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  • 25 de Janeiro, 2009
  • Por Carlos Esperança
  • Religiões

Ateus e falsos ateus (2)

As Igrejas têm um ror de prosélitos a defender-lhes as manhas e a publicitar as virtudes dos seus deuses. Têm gente à espera de bilhete para o Paraíso, capaz de dar a vida, própria e alheia, para ouvir as sinfonias que os padres prometem com o som de harpas tocadas por anjos.

Os crentes têm certezas sobre coisa nenhuma enquanto os ateus têm dúvidas sobre todas as coisas. Por isso, os crentes repetem tautologicamente as afirmações de que não têm provas enquanto os ateus duvidam de provas sem confirmação.

Os crentes são dados a rituais, suportam as genuflexões, inalam em êxtase os odores pios e acreditam que a água benta é diferente da outra. Os ateus têm a pituitária alérgica ao incenso e a pele avessa à água benta.
Mas há seres híbridos que, para defenderem as Igrejas e os seus dogmas, se dizem ateus para servirem de polícias da fé. Afirmam que os ateus não devem associar-se, que não têm o direito de criticar quem crê, que devem deixar à solta a mentira e o embuste.

Estes avençados do divino julgam que o ser imaginário lhes pagará a pia mentira com uma assoalhada para a alma, seja lá isso o que for, pelos bons serviços que julgam prestar ao negócio da fé e à indústria dos milagres.

Bem-aventurados os pobres de espírito.

10 thoughts on “Ateus e falsos ateus (2)”
  • americano

    Há também os falsos crentes, que dizem acreditar no embuste para poder gozar os favores do ilusionista. Na sociedade brasileira é mais aceito o ladrão,o traficante de drogas( seitas incluidas), o corruptor, o canalha que age contra a economia publica do que um ateu. Um candidato a qualquer cargo público que declarar-se ateu ou sem religião é visto como se fosse um pária nojento e não merecedor de nada além do desprezo. Por outro lado, se o indivíduo , mesmo sendo um ignorante e desqualificado, aparecer ao lado de bispos, pastores , padres, etc e dizer” Deus é fiel” pronto aqui temos um homem de bem.
    Ex. “bispo” Estevam Hernandes está preso nos EUA por sonegação de valores.
    No Brasil ele continua a agir contra a economia popular e nada acontece à ele.
    Obrigado

  • Carlos Esperança

    Não é só no Brasil. Por cá, também.

  • Carpinteiro

    Os homens cativos da fé tornam-se facilmente prosélitos sem vontade própria ao serviço de interesses pessoais e corporativos.
    É flagrante a falta de direitos dos diferentes, cépticos, agnósticos ou ateus, a disfrutar da igualdade de oportunidades nas tribunas públicas, e da mesma protecção ou colaboração oficial para difundir, debater ou defender as suas ideias ou crenças.
    A grande questão não é a de assegurar um “pluralismo Religioso” senão a de garantir um pluralismo sem adjectivos, desde o laicismo constitucional e desde uma autêntica neutralidade dos poderes públicos em matéria de crença religiosa.
    Entre nós continua, aberta ou camufladamente apoiada por poderes públicos, a “Ideologia Católica” nas suas incontáveis formas de expressão.
    A velha questão religiosa continua sem solução satisfatória à vista.
    Cabe-nos a nós ateus ou não, cidadãos livres, combater e denunciar este tipo de promiscuidade

  • amiltonsilva200809

    Esses que defendem que os ateus não devem se associar é porque temem essa união.
    Afinal, se os crentes se unem, porque não os ateus?
    Temos que nos unir pra melhor defender nossas idéias, e até pra nós mesmos ficarmos mais atentos às novidades que eles inventam.
    Se há falsos ateus, e acredito que haja, devemos combatê-los com mais vontade do que combatemos os crentes. Quer dizer, o deus dos crentes.

  • Jeni

    Acho que não estamos em batalha… senão poderíamos ser comparados à cruzadores.
    Acredito que a única coisa que podemos fazer é espalhar conhecimento acerca de todas as ciências, instigando a não existência de deus. Quero dizer, vamos plantar a dúvida – e única e exclusivamente ela pois nada a mais temos de concreto – na cabeça daqueles que mais a negam.

  • Carlos Esperança

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  • Jose Simoes

    “Mas há seres híbridos que, para defenderem as Igrejas e os seus dogmas, se dizem ateus para servirem de polícias da fé. Afirmam que os ateus não devem associar-se, que não têm o direito de criticar quem crê, que devem deixar à solta a mentira e o embuste”

    Não estou a ver que esses sejam caos sejam especialmente abundantes.

    Agora que pessoas que se dizem crentes para não serem chateados ou até para manter o emprego, sei que há muitas. E compreendo. Numas alturas mais do que noutras.

    Não vejo nada de errado num ateu defender que, num certo instante histórico é até mesmo boa ideia fazer alianças com a igreja. Em 1971 era eu muito jovem, mas já um ateu puro e duro e sem dúvidas – a não ser metódicas – mas colaborei com a igreja na alfabetização de adultos.

    Actualmente penso que foi um erro, mas com os conhecimentos e experiência que tinha na altura a minha decisão foi acertada, nunca deixando de ser ateu durante toda a minha experiência.

    A minha docência gravitou sempre em torno das ciências o que – ao nível ensinado – não trazia qualquer polémica, pelo menos na altura e no local.

    A minha principal dificuldade ainda foi falar com os meus alunos a quem era difícil apagar a ideia que era a igreja que estava a fazer aquilo por eles. Mas também não tinha coragem de acabar com as aulas.

    Resumindo: às vezes a vida trás-nos situações na qual as decisões são difíceis e na prática podemos estar a favorecer o “inimigo”, por erro estratégico ou por ser “o mal menor”.

    Mas nunca conheci nenhum ateu que não gostasse de falar com outros ateus e formar com eles associação (não digo legalizada) – nem que não fosse às escondidas. Claro que não havendo catecismos há sempre alguma dissidência, mas não é certamente por falta de falta de fé.

    Também tinha um amigo – ateu de todos os costados – que foi casar católicamente porque os pais da rapariga ameaçavam a completa exclusão do jovem casal pela família de uma larga ilha onde a família era o poder. E isto apesar da noiva não ter nada de crente, na prática. Mas tinha ligações familiares de muita afinidade.

    A vida nem sempre é fácil, Há decisões, opções e caminhos a tomar.

    José Simões

  • Carlos Esperança

    José Simões:

    O que nos conta, aliás honroso, é que colaborou com crentes mais do que com uma Igreja.

    Também eu andei com católicos a conspirar contra a ditadura , enquanto a ICAR se conluiava com o salazarismo.

  • Carlos Esperança

    José Simões:

    O que nos conta, aliás honroso, é que colaborou com crentes mais do que com uma Igreja.

    Também eu andei com católicos a conspirar contra a ditadura , enquanto a ICAR se conluiava com o salazarismo.

  • Carlos Esperança

    José Simões:

    O que nos conta, aliás honroso, é que colaborou com crentes mais do que com uma Igreja.

    Também eu andei com católicos a conspirar contra a ditadura , enquanto a ICAR se conluiava com o salazarismo.

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