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A exumação do padre Pio

A mórbida atracção por cadáveres é uma pia inclinação que em Itália ocupa espapaço em numerosas igrejas e respectivas criptas. Já o Santo Ofício fazia exumações para queimar os restos de defuntos, desolado por não os ter podido queimar em vida.

Agora é para glorificar um santo que João XXIII considerava embusteiro mas que João Paulo II, especialista em santidade, não deixou escapar à canonização e que Bento XVI, contrariando o desejo da família, não prescinde de exibir em público.

Das diversas vezes que viajei por Itália, apesar de conhecer o mau gosto e a doentia obsessão que criou a «capela dos ossos» em Évora, dei-me conta de que nenhum outro Pais exibe um tão rico património de despojos humanos como tesouros das suas igrejas magníficas e deslumbrante catedrais.

Recordo sempre a guia turística que, depois de enaltecer longamente as virtudes de um santo cujo esqueleto era testemunho da sua existência pia, interrogada sobre a origem de um esqueleto mais pequeno que lhe fazia companhia, o atribuiu ao mesmo santo… quando era mais novo.

Não sei de onde vem a devoção macabra, a necrofilia eclesiástica que conduz à tétrica exibição de um cadáver com quarenta anos de defunção. Esta lúgubre exposição é uma profanação de cadáver em qualquer país civilizado mas, com autorização do Vaticano e a aspersão de água benta, é um acto pio que rende indulgências aos visitantes por entre fumos de incenso para camuflar o odor. 

11 thoughts on “A exumação do padre Pio”
  • Abrasivus

    Nada como as exibições mórbidas dos cultos da morte para impor respeitinho:

    Em Itália com os ossos de 4000 monges capuchinos, que entravam e já não saíam…
    http://www.hotelesderoma.es/cementerio-frailes-via-veneto.htm

    No caso de Kutna Hora na Rep. Checa, foi apenas um excesso de matéria prima pois o cemitério já estava cheio.
    http://www.artgraphica.net/art-shop/prague-kutna-hora-bone-church.htm

    E é claro que não podíamos ficar atrás:
    (a minha favorita é a dos corpos pendurados ao lado do sinal mais, como se tivessem morrido ali mesmo)
    http://www.sacred-destinations.com/portugal/evora-capela-dos-ossos-bones-chapel.htm

    Aparentemente, quem fez isto, deve encontrar mais dignidade em que o crânio do tetravô seja o vigéssimo sexto a contar de baixo em qualquer coluna da capelita, do que estar enterrado numa vala comum ou ser cremado.
    Enfim… Gostos…

    Agora exibir um cadáver ainda semi-conservado muito provavelmente devido à medicamentação utilizada em final de vida?

    Fez-me lembrar quando era puto e andava à procura da Anta de Penafiel, um túmulo pré-histórico também conhecido pelo Forno dos Mouros.
    Curiosamente quando perguntava direcções aos locais, ninguém sabia o que era uma Anta ou um Dólmen mas todos me falavam da capela do homem santo.
    Comecei a suspeitar que aquele deveria ser o nome que davam ao túmulo pré-histórico e lá fui ver o tal homem santo.

    O que era?
    Era um homem abastado e muito doente que tinha falecido há mais de 50 anos.
    Quando foram transladar os ossos para a vala comum, verificaram que afinal estava mumificado e com as unhas e cabelos compridos.
    Naturalmente, as doses cavalares de medicamentos importados que diziam ter tomado provocaram esse efeito de conservação e quanto a unhas e cabelos sabemos que levam meses a morrer.

    Mas não! Só podia ser santo!
    Fizeram logo uma pequeníssima capela onde o corpo estava exposto aos curiosos e onde podiam deixar donativos para se contruir uma capela maior!….

    Já agora, e para moral da história:
    Também perguntei aos numerosos visitantes que lá estavam se sabiam onde era a Anta de Penafiel mas ninguém tinha ouvido falar numa coisa dessas…
    Afinal, ficava apenas a seis quilómetros dali…

  • Abrasivus

    Nada como as exibições mórbidas dos cultos da morte para impor respeitinho:

    Em Itália com os ossos de 4000 monges capuchinos, que entravam e já não saíam…
    http://www.hotelesderoma.es/cementerio-frailes-via-veneto.htm

    No caso de Kutna Hora na Rep. Checa, foi apenas um excesso de matéria prima pois o cemitério já estava cheio.
    http://www.artgraphica.net/art-shop/prague-kutna-hora-bone-church.htm

    E é claro que não podíamos ficar atrás:
    (a minha favorita é a dos corpos pendurados ao lado do sinal mais, como se tivessem morrido ali mesmo)
    http://www.sacred-destinations.com/portugal/evora-capela-dos-ossos-bones-chapel.htm

    Aparentemente, quem fez isto, deve encontrar mais dignidade em que o crânio do tetravô seja o vigéssimo sexto a contar de baixo em qualquer coluna da capelita, do que estar enterrado numa vala comum ou ser cremado.
    Enfim… Gostos…

    Agora exibir um cadáver ainda semi-conservado muito provavelmente devido à medicamentação utilizada em final de vida?

    Fez-me lembrar quando era puto e andava à procura da Anta de Penafiel, um túmulo pré-histórico também conhecido pelo Forno dos Mouros.
    Curiosamente quando perguntava direcções aos locais, ninguém sabia o que era uma Anta ou um Dólmen mas todos me falavam da capela do homem santo.
    Comecei a suspeitar que aquele deveria ser o nome que davam ao túmulo pré-histórico e lá fui ver o tal homem santo.

    O que era?
    Era um homem abastado e muito doente que tinha falecido há mais de 50 anos.
    Quando foram transladar os ossos para a vala comum, verificaram que afinal estava mumificado e com as unhas e cabelos compridos.
    Naturalmente, as doses cavalares de medicamentos importados que diziam ter tomado provocaram esse efeito de conservação e quanto a unhas e cabelos sabemos que levam meses a morrer.

    Mas não! Só podia ser santo!
    Fizeram logo uma pequeníssima capela onde o corpo estava exposto aos curiosos e onde podiam deixar donativos para se contruir uma capela maior!….

    Já agora, e para moral da história:
    Também perguntei aos numerosos visitantes que lá estavam se sabiam onde era a Anta de Penafiel mas ninguém tinha ouvido falar numa coisa dessas…
    Afinal, ficava apenas a seis quilómetros dali…

  • Abrasivus

    Nada como as exibições mórbidas dos cultos da morte para impor respeitinho:

    Em Itália com os ossos de 4000 monges capuchinos, que entravam e já não saíam…
    http://www.hotelesderoma.es/cementerio-frailes-via-veneto.htm

    No caso de Kutna Hora na Rep. Checa, foi apenas um excesso de matéria prima pois o cemitério já estava cheio.
    http://www.artgraphica.net/art-shop/prague-kutna-hora-bone-church.htm

    E é claro que não podíamos ficar atrás:
    (a minha favorita é a dos corpos pendurados ao lado do sinal mais, como se tivessem morrido ali mesmo)
    http://www.sacred-destinations.com/portugal/evora-capela-dos-ossos-bones-chapel.htm

    Aparentemente, quem fez isto, deve encontrar mais dignidade em que o crânio do tetravô seja o vigéssimo sexto a contar de baixo em qualquer coluna da capelita, do que estar enterrado numa vala comum ou ser cremado.
    Enfim… Gostos…

    Agora exibir um cadáver ainda semi-conservado muito provavelmente devido à medicamentação utilizada em final de vida?

    Fez-me lembrar quando era puto e andava à procura da Anta de Penafiel, um túmulo pré-histórico também conhecido pelo Forno dos Mouros.
    Curiosamente quando perguntava direcções aos locais, ninguém sabia o que era uma Anta ou um Dólmen mas todos me falavam da capela do homem santo.
    Comecei a suspeitar que aquele deveria ser o nome que davam ao túmulo pré-histórico e lá fui ver o tal homem santo.

    O que era?
    Era um homem abastado e muito doente que tinha falecido há mais de 50 anos.
    Quando foram transladar os ossos para a vala comum, verificaram que afinal estava mumificado e com as unhas e cabelos compridos.
    Naturalmente, as doses cavalares de medicamentos importados que diziam ter tomado provocaram esse efeito de conservação e quanto a unhas e cabelos sabemos que levam meses a morrer.

    Mas não! Só podia ser santo!
    Fizeram logo uma pequeníssima capela onde o corpo estava exposto aos curiosos e onde podiam deixar donativos para se contruir uma capela maior!….

    Já agora, e para moral da história:
    Também perguntei aos numerosos visitantes que lá estavam se sabiam onde era a Anta de Penafiel mas ninguém tinha ouvido falar numa coisa dessas…
    Afinal, ficava apenas a seis quilómetros dali…

  • Alberto

    Não sei de onde vem a devoção macabra, a necrofilia eclesiástica ….
    Eu sei. Vem de Satanás, pai da mentira. Vem do desprêzo á Palavra de Deus.

  • Alberto

    Não sei de onde vem a devoção macabra, a necrofilia eclesiástica ….
    Eu sei. Vem de Satanás, pai da mentira. Vem do desprêzo á Palavra de Deus.

  • Alberto

    Não sei de onde vem a devoção macabra, a necrofilia eclesiástica ….
    Eu sei. Vem de Satanás, pai da mentira. Vem do desprêzo á Palavra de Deus.

  • Alberto

    Não sei de onde vem a devoção macabra, a necrofilia eclesiástica ….
    Eu sei. Vem de Satanás, pai da mentira. Vem do desprêzo á Palavra de Deus.

  • Dom Frederico

    “Recordo sempre a guia turística que, depois de enaltecer longamente as virtudes de um santo cujo esqueleto era testemunho da sua existência pia, interrogada sobre a origem de um esqueleto mais pequeno que lhe fazia companhia, o atribuiu ao mesmo santo… quando era mais novo.”

    O esqueleto pequeno, da Capela dos Ossos, é filho do esqueleto grande, seu pai. Ter morrido foi um castigo da quimera devido (segundo contam) ao filho ter desobedecido e maltratado a mãe, sem que o pai nada fizesse. Assim, por castigo, ambos morreram. Conclusão: Afinal a ICAR trata bem as mulheres!

  • Dom Frederico

    “Recordo sempre a guia turística que, depois de enaltecer longamente as virtudes de um santo cujo esqueleto era testemunho da sua existência pia, interrogada sobre a origem de um esqueleto mais pequeno que lhe fazia companhia, o atribuiu ao mesmo santo… quando era mais novo.”

    O esqueleto pequeno, da Capela dos Ossos, é filho do esqueleto grande, seu pai. Ter morrido foi um castigo da quimera devido (segundo contam) ao filho ter desobedecido e maltratado a mãe, sem que o pai nada fizesse. Assim, por castigo, ambos morreram. Conclusão: Afinal a ICAR trata bem as mulheres!

  • Dom Frederico

    “Recordo sempre a guia turística que, depois de enaltecer longamente as virtudes de um santo cujo esqueleto era testemunho da sua existência pia, interrogada sobre a origem de um esqueleto mais pequeno que lhe fazia companhia, o atribuiu ao mesmo santo… quando era mais novo.”

    O esqueleto pequeno, da Capela dos Ossos, é filho do esqueleto grande, seu pai. Ter morrido foi um castigo da quimera devido (segundo contam) ao filho ter desobedecido e maltratado a mãe, sem que o pai nada fizesse. Assim, por castigo, ambos morreram. Conclusão: Afinal a ICAR trata bem as mulheres!

  • Dom Frederico

    “Recordo sempre a guia turística que, depois de enaltecer longamente as virtudes de um santo cujo esqueleto era testemunho da sua existência pia, interrogada sobre a origem de um esqueleto mais pequeno que lhe fazia companhia, o atribuiu ao mesmo santo… quando era mais novo.”

    O esqueleto pequeno, da Capela dos Ossos, é filho do esqueleto grande, seu pai. Ter morrido foi um castigo da quimera devido (segundo contam) ao filho ter desobedecido e maltratado a mãe, sem que o pai nada fizesse. Assim, por castigo, ambos morreram. Conclusão: Afinal a ICAR trata bem as mulheres!

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