviu apenas para fomentar a Contra-Reforma e todo o fanatismo e intransigência que se seguiram. Embora de forma reflexa, a Reforma foi a causa do fundamentalismo católico dos últimos tempos…

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