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Reflexão sobre o terrorismo islâmico

Tenho grande desconfiança sobre as religiões mas não tenha dúvida de que o terrorismo islâmico existe, como existiu o terrorismo católico das Cruzadas. E, se é verdade que os interesses económicos estão sempre na origem das guerras, não nos iludamos quanto às motivações religiosas. O petróleo e a fé têm andado juntos, é verdade.

Deus disse a Bush para invadir o Iraque e os cúmplices eram todos católicos. Enquanto o Papa condenava a invasão, os grandes entusiastas eram governantes que explicitavam publicamente a sua fé. Todos católicos. Todos amigos da hóstia e do Papa. Até Blair cuja transferência, por razões políticas, só se realizou depois da saída do Governo.

Basta ler a Bíblia ou o Corão para se verificar o manancial de violência que encerram. O Deus abraâmico é um déspota sanguinário, violento e vingativo a que Abraão estava disposto a sacrificar o filho. Uma besta de um pai. E um patife de um Deus.

Valeu-nos o Iluminismo e a Revolução Francesa para que os exegetas começassem a dizer que a Bíblia não dizia o que lá estava escrito.
Pode argumentar-se com a possibilidade de haver uma Reforma no Islão. Não a acho possível pois a laicidade é-lhes absolutamente intolerável. E o fracasso da civilização árabe tornou a religião mais agressiva. O Islão não tolera os direitos humanos nem a igualdade de direitos entre o homem e a mulher nem a democracia, tal como não se conformava Pio IX ao afirmar que a democracia e a liberdade eram incompatíveis com a Igreja católica. E tinha razão.

Não é por acaso que europeus caucasianos convertidos ao Islão se tornam terroristas. Não há povos terroristas mas há ideologias. Não há guerras de civilizações, há guerras entre totalitarismos ou entre a civilização e a barbárie.

Termino a citar o título de um livro interessante: «O Mundo Secreto do Opus Dei», escrito há mais de dez anos, que tem como subtítulo «Preparando o confronto final entre o Mundo Cristão e o Radicalismo Islâmico». Autor: Robert Hutchison.

18 thoughts on “Reflexão sobre o terrorismo islâmico”
  • Ateu comunista bolivariano

    Iluminismo e rev. francesa foram importantes.. Mas ressalto muito a Comuna de Paris.

  • Ateu comunista bolivariano

    Iluminismo e rev. francesa foram importantes.. Mas ressalto muito a Comuna de Paris.

  • kavkaz

    Estimado Carlos Esperança

    Excelente reflexão !

    Enquanto Bush dizia ser inspirado por “Deus” e tinha ao seu lado os católicos a apoiarem a mais sangrenta e mortífera guerra do século XXI, o Papa tentava evitar a guerra do Iraque. Afinal quem representa a vontade de “Deus” ? É Bush ? O Papa nunca manifestou desagrado com o facto de Bush se apresentar como inspirado por “Deus”… Achará que Bush é interlocutor de confiança ? O Papa cala-se. Quem cala, consente…

    É de notar que quanto mais fé afirmam ter, mais violentos e mais desprezo mostram pelos seres humanos ! Bombardearam um país, destruíram-no por causa de um nome, Saddam. Deixam centenas de milhares de mortos, gente ferida, enlouquecida e enraivecida por várias gerações ! Transformaram o Iraque num dos piores países do Mundo. E não o era ! Inspirados por “Deus” !

    A Bíblia só traz desgraças ao Mundo ! Tem uma ideologia de guerra intrínseca !

  • kavkaz

    Estimado Carlos Esperança

    Excelente reflexão !

    Enquanto Bush dizia ser inspirado por “Deus” e tinha ao seu lado os católicos a apoiarem a mais sangrenta e mortífera guerra do século XXI, o Papa tentava evitar a guerra do Iraque. Afinal quem representa a vontade de “Deus” ? É Bush ? O Papa nunca manifestou desagrado com o facto de Bush se apresentar como inspirado por “Deus”… Achará que Bush é interlocutor de confiança ? O Papa cala-se. Quem cala, consente…

    É de notar que quanto mais fé afirmam ter, mais violentos e mais desprezo mostram pelos seres humanos ! Bombardearam um país, destruíram-no por causa de um nome, Saddam. Deixam centenas de milhares de mortos, gente ferida, enlouquecida e enraivecida por várias gerações ! Transformaram o Iraque num dos piores países do Mundo. E não o era ! Inspirados por “Deus” !

    A Bíblia só traz desgraças ao Mundo ! Tem uma ideologia de guerra intrínseca !

  • Se Moncho

    Concordo basicamente com a sua mensagem, mas não entendo por que destaca os católicos entre os apoiantes de Bush na II guerra do Iraque. É certo que Aznar, Barroso e Blair o apoiaram, mas teve o apoio de muitos outros países. De facto na invasão só 5 países enviaram forças militares: USA, UK, Austrália, Dinamarca e Polónia, e que eu saiba nem John Howard nem Anders Fogh Rasmussen são católicos.

    Acho portanto que o factor religioso, excepto talvez no caso do próprio Bush, não foi um factor determinante nos lideres políticos. Acredito que o assunto foi mais bem uma prova de lealdade/vassalagem.

    Por outro lado nos próprios Estados Unidos a guerra teve mais apoio entre os protestantes, nomeadamente os evangélicos, que entre os católicos, precisamente pela oposição do papa. Teve apoio também, não devemos esquecer, de ateios tão conceituados como Christopher Hitchens.

  • Se Moncho

    Concordo basicamente com a sua mensagem, mas não entendo por que destaca os católicos entre os apoiantes de Bush na II guerra do Iraque. É certo que Aznar, Barroso e Blair o apoiaram, mas teve o apoio de muitos outros países. De facto na invasão só 5 países enviaram forças militares: USA, UK, Austrália, Dinamarca e Polónia, e que eu saiba nem John Howard nem Anders Fogh Rasmussen são católicos.

    Acho portanto que o factor religioso, excepto talvez no caso do próprio Bush, não foi um factor determinante nos lideres políticos. Acredito que o assunto foi mais bem uma prova de lealdade/vassalagem.

    Por outro lado nos próprios Estados Unidos a guerra teve mais apoio entre os protestantes, nomeadamente os evangélicos, que entre os católicos, precisamente pela oposição do papa. Teve apoio também, não devemos esquecer, de ateios tão conceituados como Christopher Hitchens.

  • libre

    Excelente artigo, gostaria de acresentar o seguinte:

    Qualquer religião que minimaliza o ser humano é um barril de pólvora encostado a uma lareira… Como é que um ser humano pode respeitar a vida tendo a noção que esta é uma fase passageira? Que o facto de sermos seres de carne e osso é um mal? Que quem segue a sua ideologia está certo e os outros estão errados e condenados? E depois temos bispos e cardeais a reclamar tolerância, e imãs tentarem descartar as culpas do seu culto. Sem o fervor religioso muita gente questionaria se valeria a pena desperdiçar a vida, mas com uma recompensa eterna torna-se tentador…

    Muitos defendem com o facto de ser uma zona em constante conflito e de enfrentarem uma força desigual que leva a actos de desespero como detonar-se dentro de autocarros. E tentam descartar o factor religião. Eu concordo com esse ponto de vista desde que não seja descartada a religião, pois se um bombista tivesse a noção de estar a deitar tudo a perder questionaria o seu acto e chegaria facilmente à noção que ia matar quem não tem culpa e contribuir para a manutenção do problema. Mas com a cegueira religiosa sentem-se como heróis salvadores. Do outro lado temos um estado militarmente avançado que reclama o seu direito divino àquela região. Esse direito justifica o uso da força contra quem se opõe apoiados pela super-potência fundamentalista cristã… Depois vêm com o argumento que quem se lhes opõe é anti-semita comparando-os a nazis de modo a os desacreditar… Se abrissem os olhos talvez reparassem que “superioridade da raça ariana” e “povo eleito de Deus” são conceitos muito parecidos que justificam actos despresíveis de agressão.

    No que muitos classificam de “o bem” e “o mal” eu classifico de “dois lados casmurros e intolerantes”.

  • libre

    Excelente artigo, gostaria de acresentar o seguinte:

    Qualquer religião que minimaliza o ser humano é um barril de pólvora encostado a uma lareira… Como é que um ser humano pode respeitar a vida tendo a noção que esta é uma fase passageira? Que o facto de sermos seres de carne e osso é um mal? Que quem segue a sua ideologia está certo e os outros estão errados e condenados? E depois temos bispos e cardeais a reclamar tolerância, e imãs tentarem descartar as culpas do seu culto. Sem o fervor religioso muita gente questionaria se valeria a pena desperdiçar a vida, mas com uma recompensa eterna torna-se tentador…

    Muitos defendem com o facto de ser uma zona em constante conflito e de enfrentarem uma força desigual que leva a actos de desespero como detonar-se dentro de autocarros. E tentam descartar o factor religião. Eu concordo com esse ponto de vista desde que não seja descartada a religião, pois se um bombista tivesse a noção de estar a deitar tudo a perder questionaria o seu acto e chegaria facilmente à noção que ia matar quem não tem culpa e contribuir para a manutenção do problema. Mas com a cegueira religiosa sentem-se como heróis salvadores. Do outro lado temos um estado militarmente avançado que reclama o seu direito divino àquela região. Esse direito justifica o uso da força contra quem se opõe apoiados pela super-potência fundamentalista cristã… Depois vêm com o argumento que quem se lhes opõe é anti-semita comparando-os a nazis de modo a os desacreditar… Se abrissem os olhos talvez reparassem que “superioridade da raça ariana” e “povo eleito de Deus” são conceitos muito parecidos que justificam actos despresíveis de agressão.

    No que muitos classificam de “o bem” e “o mal” eu classifico de “dois lados casmurros e intolerantes”.

  • kavkaz

    Burka proibida nas escolas holandesas

    O Governo holandês prepara-se para proibir o uso de burka e também o nigab em escolas e locais oficiais, noticia o jornal El Pais. Estes trajes são usados por mulheres e raparigas muçulmanas, uma comunidade com um milhão de habitantes entre uma população de 16 milhões.

    Esta medida pretende facilitar a integração e uma melhor comunicação entre cidadãos, segundo aponta o Executivo de Centro-Esquerda.

    http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=907798&div_id=291

  • kavkaz

    Burka proibida nas escolas holandesas

    O Governo holandês prepara-se para proibir o uso de burka e também o nigab em escolas e locais oficiais, noticia o jornal El Pais. Estes trajes são usados por mulheres e raparigas muçulmanas, uma comunidade com um milhão de habitantes entre uma população de 16 milhões.

    Esta medida pretende facilitar a integração e uma melhor comunicação entre cidadãos, segundo aponta o Executivo de Centro-Esquerda.

    http://www.portugaldiario.iol.pt/noticia.php?id=907798&div_id=291

  • Carlos Esperança

    Moncho :

    Os principais apoiantes da invasão do Iraque (não referidos no meu post) foram a Áustria, Itália e Polónia) todas dirigidas por governantes que explicitavam a sua fé (católica).

    O direito à crença é inalienável mas não deve ser exibido quando se governa um país.

  • Carlos Esperança

    Moncho :

    Os principais apoiantes da invasão do Iraque (não referidos no meu post) foram a Áustria, Itália e Polónia) todas dirigidas por governantes que explicitavam a sua fé (católica).

    O direito à crença é inalienável mas não deve ser exibido quando se governa um país.

  • rei marcelo

    carlos esperança,
    é com um imenso desgosto que escrevo estas linhas, mas gostaria de chamar-lhe à atenção para uma passagem de seu texto:
    falar em guerras entre civilização e barbárie é algo de um pré-conceito preconceituoso, isto é, vimemos num momento de crise do paradigma civilizacional, ou seja, ao dizer que uma cultura é mais civilizada que a outra consiste num juízo de valores, algo antropológicamente condenável, já que, por exemplo, não pode-se concluir que os colonizadores portugueses fossem mais civilizados que tribos antropofágicas brasileiras, uns eram mais desenvolvidos nas armas e outros nas forma de ver o sexo e a sexualidade como algo positivo, não uns mais civilizados que os outros, sim culturalmente diferentes, portanto não pode-se falar sobre guerras entre civilização e barbárie, conceito Positivista que mudou a semântica original (que é grega) destas palavras.

    Ateu-Cruzeirense

  • rei marcelo

    carlos esperança,
    é com um imenso desgosto que escrevo estas linhas, mas gostaria de chamar-lhe à atenção para uma passagem de seu texto:
    falar em guerras entre civilização e barbárie é algo de um pré-conceito preconceituoso, isto é, vimemos num momento de crise do paradigma civilizacional, ou seja, ao dizer que uma cultura é mais civilizada que a outra consiste num juízo de valores, algo antropológicamente condenável, já que, por exemplo, não pode-se concluir que os colonizadores portugueses fossem mais civilizados que tribos antropofágicas brasileiras, uns eram mais desenvolvidos nas armas e outros nas forma de ver o sexo e a sexualidade como algo positivo, não uns mais civilizados que os outros, sim culturalmente diferentes, portanto não pode-se falar sobre guerras entre civilização e barbárie, conceito Positivista que mudou a semântica original (que é grega) destas palavras.

    Ateu-Cruzeirense

  • Morena Flor

    Rei Marcelo

    “falar em guerras entre civilização e barbárie é algo de um pré-conceito preconceituoso, isto é, vimemos num momento de crise do paradigma civilizacional, ou seja, ao dizer que uma cultura é mais civilizada que a outra consiste num juízo de valores, algo antropológicamente condenável…”

    Q eu saiba, uma cultura q preza a liberdade de opinião, na qual há espaço para se lutar pelos ideais q são a favor do ser humano não está no mesmo nível de outra, q prega a opressão e repressão contra seus integrantes em geral e contra a liberdade.

    Esse “multiculturalismo” tem q ser revisado já. Pelo bem das pessoas.

    Culturas não valem mais do q as pessoas q estão sob o domínio delas – ou fora delas, nem valem mais do q os direitos humanos, o direito à liberdade, à felicidade e ao bem estar. Uma cultura q não preza essas coisas – ou impede q elas aconteçam – deve ser colocada no seu devido lugar.

  • Morena Flor

    Rei Marcelo

    “falar em guerras entre civilização e barbárie é algo de um pré-conceito preconceituoso, isto é, vimemos num momento de crise do paradigma civilizacional, ou seja, ao dizer que uma cultura é mais civilizada que a outra consiste num juízo de valores, algo antropológicamente condenável…”

    Q eu saiba, uma cultura q preza a liberdade de opinião, na qual há espaço para se lutar pelos ideais q são a favor do ser humano não está no mesmo nível de outra, q prega a opressão e repressão contra seus integrantes em geral e contra a liberdade.

    Esse “multiculturalismo” tem q ser revisado já. Pelo bem das pessoas.

    Culturas não valem mais do q as pessoas q estão sob o domínio delas – ou fora delas, nem valem mais do q os direitos humanos, o direito à liberdade, à felicidade e ao bem estar. Uma cultura q não preza essas coisas – ou impede q elas aconteçam – deve ser colocada no seu devido lugar.

  • rei marcelo

    Morena Flor
    Bom comentário. Em linhas gerais também concordo com vc, o meu problema com o texto do carlos esperança é o uso indevido das palavras civilização e barbárie.
    Ateu-Cruzeirense

  • rei marcelo

    Morena Flor
    Bom comentário. Em linhas gerais também concordo com vc, o meu problema com o texto do carlos esperança é o uso indevido das palavras civilização e barbárie.
    Ateu-Cruzeirense

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