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  • 18 de Junho, 2008
  • Por Carlos Esperança
  • Laicidade

Liberdade e religião

The Texas Constitution

Article 1 – BILL OF RIGHTS

Section 4 – RELIGIOUS TESTS

No religious test shall ever be required as a qualification to any office, or public trust, in this State; nor shall any one be excluded from holding office on account of his religious sentiments, provided he acknowledge the existence of a Supreme Being.

No Texas, a Constituição (Artigo I, Secção 4) permite claramente a discriminação de ateístas em cargos públicos, «ninguém será excluído de uma posição pública com base nos seus sentimentos religiosos, desde que reconheça a existência de um Ser Supremo»,

Até as democracias, no que diz respeito à liberdade religiosa, correm o risco de se converter numa extensão do Texas. O livre-pensamento é substituído pelo retrocesso dos princípios democráticos numa deriva mística de pendor conservador, sem rumo, sem objectivos pedagógicos e sem pudor republicano.

Assim, voltamos ao tempo em que era preciso um atestado de baptismo católico e outro de bom comportamento, passados pelo prior da paróquia de nascimento, para se poder frequentar uma escola de enfermagem. Nas Escolas do Magistério era exigida a crença católica aos futuros professores do ensino primário. Era assim o Portugal de Salazar.

Os juramentos sobre os livros sagrados, apesar de anacrónicos, são ainda rituais que algumas democracias consagram. É como fazer voto de castidade com a mão direita sobre o Kamasutra ou incensar os direitos humanos com base no Mein Kampf.

Os livros sagrados das religiões reveladas promovem a intolerância e os preconceitos, exaltam o proselitismo, discriminam a mulher e fomentam guerras entre povos.

A Tora, a Bíblia e o Corão, defendem a violência e normas que exigem a imutabilidade do pensamento das épocas em que surgiram. Acreditar que Deus fez uma viagem ao Monte Sinai para conversar com Moisés, que uma mulher foi mãe graças ao Espírito Santo e que um pastor de camelos decorou um livro que, durante vinte anos, lhe foi ditado entre Medina e Meca, é ingenuidade ou má-fé.

Ser tolerante não é condescender com arcaísmos ideológicos, é tentar compreender os que acreditam sem abdicar de exigir provas dos factos. É estimar os crentes sem deixar de combater as crenças e conter os prosélitos.

O Vaticano, copiando o Islão, manifesta preocupantes sinais de regresso ao passado.

O ateísmo não pode permitir o desmoronamento dos valores éticos e cívicos que são apanágio da modernidade e do secularismo sem trair a herança dos que defenderam a liberdade durante a ditadura, sem apunhalar a ética republicana, sem renegar a herança do Iluminismo. 

Carlos Esperança

10 thoughts on “Liberdade e religião”
  • Ateu comunista bolivariano

    EUA é pseudo-democracia O bill of rights do Texas é só 1 ponta de 1 grande iceberg

  • Ateu comunista bolivariano

    EUA é pseudo-democracia O bill of rights do Texas é só 1 ponta de 1 grande iceberg

  • jorgealarcao

    Espartilhar a democracia é negar a democracia.
    Incultura! Atavismo incongruente, retrógrado, perverso!”.
    Princípio da perseguição, do condicionamento.
    Mas será possível que na pátria dos direitos do Homem se cometam tais arbitrariedades?

  • jorgealarcao

    Espartilhar a democracia é negar a democracia.
    Incultura! Atavismo incongruente, retrógrado, perverso!”.
    Princípio da perseguição, do condicionamento.
    Mas será possível que na pátria dos direitos do Homem se cometam tais arbitrariedades?

  • Carlos Esperança

    jorgealarcao:

    Assim é, de facto. Na pátria dos direitos do Homem, mas no estado do Texas que lidera as penas de morte decretadas e cumpridas.

    Bush Jr. foi recordista.

  • Carlos Esperança

    jorgealarcao:

    Assim é, de facto. Na pátria dos direitos do Homem, mas no estado do Texas que lidera as penas de morte decretadas e cumpridas.

    Bush Jr. foi recordista.

  • alexandre pinto

    Num posso deixar de me sentir indignado com as afirmações do Sr. Carlos Esperança!
    Apesar de concordar inteiramente que ninguém deva ser excluido de cargos públicos pelo acreditar ou não em Deus, acho que as afirmações do sr. que pediu diálogo e respeito para com o ateismo quando o patriarca de Lisboa se lhe referiu como o maior drama da ahumnidade, continua a revelar-se produndamente desrespeitador daqueles que acreditam (quem não respeitan não se dá ao respieito – se bem que continua a respeitar a sua decrença).
    1) Ainda que, se calhar, a Biblia não devesse estar presente nos julgamentos como meio de prometer dizer a verdade, pergunto-lhe porque é que diz que é como “fazer voto de castidade com a mão direita sobre o Kamasutra ou incensar os direitos humanos com base no Mein Kampf”?
    2) Depois digo-lhe que dizer que a Biblia é uma apologia da violência e da imutabilidade de pensamento só revela ignorância da sua parte (em relação à violência tem partes, é verdade, mas nela relata-se uma história que vai, progressivamente fazendo uma descoberta de um Deus que não é senão Amor [é assim que Jesus resume a mensagem de toda a Biblia]); e por este mesmo facto não encontra nela um fixismo de pensamento, muito antes pelo contrário, a propria progressividade mostra evolução e mudança).
    3) Depois, como apaixonado da história que sou, acho que vai concordar comigo quando disser que os iluminados do século XVIII (como já tive oportunidade de dizer a sua grande maioria eram homens de fé) não chegaram a um conjunto de valores como se tivessem descoberto a polvora. Dizer isso é ignorar que a todos esse valores são valores cristãos e são fruto de séculos de cristianismo (também é verdade com muitos erros da parte da Igreja na sua vivência e quando digo Igreja não me refiro só a padres e freiras, mas a nós cristãos em geral). Em nome da verdade, a história não dá saltos, e os grandes valores humanistas são valores cristãos. Por mais que lhe custe os valores que o sr. se refere não são a herança do iluminismo, mas herança cristã!
    Há uns tempos um filósofo que é padre, Anselmo Borges erscreveu um artigo que dizia que a secularização é um processo iniciado pelo cristianismo.
    4) Depois em relação às provas que exige, não o posso provar cientificamente… como o sr. não pode provar muitas teorias comummente na comunidade cientifica com provas. existem indicios, existem evidências, mas não provas… de Deus existem indicios da sua presença da sua existência (muitos deles no coração do homem, pois acreidto que Deus os lá tenha colocado… e para mim o amor é um dos maiores).
    5) Depois não percebo como é quem pode dizer que da parte do Vaticano copmeçam a existir sinais de regresso ao passado. Que passado é esse?

  • alexandre pinto

    Num posso deixar de me sentir indignado com as afirmações do Sr. Carlos Esperança!
    Apesar de concordar inteiramente que ninguém deva ser excluido de cargos públicos pelo acreditar ou não em Deus, acho que as afirmações do sr. que pediu diálogo e respeito para com o ateismo quando o patriarca de Lisboa se lhe referiu como o maior drama da ahumnidade, continua a revelar-se produndamente desrespeitador daqueles que acreditam (quem não respeitan não se dá ao respieito – se bem que continua a respeitar a sua decrença).
    1) Ainda que, se calhar, a Biblia não devesse estar presente nos julgamentos como meio de prometer dizer a verdade, pergunto-lhe porque é que diz que é como “fazer voto de castidade com a mão direita sobre o Kamasutra ou incensar os direitos humanos com base no Mein Kampf”?
    2) Depois digo-lhe que dizer que a Biblia é uma apologia da violência e da imutabilidade de pensamento só revela ignorância da sua parte (em relação à violência tem partes, é verdade, mas nela relata-se uma história que vai, progressivamente fazendo uma descoberta de um Deus que não é senão Amor [é assim que Jesus resume a mensagem de toda a Biblia]); e por este mesmo facto não encontra nela um fixismo de pensamento, muito antes pelo contrário, a propria progressividade mostra evolução e mudança).
    3) Depois, como apaixonado da história que sou, acho que vai concordar comigo quando disser que os iluminados do século XVIII (como já tive oportunidade de dizer a sua grande maioria eram homens de fé) não chegaram a um conjunto de valores como se tivessem descoberto a polvora. Dizer isso é ignorar que a todos esse valores são valores cristãos e são fruto de séculos de cristianismo (também é verdade com muitos erros da parte da Igreja na sua vivência e quando digo Igreja não me refiro só a padres e freiras, mas a nós cristãos em geral). Em nome da verdade, a história não dá saltos, e os grandes valores humanistas são valores cristãos. Por mais que lhe custe os valores que o sr. se refere não são a herança do iluminismo, mas herança cristã!
    Há uns tempos um filósofo que é padre, Anselmo Borges erscreveu um artigo que dizia que a secularização é um processo iniciado pelo cristianismo.
    4) Depois em relação às provas que exige, não o posso provar cientificamente… como o sr. não pode provar muitas teorias comummente na comunidade cientifica com provas. existem indicios, existem evidências, mas não provas… de Deus existem indicios da sua presença da sua existência (muitos deles no coração do homem, pois acreidto que Deus os lá tenha colocado… e para mim o amor é um dos maiores).
    5) Depois não percebo como é quem pode dizer que da parte do Vaticano copmeçam a existir sinais de regresso ao passado. Que passado é esse?

  • Ateu comunista bolivariano

    EUA é 1 fábrica de “crazy christians”….
    Nada de novo!

  • Ateu comunista bolivariano

    EUA é 1 fábrica de “crazy christians”….
    Nada de novo!

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