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  • 29 de Agosto, 2008
  • Por Carlos Esperança
  • Religiões

O corpo e a alma (Crónica)

Criticado por ter proposto uma competição que pretendia eleger a freira mais bonita, via internet, um padre italiano voltou atrás e suspendeu tudo.

Donde vem este ódio ao corpo feminino, a fúria misógina, o ranger de dentes, perante a forma de um corpo, as curvas do desejo e a beleza da mulher?
Paulo de Tarso, um místico desequilibrado, rotulou o cabelo e a voz das mulheres como coisas obscenas e Agostinho de Hipona entrava em desvario por não poder resistir-lhes. E ambos foram santos na infância dos milagres, quando a produção em série estava por inventar e a Igreja católica era avara na produção de taumaturgos.
Mas que obsessão é essa dos que lhes querem cobrir o corpo, seja com o hábito, alvo, de freira ou com a negrura da burca, lhes escondem as formas, porque temem a beleza, e as reduzem a um corpo sem feitio porque lhe adivinham a inteligência da alma?
Não, não é dessa alma que falo, da criação ontológica que alimenta um deus sedento no Olimpo de todos os medos, da metafísica dos negócios pios, do pretexto para a renúncia à vida e ao sortilégio do amor. Falo da alma com que as mulheres cantam, riem, choram e gritam, da alma com que animam a vida, da alma com que amam e procriam, da força que lhes vem dos séculos de tirania e humilhação.
Quem oprime as mulheres são doentes de desejos reprimidos, inquietos com a perda do poder, célibes que temem o amor e o escândalo, maníacos da castidade que a educação e o múnus castram e que, no êxtase de fantasias sórdidas, se entretêm a inventar castigos.
Quando homens e mulheres descobrirem que a liberdade é feminina, dar-se-ão conta de que a igualdade não é uma utopia e que a discriminação dos livros pios é a afronta que se perpetua para gáudio de homens sós e eterna perdição da felicidade humana na vida que não se repete.

16 thoughts on “O corpo e a alma (Crónica)”
  • Carlos Melo dos Reis

    Engraçado… como se um concurso de misses representasse a suprema epifania da Mulher… e que raio, até já sobre os corpos dos outros opinamos com tanta autoridade!!

    Em relação a comportamentos que a Igreja católica reprova é costume por estas bandas defender a liberdade individual e que cada um faça com o seu corpo o que quiser !… Poderão os crentes fazer o mesmo??!

    Provocará tanto receio a castidade a quem não a queira ter?!! Mas toda a gente que escolhe ser diferente de mim é necessariamente hipócrita, recalcado e sofre de disfunções e patologias mórbidas ?!!

    Tal como tudo na realidade, também o corpo é ‘lido’ consoante os valores que estão subjacentes a essa interpretação.

    Do que tenho visto, não encontrei este medo do corpo no cristianismo, e conheço muitos santos ateus que exercem sobre as suas mulheres, ou sobre aquelas que consomem como se fossem bens descartáveis, poder discricionário e misógenia militante, já não falando de muitas políticas defendidas em nome da liberdade, mas que beneficiam apenas os homens!

    Este tipo de comentários revelam a proverbial falta de conhecimentos em relação às religiões e a repetição mântrica de lugares comuns superficiais e erróneos.

  • Carlos Melo dos Reis

    Engraçado… como se um concurso de misses representasse a suprema epifania da Mulher… e que raio, até já sobre os corpos dos outros opinamos com tanta autoridade!!

    Em relação a comportamentos que a Igreja católica reprova é costume por estas bandas defender a liberdade individual e que cada um faça com o seu corpo o que quiser !… Poderão os crentes fazer o mesmo??!

    Provocará tanto receio a castidade a quem não a queira ter?!! Mas toda a gente que escolhe ser diferente de mim é necessariamente hipócrita, recalcado e sofre de disfunções e patologias mórbidas ?!!

    Tal como tudo na realidade, também o corpo é ‘lido’ consoante os valores que estão subjacentes a essa interpretação.

    Do que tenho visto, não encontrei este medo do corpo no cristianismo, e conheço muitos santos ateus que exercem sobre as suas mulheres, ou sobre aquelas que consomem como se fossem bens descartáveis, poder discricionário e misógenia militante, já não falando de muitas políticas defendidas em nome da liberdade, mas que beneficiam apenas os homens!

    Este tipo de comentários revelam a proverbial falta de conhecimentos em relação às religiões e a repetição mântrica de lugares comuns superficiais e erróneos.

  • jorgealarcao

    Há realmente paradoxos…
    Têm-se descoberto, aqui e além, em várias terras portuguesas (certamente que em outras, da estranja) túneis ligando templos e conventos.
    Sei de uma casa onde existia também um acesso a um desses túneis ligando um templo (anexo a um convento) a outro convento (de mulheres). Quem me referiu essa passagem, numa casa sua, bloqueou-a e, com medo de derrocadas (e a infestação de ratazanas) nunca transitou por lá.
    Admito as melhores intenções e pureza de ideias como ademito as tentações “satânicas”. Mas não é possível reconstituir a história dessas comunicações.
    Nós sabemos que há alguns (homens / mulheres) que não lhes apetece sexo (qualquer tipo) e outros que têm transportes mesmo através de fetiches incluindo imagens “sagradas” ou a simples concentração (máxima) numa qualquer “ideia força” que pode ser o símbolo de ‘amor’ (…, p. ex.: divino), ou mais apelativo como o corpo desnudado, “chagoso”, dilacerado por espancamentos e crucificado dum deus mártir… A maior parte (…) gosta de sexo, simplesmente, de sexo hetero (…).
    Mas acoplada à santidade existe a ideia de castidade.
    A castidade é também um compromisso para alguns devotos. Noutros uma obsessão que julgo patológica.
    Uma freira que conheci em África, no norte de Moçambique, dizia-me que era casada com Cristo e trazia uma aliança desse compromisso… Loucuras…
    Do que podemos afirmar é que o sexo é uma função de extrema importância (nos animais!, nas plantas?…) com armadilhas imensas, cheiros, enfeites, plumagens, etc. e os desvios têm sido censurados desde os mais vetustos ancestrais.
    É também de salientar que as mulheres são património dos homens nessa idealização da ética e, onde existem muitas mulheres, o único homem não castrado é o senhor proprietário…
    Amor à mulher? Impotência… São os segredos, para nós leigos, dessas idiossincrasias misóginas que as cobrem, dos cabelos aos pés, para elas se descobrirem em deleites…
    Sem maldade!

  • jorgealarcao

    Há realmente paradoxos…
    Têm-se descoberto, aqui e além, em várias terras portuguesas (certamente que em outras, da estranja) túneis ligando templos e conventos.
    Sei de uma casa onde existia também um acesso a um desses túneis ligando um templo (anexo a um convento) a outro convento (de mulheres). Quem me referiu essa passagem, numa casa sua, bloqueou-a e, com medo de derrocadas (e a infestação de ratazanas) nunca transitou por lá.
    Admito as melhores intenções e pureza de ideias como ademito as tentações “satânicas”. Mas não é possível reconstituir a história dessas comunicações.
    Nós sabemos que há alguns (homens / mulheres) que não lhes apetece sexo (qualquer tipo) e outros que têm transportes mesmo através de fetiches incluindo imagens “sagradas” ou a simples concentração (máxima) numa qualquer “ideia força” que pode ser o símbolo de ‘amor’ (…, p. ex.: divino), ou mais apelativo como o corpo desnudado, “chagoso”, dilacerado por espancamentos e crucificado dum deus mártir… A maior parte (…) gosta de sexo, simplesmente, de sexo hetero (…).
    Mas acoplada à santidade existe a ideia de castidade.
    A castidade é também um compromisso para alguns devotos. Noutros uma obsessão que julgo patológica.
    Uma freira que conheci em África, no norte de Moçambique, dizia-me que era casada com Cristo e trazia uma aliança desse compromisso… Loucuras…
    Do que podemos afirmar é que o sexo é uma função de extrema importância (nos animais!, nas plantas?…) com armadilhas imensas, cheiros, enfeites, plumagens, etc. e os desvios têm sido censurados desde os mais vetustos ancestrais.
    É também de salientar que as mulheres são património dos homens nessa idealização da ética e, onde existem muitas mulheres, o único homem não castrado é o senhor proprietário…
    Amor à mulher? Impotência… São os segredos, para nós leigos, dessas idiossincrasias misóginas que as cobrem, dos cabelos aos pés, para elas se descobrirem em deleites…
    Sem maldade!

  • kavkaz

    As freiras não fiquem desgostosas com a anulação do concurso ! Eu ajudo !

    Podem mandar-me as fotografias que eu tratarei da eleição da “Miss Freira 2008” !

    E arranjo prémios para quem ficar nos três primeiros lugares de honra !

  • kavkaz

    As freiras não fiquem desgostosas com a anulação do concurso ! Eu ajudo !

    Podem mandar-me as fotografias que eu tratarei da eleição da “Miss Freira 2008” !

    E arranjo prémios para quem ficar nos três primeiros lugares de honra !

  • Atheos

    Reis dando show de hipocrisia. Católico pregando democracia é o mesmo ke 1 canalha falando de ética!

  • Atheos

    Reis dando show de hipocrisia. Católico pregando democracia é o mesmo ke 1 canalha falando de ética!

  • Carlos Melo dos Reis

    O amigo Atheos anda mesmo irritado !!!…

    Espero sinceramente que seja só isso, pois o receio que por vezes tenho é que os ‘novos’ ateísmos tragam as perseguições, totalitarismo e ausência de liberdade como os do passado.

  • Carlos Melo dos Reis

    O amigo Atheos anda mesmo irritado !!!…

    Espero sinceramente que seja só isso, pois o receio que por vezes tenho é que os ‘novos’ ateísmos tragam as perseguições, totalitarismo e ausência de liberdade como os do passado.

  • Atheos

    Gostei da anedota.Que eu saiba, a o ateísmo é amigo da democracia, ao contrário da religião.

    Hitler, Pavelic,Franco, Khomeini, Somoza etc. foram exemplos de “democratas” de deus.

    Sobre liberdade. Se a religião merece liberdade, os estelionatários também.

  • Atheos

    Gostei da anedota.Que eu saiba, a o ateísmo é amigo da democracia, ao contrário da religião.

    Hitler, Pavelic,Franco, Khomeini, Somoza etc. foram exemplos de “democratas” de deus.

    Sobre liberdade. Se a religião merece liberdade, os estelionatários também.

  • gt

    CMReis confunde-se.
    Não podemos consentir que se estabeleça nenhuma semelhança entre ateismo e laicismo.
    Tem havido revoluções laicas. As mais importantes e que se mantiveram. A nossa (1910), infelizmente, por circunstâncias pesadas à mistura com a interferência “benfazeja” do catolicismo nacional, atávico, durou pouco tempo com um período de obscurantismo que se prolongou vastos e tenebrosos anos.
    O ateísmo é uma concepção filosófica com a negação de deus. Pelo menos do deus criador cheio de prebendas com que o enfeitam religiões aqui e além…
    Esse deus é insustentável e a mais simples dialéctica mostra contradições.
    Politicamente e democraticamente a questão do ateísmo não interessa taxativamente aos governantes como não interessa concretamente nenhuma concepção religiosa. O que interessa é a separação do estado das religiões. Aliás temos visto que muitas posições atávicas e de falsa ética têm sido ultrapassadas em muitas regiões do planeta. No que nos diz respeito, as visões dos cristianismos (para não globalizarmos mais) não se coadunam com a modernidade, as necessidades das novas sociedades, a adaptação legislativa a concepções realistas.
    Falar em revoluções ateias é descobrir mitos de martírios em tentativas de encobrir a realidade. A força que mais obstaculou, que mais vítimas criou (além das guerras), foi a ICAR com a incomensurável idiotice da inquisição, concebida como santa, e as guerras da libertação (cruzadas) do suposto santo sepulcro que requer, antes de mais que se demonstre a existência de deus e do deus/homem, do seu sacrifício redentor (uma idiotice primária!) de que não há testemunho válido nenhum!
    Ficam as águas extremadas. Laicismo é uma ideologia política; ateísmo são reflexões filosóficas. As teocracias, como a do Vaticano, não interessam definitivamente a um número cada vez maior de gente esclarecida.

  • gt

    CMReis confunde-se.
    Não podemos consentir que se estabeleça nenhuma semelhança entre ateismo e laicismo.
    Tem havido revoluções laicas. As mais importantes e que se mantiveram. A nossa (1910), infelizmente, por circunstâncias pesadas à mistura com a interferência “benfazeja” do catolicismo nacional, atávico, durou pouco tempo com um período de obscurantismo que se prolongou vastos e tenebrosos anos.
    O ateísmo é uma concepção filosófica com a negação de deus. Pelo menos do deus criador cheio de prebendas com que o enfeitam religiões aqui e além…
    Esse deus é insustentável e a mais simples dialéctica mostra contradições.
    Politicamente e democraticamente a questão do ateísmo não interessa taxativamente aos governantes como não interessa concretamente nenhuma concepção religiosa. O que interessa é a separação do estado das religiões. Aliás temos visto que muitas posições atávicas e de falsa ética têm sido ultrapassadas em muitas regiões do planeta. No que nos diz respeito, as visões dos cristianismos (para não globalizarmos mais) não se coadunam com a modernidade, as necessidades das novas sociedades, a adaptação legislativa a concepções realistas.
    Falar em revoluções ateias é descobrir mitos de martírios em tentativas de encobrir a realidade. A força que mais obstaculou, que mais vítimas criou (além das guerras), foi a ICAR com a incomensurável idiotice da inquisição, concebida como santa, e as guerras da libertação (cruzadas) do suposto santo sepulcro que requer, antes de mais que se demonstre a existência de deus e do deus/homem, do seu sacrifício redentor (uma idiotice primária!) de que não há testemunho válido nenhum!
    Ficam as águas extremadas. Laicismo é uma ideologia política; ateísmo são reflexões filosóficas. As teocracias, como a do Vaticano, não interessam definitivamente a um número cada vez maior de gente esclarecida.

  • Atheos

    GT, Reis é dissimulado… ele tenta criminalizar o ateísmo.

  • Atheos

    GT, Reis é dissimulado… ele tenta criminalizar o ateísmo.

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