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  • 29 de Agosto, 2008
  • Por Carlos Esperança
  • Religiões

No rescaldo da guerra do Cáucaso

Terminaram os combates entre os “irmãos” cristãos do Cáucaso. A paz ainda terá de ser consolidada. São dias muito difíceis para a população da Geórgia, Ossétia do Sul, Abcásia e para os familiares dos soldados russos que caíram em combate. Há cidades e aldeias destruídas, muitos mortos, populações deslocadas, famílias destroçadas. Falta água, comida, habitações e electricidade.

Do meu ponto de vista ateu o resultado desta “guerra dos cinco dias” diz-nos que a religião cristã-ortodoxa sofreu um grande desaire, pois estavam em conflito os “irmãos ortodoxos” do Cáucaso. Tanto a Igreja Ortodoxa Russa, como a Igreja Ortodoxa da Geórgia foram impotentes para travar esta guerra, conduzida pelos seus dirigentes políticos cristãos. Devo dizer, em abono da verdade, que as grandes hostilidades foram iniciadas pelo cristão Saakachvili, Presidente da Geórgia, uma pessoa “muito crente” que ordenou bombardear, durante a noite de 7 para 8 de Agosto, a capital da Ossétia do Sul, Tskhinvali, fazendo mais de 1600 mortos. A partir daí a guerra já só parou com a derrota do agressor.

O resultado começa a ser conhecido: os habitantes da Ossétia e da Abcásia sentem um profundo ódio à Geórgia. Contra todos eles. É o resultado dos bombardeamentos da sua região pelas tropas georgianas. Por outro lado, os georgianos, pessoas muito orgulhosas e combativas, continuam a dizer que as terras da Ossétia do Sul e da Abcásia fazem parte do seu território, mesmo sabendo que os habitantes não aceitarão esse vínculo à Geórgia.

O Patriarca da Geórgia, Iliá II, que surgia frequentemente ao lado de Saakachvili publicamente, pede aos crentes georgianos para rezarem a “Deus” pela reunificação do território. Diz que o “inimigo” não quebrará o espírito do povo georgiano. Diz aquilo que os georgianos desejam ouvir, mas os adversários repelem.

Os muçulmanos do Cáucaso espreitam a oportunidade e podem tornar-se bem mais influentes na Abcásia e Ossétia do Sul. Apoiaram a intervenção da Rússia em defesa das regiões agredidas.

Pode-se concluir que a “irmandade cristã” poderá existir com alguns bons resultados em tempos de paz. Mas começando a guerra “estala o verniz” da “irmandade” e as Igrejas ficam incapacitadas de travar a violência e o caos entre os cristãos. E a “Santíssima Trindade” onde estava? Esta, tal como a Igreja, nada fez. Porque não existe!

 a)  kavkaz (leitor habitual do DA)

8 thoughts on “No rescaldo da guerra do Cáucaso”
  • Amilton Silva

    Bem,querer culpar apenas a(s) religião(ões) por essa guerra é não ter a visão correta das coisas,pois todos sabemos que são diversos fatores que concorrem para tal.Entre eles a ganância desmedida e a disputa pelo controle da região.O nacionalismo é quase como uma religião para alguns.E a honra nacional é,às vezes,um motivo mais forte que a fé para que aconteçam guerras.

  • Amilton Silva

    Bem,querer culpar apenas a(s) religião(ões) por essa guerra é não ter a visão correta das coisas,pois todos sabemos que são diversos fatores que concorrem para tal.Entre eles a ganância desmedida e a disputa pelo controle da região.O nacionalismo é quase como uma religião para alguns.E a honra nacional é,às vezes,um motivo mais forte que a fé para que aconteçam guerras.

  • kavkaz

    Amilton Silva

    Quem faz a guerra são as pessoas. Quem iniciou esta guerra no Cáucaso foi a Geórgia, cujo Presidente é o cristão-ortodoxo Saakashvili, com a ajuda do armamento americano, francês e israelita. Bombardearam o território da Ossétia do Sul, onde habitava população cristã-ortodoxa. Os cristãos destruíaram-se mutuamente. Isto reconhecem e falam os líderes religiosos locais.

    Mas vejamos… Não são os crentes que repetem a existência de uma “irmandade cristã” e o “amor ao próximo” ? Isso não se viu no Cáucaso e o que esteve presente foi o “ódio ao próximo”. Pretendi, com o texto, mostrar que quando nos vêm falar em “amor”, não é bem assim… Vemos como em tempo de guerra o ódio fala mais alto do que o “amor” cristão. Os dirigentes políticos cristãos, mesmo os “muito crentes”, mostram-nos não garantirem a Paz e as boas relações entre os Povos. Isto parece-me importante entender para não ficarmos surpreendidos mais tarde.

    O que se vê também neste conflito é as Igrejas (Ortodoxa Russa e da Geórgia) se tornarem impotentes para travar a escalada de violência da guerra. Bem pelo contrário, ambas apoiavam o seu lado para derrotar a outra parte.

    Disse-me que há outros factores que concorrem nesta guerra para além das posições religiosas. Pois sim. Mas os cristãos não nos apregoam estar acima daquilo que mencionou ? Aqui não estiveram…

    O artigo que escrevi pretendia dar a conhecer a influência religiosa das partes beligerantes e se na sua acção seriam muito coerentes com aquilo em que dizem acreditar.

  • kavkaz

    Amilton Silva

    Quem faz a guerra são as pessoas. Quem iniciou esta guerra no Cáucaso foi a Geórgia, cujo Presidente é o cristão-ortodoxo Saakashvili, com a ajuda do armamento americano, francês e israelita. Bombardearam o território da Ossétia do Sul, onde habitava população cristã-ortodoxa. Os cristãos destruíaram-se mutuamente. Isto reconhecem e falam os líderes religiosos locais.

    Mas vejamos… Não são os crentes que repetem a existência de uma “irmandade cristã” e o “amor ao próximo” ? Isso não se viu no Cáucaso e o que esteve presente foi o “ódio ao próximo”. Pretendi, com o texto, mostrar que quando nos vêm falar em “amor”, não é bem assim… Vemos como em tempo de guerra o ódio fala mais alto do que o “amor” cristão. Os dirigentes políticos cristãos, mesmo os “muito crentes”, mostram-nos não garantirem a Paz e as boas relações entre os Povos. Isto parece-me importante entender para não ficarmos surpreendidos mais tarde.

    O que se vê também neste conflito é as Igrejas (Ortodoxa Russa e da Geórgia) se tornarem impotentes para travar a escalada de violência da guerra. Bem pelo contrário, ambas apoiavam o seu lado para derrotar a outra parte.

    Disse-me que há outros factores que concorrem nesta guerra para além das posições religiosas. Pois sim. Mas os cristãos não nos apregoam estar acima daquilo que mencionou ? Aqui não estiveram…

    O artigo que escrevi pretendia dar a conhecer a influência religiosa das partes beligerantes e se na sua acção seriam muito coerentes com aquilo em que dizem acreditar.

  • elmano

    Amilton
    Decerto que na Geórgia deve haver outros motivos para além dos religiosos, para que ortodoxos russos e georgianos andem aos tiros.
    Mas concordo com a abordagem do Kavkaz. Aliás, todos os conflitos em curso no mundo, para além de outros interesses, opõem diferentes credos religiosos.
    No Afeganistão é entre Fundamentalistas islamicos e integristas evangélicos.
    No médio oriente é entre islamitas e judeus, fortemente apoiados pelos evangelistas yanquis. Iraque, Irão..
    Na Irlanda, durante anos foram católicos contra protestantes.
    Belicosos os deuses que animam e inspiram estes guerreiros!

  • elmano

    Amilton
    Decerto que na Geórgia deve haver outros motivos para além dos religiosos, para que ortodoxos russos e georgianos andem aos tiros.
    Mas concordo com a abordagem do Kavkaz. Aliás, todos os conflitos em curso no mundo, para além de outros interesses, opõem diferentes credos religiosos.
    No Afeganistão é entre Fundamentalistas islamicos e integristas evangélicos.
    No médio oriente é entre islamitas e judeus, fortemente apoiados pelos evangelistas yanquis. Iraque, Irão..
    Na Irlanda, durante anos foram católicos contra protestantes.
    Belicosos os deuses que animam e inspiram estes guerreiros!

  • Amilton Silva

    Entendi.
    O que interessa aqui é abordar o lado religioso do conflito.E,neste caso,salientar o fato de os dois lados serem da mesma religião.

  • Amilton Silva

    Entendi.
    O que interessa aqui é abordar o lado religioso do conflito.E,neste caso,salientar o fato de os dois lados serem da mesma religião.

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