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  • 18 de Junho, 2008
  • Por Carlos Esperança
  • Religiões

Resposta ao leitor Alexandre Pinto

O respeito pelos crentes, quer acredite ou não, é sincero, tal como o desprezo pela crença. Há fortes evidências de que deus foi criado pelo homem e nenhuma em sentido contrário.

Ainda ontem, num frente a frente com Frei Bento Domingues, no Rádio Clube Português, respondendo a uma afirmação minha, dizia o tolerante frade, mais ou menos isto: «Bem, isso do Antigo Testamento… é para esquecer»,

Citar Bento Domingues ou Anselmo Borges, como fez Alexandre Pinto, é andar à procura de excepções numa instituição que se esforça por tornar obrigatório (repito, obrigatório) o ensino da Religião Católica nas escolas públicas, que reivindica capelanias militares e hospitalares, que doutrina criança de seis ou sete anos e baptiza lactentes, que chantageou o Governo quando o ministro Salgado Zenha permitiu o divórcio aos casais que tinham um casamento católico.

Em questões de tolerância a ICAR não é modelo.

E, quanto à bíblia (refiro-me aos 4 evangelhos, aqueles que resultaram da encomenda do imperador Constantino a Eusébio de Cesareia, para criar um corpo homogéneo entre as 27 versões) basta reparar no anti-semitismo violento que os inspira e na crueldade dos castigos propostos, para se ter a certeza de que a religião é uma criação humana que reflecte os costumes bárbaros da época em que foi criada.

É daí que nascem as objecções morais dos ateus às religiões que tendem a perpetuar a crueldade que a nossa consciência reprova. Quanto às objecções intelectuais, resultam da ausência de qualquer evidência de que sejam verdadeiras. Não é por acaso que todas as religiões consideram as outras falsas. Nós, ateus, apenas consideramos falsa mais uma do que todos os crentes.      

Quanto ao retrocesso do Professor Ratzinger, vai desde a liturgia (voltou a fazer ajoelhar os frequentadores da eucaristia), à beatificação dos mártires espanhóis numa tentativa de branquear os assassínios de Franco com a cumplicidade ou o silêncio do Opus Dei. A reintegração, à sorrelfa, dos seguidores de monsenhor Lefèbvre, que estavam excomungados, diz bem da deriva reaccionária do actual pontificado. As indicações dadas aos bispos espanhóis na luta contra a legislação sobre a família, do Governo democrático. As posições dos seus órgãos de comunicação têm sido um apelo ao golpe de estado que só a União Europeia e os tempos tornam difícil.

Não sei como explicará o Vaticano que um herege, excomungado, actualmente a residir no Inferno, o bispo Lefèbvre, arranja um salvo-conduto para o Céu ou onde arranja uma agência de transportes que conduza a alma entre as duas localidades.

Finalmente, o Diário Ateísta não procura ofender crentes mas não desiste de desacreditar os que se reclamam de uma fé para a qual não apresentam provas. É uma questão pedagógica.  

Carlos Esperança

10 thoughts on “Resposta ao leitor Alexandre Pinto”
  • papaclerigos

    FANTASMA

    Revejo-me plenamente nas palavras do artigo. LUCIDEZ, CLARIVIDÊNCIA E HONESTIDADE!! Chega de enganos! este virus psicológico da crença já viveu tempo demais e quanto mais viver mais vitimas reclamará! Parabéns ao diário ateista pela HONESTIDADE! A mim ningém me “envangelizou” à força para me tornar ateu ( quem ajudou foram até os próprios padres…): FUI EU QUE LÁ CHEGUEI SEM A INTERCESSÃO DE NENHUM BENTINHO e mandei ás aranhas as PENAS INFERNAIS e tudo o mais. morrerei como um gladiador como se faz há séculos.

  • papaclerigos

    FANTASMA

    Revejo-me plenamente nas palavras do artigo. LUCIDEZ, CLARIVIDÊNCIA E HONESTIDADE!! Chega de enganos! este virus psicológico da crença já viveu tempo demais e quanto mais viver mais vitimas reclamará! Parabéns ao diário ateista pela HONESTIDADE! A mim ningém me “envangelizou” à força para me tornar ateu ( quem ajudou foram até os próprios padres…): FUI EU QUE LÁ CHEGUEI SEM A INTERCESSÃO DE NENHUM BENTINHO e mandei ás aranhas as PENAS INFERNAIS e tudo o mais. morrerei como um gladiador como se faz há séculos.

  • alexandre pinto

    Caro Carlos Esperança

    Eu não pretendo polemizar consigo! Não tenho qualquer pretensão a não ser o procurar esclarecimento em tudo e, muito concretamente, nesta dimensão que considero tão fundamental na minha vida, como a questão da fé.

    Acredito no seu respeito pelos crentes, como eu também respeito o ateísmo. Posso dizer-lhe, no entanto que, se despreza a crença e se a classifica de maneiras tão agressivas, não tem legitimidade para criticar ninguém quando se refere ao ateísmo como o maior drama da humanidade (como fez na carta que enviou ao Patriarca de Lisboa).

    Em relação ao que disse Bento Domingues, que respeito e admiro, estranho. O Antigo Testamento, ao que sei conta uma história a progressividade de um encontro. Esquecer acho que não tem sentido (precisamos de contextualizar, de compreender o ambiente em que surgiu e reconhecer as coisas extraordinariamente bonitas que nele podemos encontrar – é só procurar sem se limitar a procurar as coisas más!). Para chegar à perfeição é preciso fazer caminho e mesmo que esse caminho seja aos tropeções sem ele não chegávamos à meta.

    O Ensino da religião católica não é obrigatório… eu próprio quando estive no colégio optei por não ter no meu 12º ano (também tive e tenho dúvidas de fé). E porque não possibilitar a quem quiser que tenha? E as capelanias têm um papel muito importante, sobretudo nos hospitais. Muitos médicos afirmam que o apoio espiritual a quem passa por momentos de sofrimento (nós não somos só corpo… não nos resumimos a um aglomerado de átomos, pelo menos acho que somos muito mais que isso) ajuda a uma recuperação mais rápida e a um conforto maior. Ignorar isso é ignorar o que é a pessoa humana. Em relação ao baptismo e à catequese parece-me que é o que fazem os ateus mas no sentido contrário (ensinam os filhos que Deus não existe – nós cristãos ensinamos aos nossos filhos que Ele existe e que nos ama). Em relação ao casamento católico não conheço essa história da chantagem… de qualquer forma já foi há bastantes anos.

    A sua afirmação sobre a Bíblia deixou-me apreensivo… tive de ir pesquisar à internet muitas coisas, contudo agradeço-lhe porque me ajudou a esclarecer algumas coisas: essa história de que foi Constantino que com Eusébio de Cesareia criaram os 4 evangelhos e a maneira de ser da religião é um bom enredo do Dan Brown. Aliás foi lá que eu tinha lido isso mesmo. Isso é uma invenção mirabolante. Primeiro existem vários testemunhos: de S. Ireneu de Leão, de S. Justino ambos do século II, muito antes de Constantino, que dizem que a Igreja assumia entre os vários relatos da vida de Jesus, 4 que desde sempre tinham sido acolhidos como verdadeiros, antigos, canónicos e apostólicos. E refere-os a todos. Um documento chamado Muratoriano também de meados do século II, refere os 4 evangelhos aceites na Igreja. E também Tertuliano e outros. Essa história de terem sido criados por Constantino é digna dum enredo de Dan Brown que credibilidade não tem nenhuma. Reconheço que as relações entre cristãos e judeus nunca foram fáceis, a história tem muitos podres (mas não ponho em causa a credibilidade da mensagem por causa da fragilidade das pessoas que a transmitiram). O papa João Paulo II teve um gesto muito bonito de pedir perdão pelos erros da Igreja.

    Em relação às evidências… nem tudo o que é evidente é real, bem como o contrário. Eu continuo a dizer que a experiência do amor é uma evidência profunda da existência de Deus. Um amor que temos como o desejo mais profundo do nosso coração… e que só Deus pode preencher e dar sentido (assim o sinto…). A própria razão e, sobretudo a razão iluminada como o Carlos gosta de referir chegaram à certeza da existência de Deus. O Cristianismo, a partir da revelação de Deus em Jesus Cristo, mostra como e quem é esse Deus: não é senão amor!

    Quanto à questão do papa e do retrocesso, isso, como o Carlos não acredita em Deus pouco lhe há-de importar. Mas deve gostar de saber que a Igreja nunca condenou ninguém ao inferno (não disse em parte alguma que tal pessoa deveria estar no inferno). A excomunhão é uma atitude, imposta ou assumida, que manifesta que determinada pessoa não está em comunhão com a Igreja comunidade (nada tem que ver com o ir ou deixar de ir para o inferno). Vá ler mais algumas coisas sobre isso!

    Eu, naturalmente não falo pela Igreja, que sou um simples católico, mas posso dizer que também não quero ofender ninguém que se diga ateu, mas não posso deixar de procurar a verdade e de desmascarar também as vossas falsas argumentações e os vossos falsos factos… é um questão pedagógica, de fidelidade e, sobretudo, de verdade.

    Alexandre Pinto

  • alexandre pinto

    Caro Carlos Esperança

    Eu não pretendo polemizar consigo! Não tenho qualquer pretensão a não ser o procurar esclarecimento em tudo e, muito concretamente, nesta dimensão que considero tão fundamental na minha vida, como a questão da fé.

    Acredito no seu respeito pelos crentes, como eu também respeito o ateísmo. Posso dizer-lhe, no entanto que, se despreza a crença e se a classifica de maneiras tão agressivas, não tem legitimidade para criticar ninguém quando se refere ao ateísmo como o maior drama da humanidade (como fez na carta que enviou ao Patriarca de Lisboa).

    Em relação ao que disse Bento Domingues, que respeito e admiro, estranho. O Antigo Testamento, ao que sei conta uma história a progressividade de um encontro. Esquecer acho que não tem sentido (precisamos de contextualizar, de compreender o ambiente em que surgiu e reconhecer as coisas extraordinariamente bonitas que nele podemos encontrar – é só procurar sem se limitar a procurar as coisas más!). Para chegar à perfeição é preciso fazer caminho e mesmo que esse caminho seja aos tropeções sem ele não chegávamos à meta.

    O Ensino da religião católica não é obrigatório… eu próprio quando estive no colégio optei por não ter no meu 12º ano (também tive e tenho dúvidas de fé). E porque não possibilitar a quem quiser que tenha? E as capelanias têm um papel muito importante, sobretudo nos hospitais. Muitos médicos afirmam que o apoio espiritual a quem passa por momentos de sofrimento (nós não somos só corpo… não nos resumimos a um aglomerado de átomos, pelo menos acho que somos muito mais que isso) ajuda a uma recuperação mais rápida e a um conforto maior. Ignorar isso é ignorar o que é a pessoa humana. Em relação ao baptismo e à catequese parece-me que é o que fazem os ateus mas no sentido contrário (ensinam os filhos que Deus não existe – nós cristãos ensinamos aos nossos filhos que Ele existe e que nos ama). Em relação ao casamento católico não conheço essa história da chantagem… de qualquer forma já foi há bastantes anos.

    A sua afirmação sobre a Bíblia deixou-me apreensivo… tive de ir pesquisar à internet muitas coisas, contudo agradeço-lhe porque me ajudou a esclarecer algumas coisas: essa história de que foi Constantino que com Eusébio de Cesareia criaram os 4 evangelhos e a maneira de ser da religião é um bom enredo do Dan Brown. Aliás foi lá que eu tinha lido isso mesmo. Isso é uma invenção mirabolante. Primeiro existem vários testemunhos: de S. Ireneu de Leão, de S. Justino ambos do século II, muito antes de Constantino, que dizem que a Igreja assumia entre os vários relatos da vida de Jesus, 4 que desde sempre tinham sido acolhidos como verdadeiros, antigos, canónicos e apostólicos. E refere-os a todos. Um documento chamado Muratoriano também de meados do século II, refere os 4 evangelhos aceites na Igreja. E também Tertuliano e outros. Essa história de terem sido criados por Constantino é digna dum enredo de Dan Brown que credibilidade não tem nenhuma. Reconheço que as relações entre cristãos e judeus nunca foram fáceis, a história tem muitos podres (mas não ponho em causa a credibilidade da mensagem por causa da fragilidade das pessoas que a transmitiram). O papa João Paulo II teve um gesto muito bonito de pedir perdão pelos erros da Igreja.

    Em relação às evidências… nem tudo o que é evidente é real, bem como o contrário. Eu continuo a dizer que a experiência do amor é uma evidência profunda da existência de Deus. Um amor que temos como o desejo mais profundo do nosso coração… e que só Deus pode preencher e dar sentido (assim o sinto…). A própria razão e, sobretudo a razão iluminada como o Carlos gosta de referir chegaram à certeza da existência de Deus. O Cristianismo, a partir da revelação de Deus em Jesus Cristo, mostra como e quem é esse Deus: não é senão amor!

    Quanto à questão do papa e do retrocesso, isso, como o Carlos não acredita em Deus pouco lhe há-de importar. Mas deve gostar de saber que a Igreja nunca condenou ninguém ao inferno (não disse em parte alguma que tal pessoa deveria estar no inferno). A excomunhão é uma atitude, imposta ou assumida, que manifesta que determinada pessoa não está em comunhão com a Igreja comunidade (nada tem que ver com o ir ou deixar de ir para o inferno). Vá ler mais algumas coisas sobre isso!

    Eu, naturalmente não falo pela Igreja, que sou um simples católico, mas posso dizer que também não quero ofender ninguém que se diga ateu, mas não posso deixar de procurar a verdade e de desmascarar também as vossas falsas argumentações e os vossos falsos factos… é um questão pedagógica, de fidelidade e, sobretudo, de verdade.

    Alexandre Pinto

  • Carlos Esperança

    Caro Alexandre Pinto:

    A cordialidade do seu comentário merecia uma resposta mais elaborada e um pouco mais longa, facto de que lhe peço desculpa.

    Mas aproveito para lhe dizer que enquanto eu fui à catequese (era perigoso para uma professora não mandar os filhos à catequese) os meus filhos nunca foram orientados para o ateísmo. Cabe-lhes a eles, na religião como na política e na vida, escolherem o seu caminho. Pessoalmente sinto-me feliz quando discordam de mim. É sinal de que o gosto pela liberdade é o maior bem que lhes podia ter transmitido.

    Nunca lhes perguntei, nem eles me disseram, em que partido votam.

    Apenas lhes perguntei, no 5.º ano de escolaridade, se queriam frequentar as aulas de EMRC (creio que era o nome). Perante a negativa fui obrigado a suportar a animosidade do director da escola ao requerer a dispensa.

    Ora, o natural era que quem quisesse aulas de religião as solicitasse, não o contrário. E, na minha opinião, não é função da escola pública promover qualquer religião.

    ***

    Quanto às capelanias, nada tenho contra o facto de os doentes solicitarem um padre da sua religião, mas não posso, em nome da laicidade, aceitar que o Estado pague a deslocação e, muito menos, a permanência dos ministros do culto de qualquer religião nos hospitais ou nos quartéis.

    Alexandre Pinto:
    Se é católico e se sente feliz não procure o Diário Ateísta. Não há nada que pague a felicidade. Nem a verdade. E a verdade pode ser relativa.

    Para quê criar dúvidas? São uma fonte de sofrimento e angústia.

    ****

    Finalmente, eu acho que os bispos, padres e simples crentes têm o direito de atacar o ateísmo, exactamente como os ateus têm o direito de atacar a religião. O que não têm o direito é de impor os seus valores éticos aos que não perfilham a sua religião nem de usarem a violência para impô-la. E não conheço nenhuma religião que se limite ao uso da palavra para defender as suas ideias.

  • Carlos Esperança

    Caro Alexandre Pinto:

    A cordialidade do seu comentário merecia uma resposta mais elaborada e um pouco mais longa, facto de que lhe peço desculpa.

    Mas aproveito para lhe dizer que enquanto eu fui à catequese (era perigoso para uma professora não mandar os filhos à catequese) os meus filhos nunca foram orientados para o ateísmo. Cabe-lhes a eles, na religião como na política e na vida, escolherem o seu caminho. Pessoalmente sinto-me feliz quando discordam de mim. É sinal de que o gosto pela liberdade é o maior bem que lhes podia ter transmitido.

    Nunca lhes perguntei, nem eles me disseram, em que partido votam.

    Apenas lhes perguntei, no 5.º ano de escolaridade, se queriam frequentar as aulas de EMRC (creio que era o nome). Perante a negativa fui obrigado a suportar a animosidade do director da escola ao requerer a dispensa.

    Ora, o natural era que quem quisesse aulas de religião as solicitasse, não o contrário. E, na minha opinião, não é função da escola pública promover qualquer religião.

    ***

    Quanto às capelanias, nada tenho contra o facto de os doentes solicitarem um padre da sua religião, mas não posso, em nome da laicidade, aceitar que o Estado pague a deslocação e, muito menos, a permanência dos ministros do culto de qualquer religião nos hospitais ou nos quartéis.

    Alexandre Pinto:
    Se é católico e se sente feliz não procure o Diário Ateísta. Não há nada que pague a felicidade. Nem a verdade. E a verdade pode ser relativa.

    Para quê criar dúvidas? São uma fonte de sofrimento e angústia.

    ****

    Finalmente, eu acho que os bispos, padres e simples crentes têm o direito de atacar o ateísmo, exactamente como os ateus têm o direito de atacar a religião. O que não têm o direito é de impor os seus valores éticos aos que não perfilham a sua religião nem de usarem a violência para impô-la. E não conheço nenhuma religião que se limite ao uso da palavra para defender as suas ideias.

  • Ateu comunista bolivariano

    Os crentes merecem ser ofendidos caso dêem motivo pra isto!

  • Ateu comunista bolivariano

    Os crentes merecem ser ofendidos caso dêem motivo pra isto!

  • gaja

    tudo é bom mas nem tudo serve…

    abraço,
    olga

  • gaja

    tudo é bom mas nem tudo serve…

    abraço,
    olga

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