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Ateísmo e o espantalho comunista

É aberrante a lógica argumentativa religiosa, as suas entediantes e estúpidas alusões às mesmas questões, aos mesmos ridículos argumentos, inseridos continuamente em quase toda e qualquer discussão do fenómeno religioso, os mesmos erros repetidamente que não se tornam em verdades, breves noções sobre a concretude das coisas bastam para filtrar as alarvidades proferidas por teólogos ou adeptos de áreas semelhantes, áreas em que qualquer coisa é comparável a qualquer coisa e onde as maiores parvoíces ganham contornos de excelsidades mentais, arrogância existe que chegue e que normalmente transborda, falar do que não se sabe não é um dom, é um atestado de incompetência intelectual passado a si próprio.

Uma das recorrentes temáticas usadas para interromper debates, usadas sem sentido algum, sem qualquer linha de raciocínio nem sequer as habituais ginásticas intelectuais teológicas, é o espantalho comunista, o desvio para as políticas estalinistas e outras enquadradas em semelhantes pressupostos, as alusões a personagens históricos sanguinários que se identificavam como ateus. A questão não poderia ser mais simples, o ateísmo é uma negação do sobrenatural, das religiões, da fé, uma estrutura de filtragem racional que pode ser exercida em plenitude de racionalismo e honestidade ou meramente identificada pela descrença num deus. A ausência de determinadas convicções não potencia acções, as acções são potenciadas por convicções existentes e não por convicções ausentes, portanto, as acções decorrentes do estalinismo e correntes políticas similares lidam com convicções de foro político, foi a política que definiu determinadas convicções que se tornaram em acções.

Tentar associar o Ateísmo com comunismo é complexo, e sujeito a enorme ginástica intelectual, coisa que muitas vezes inexiste nas mentes que tentam tal abordagem, a intelectualidade, não a ginástica. De uma questão de negação religiosa não se passa a uma questão de afirmação política sem tentar, no mínimo, encontrar um fio condutor, no caso específico ele não existe.

Notável ainda a arrogância teológica em querer lidar com questões complexas de uma forma estúpida e superficial, saloia e ignóbil, alicerçar a suposta inquisição ao ateísmo por uma descrença no deus que determinadas pessoas acreditam, retirar credibilidade a algo por existirem pessoas que partilham ausências de convicções, sendo para mentes torpes e reduzidas a mesma coisa que partilhar ausências e presenças, se determinada pessoa se assume como vegetariana e ateísta, então uma mente religiosa poderá considerar que todos os ateus serão vegetarianos, ou caso um ateu se declare homossexual todos os ateus serão homossexuais, questões complexas para mentes entupidas em fé, a sua forma de seguir ordens advindas de vendedores de teologias em manada, de entrega absoluta e cega aos preceitos de determinadas doutrinas religiosas faz com que a clarividência se afunde, e a percepção da diversidade inexista. Atribuição de determinadas posturas afirmativas a um grupo de pessoas que se identifica com um construtivismo de negação é incrivelmente idiota, uma estupidez épica.

Por certo terão mais razão dentro das lógicas ilógicas teológicas os hindus em afirmar que a grande maioria dos males do mundo são oriundos da ausência de crença em Brahmá, Vishnu e Shiva. Mais razões teriam os crentes do Tricórnio (que é um Unicórnio mas tem 3 cornos) de Saturno em afirmar que a ausência de crença nesse ser superior causou todos os males do mundo.

Estranho também será o facto de algumas pessoas que se identificam com o rótulo do Ateísmo se sentirem de alguma forma perdidas com as alusões aos espantalhos comunistas, como se por ventura se deixassem cair nessa estupidez e assumissem um discurso de defesa instigado pelos irracionalismos religiosos de algo que não faz parte da sua convicção afirmativa, por vezes aparentando um contágio da estupidez oriunda do meio envolvente. Tais alusões devem ser antecipadas, o leque de argumentação religiosa é incrivelmente restrito, os espantalhos devem ser racionalmente exterminados, honestamente estupidificados pela força da inteligência.

O Ateísmo, a ser exercido colectivamente em mutualismo, deve não só atacar racional e honestamente os dogmas religiosos, como também atacar os dogmas que as religiões lhe tentam atribuir, sem que as ideologias dogmáticas religiosas infectem as mentes esclarecidas e racionais.

36 thoughts on “Ateísmo e o espantalho comunista”
  • RJ

    O comunismo em si é quase uma religião, tendo em conta a carga dogmática que apresenta. A ausência da religiao não é por omissão, é como que por “substituição”.

    A associação do ateísmo ao comunismo é puramente histórica e já não faz sentido nos dias de hoje. O ateísmo tem gente de todos os quadrantes políticos e não é um exclusivo da esquerda nem de nenhuma classe social.
    A beatice está mais dentro da direita mais conservadora do que o ateísmo no comunismo.

    O que mais me chateia é a abordagem de muitos religiosos (na blogosfera) ao ateísmo como responsável pela morte de muita gente, nomeadamente no sec XX. No blog “padres inquietos” até vi um post a reclamar aos ateus um pedido de desculpas pelas atrocidades de certos regimes políticos ateus, assim como a ICAR (JP II) pediu desculpas pelos “erros” cometidos ao longo da história.
    Acontece que os ateus estão dispersos. Não temos um principado com poucos km2 onde se concentre uma “Liga mundial de ateus”, com sucursais em vários países. Ninguém pode pedir desculpa em nome de todos, pois nem sequer há uma hierarquia representativa.
    O problema está no nome da coisa. Se exigissem desculpas a certos e determinados regimes com Ateísmo de Estado, a coisa seria mais coerente.

    A imposição de uma doutrina ou a limitação de uma liberdade, neste caso a religiosa, originaram muitas mortes. Daí ser mais do que necessário um estado neutro e que garanta a liberdade de culto.

  • RJ

    O comunismo em si é quase uma religião, tendo em conta a carga dogmática que apresenta. A ausência da religiao não é por omissão, é como que por “substituição”.

    A associação do ateísmo ao comunismo é puramente histórica e já não faz sentido nos dias de hoje. O ateísmo tem gente de todos os quadrantes políticos e não é um exclusivo da esquerda nem de nenhuma classe social.
    A beatice está mais dentro da direita mais conservadora do que o ateísmo no comunismo.

    O que mais me chateia é a abordagem de muitos religiosos (na blogosfera) ao ateísmo como responsável pela morte de muita gente, nomeadamente no sec XX. No blog “padres inquietos” até vi um post a reclamar aos ateus um pedido de desculpas pelas atrocidades de certos regimes políticos ateus, assim como a ICAR (JP II) pediu desculpas pelos “erros” cometidos ao longo da história.
    Acontece que os ateus estão dispersos. Não temos um principado com poucos km2 onde se concentre uma “Liga mundial de ateus”, com sucursais em vários países. Ninguém pode pedir desculpa em nome de todos, pois nem sequer há uma hierarquia representativa.
    O problema está no nome da coisa. Se exigissem desculpas a certos e determinados regimes com Ateísmo de Estado, a coisa seria mais coerente.

    A imposição de uma doutrina ou a limitação de uma liberdade, neste caso a religiosa, originaram muitas mortes. Daí ser mais do que necessário um estado neutro e que garanta a liberdade de culto.

  • Ateu comunista bolivariano

    RJ, se comunismo é religião… imagina o capitalismo e “democracia”….. quantas vezes os EUA e seus asseclas não impõem aos outros países a “democracia” e “capitalismo” em nome da “liberdade” e contra o “terrorismo”?? Veja o macartismo, patriotic act, invasão do Irak. vc diz q comunisno é “religião” e o anticomunismo?? q dizer??? com esse pretexro de anticomunismo, os EUA apoiaram vários golpes de estados e ditaduras na Am.Latina, África e Àsia. em nome do anticomunismo… EUA foram capazes de apoiar o regime racista de Pretória contra a MPLA e FRELIMO e Cuba q tenha soldados defendendo ambos países . Em nome do anticomunismo… foi capaz de recrutar na CIA Klaus Barbie (q viraria chefe dos esquadrões da morte na Bolívia) .Quantas pessoas de direita tbm não lambem a bota os EUA só pq é a “meca da democracia e capitalismo” por puro servilismo… (isso não lembra religião?). Vc q acusa a eskerda de ser religiosa… pq não olha a AM.Latina agora? Fidel, Chavez e aliados são tratados como 666 da região ao mesmo tempo q seus acusadores fazem silêncio hipócrita em relação aos governos de direita na América Latina. Os religiosos quando ficam associando ateísmo e comunismo.. eles tem a intenção de denegrir ambas idéias. Como se a religião q eles tanto seguem fosse limpa…
    Nós ateus não devemos pedir perdão nenhum a esses “nazi-católicos”

  • Ateu comunista bolivariano

    RJ, se comunismo é religião… imagina o capitalismo e “democracia”….. quantas vezes os EUA e seus asseclas não impõem aos outros países a “democracia” e “capitalismo” em nome da “liberdade” e contra o “terrorismo”?? Veja o macartismo, patriotic act, invasão do Irak. vc diz q comunisno é “religião” e o anticomunismo?? q dizer??? com esse pretexro de anticomunismo, os EUA apoiaram vários golpes de estados e ditaduras na Am.Latina, África e Àsia. em nome do anticomunismo… EUA foram capazes de apoiar o regime racista de Pretória contra a MPLA e FRELIMO e Cuba q tenha soldados defendendo ambos países . Em nome do anticomunismo… foi capaz de recrutar na CIA Klaus Barbie (q viraria chefe dos esquadrões da morte na Bolívia) .Quantas pessoas de direita tbm não lambem a bota os EUA só pq é a “meca da democracia e capitalismo” por puro servilismo… (isso não lembra religião?). Vc q acusa a eskerda de ser religiosa… pq não olha a AM.Latina agora? Fidel, Chavez e aliados são tratados como 666 da região ao mesmo tempo q seus acusadores fazem silêncio hipócrita em relação aos governos de direita na América Latina. Os religiosos quando ficam associando ateísmo e comunismo.. eles tem a intenção de denegrir ambas idéias. Como se a religião q eles tanto seguem fosse limpa…
    Nós ateus não devemos pedir perdão nenhum a esses “nazi-católicos”

  • Ateu comunista bolivariano

    Outra coisa… existe a “eskerda de deus”…
    Ex: os sandinistas, a teologia de libertação…
    existe ateus anarkistas….
    existem ateus de direita. Hitchens, Dawkins….
    Bruno,,, da vontade de dar o troco e dizer q todos os católicos e prostestantes são nazi-fascistas, pedófilos, ladrões, terroristas, traficantes…. pra eles verem como é provar do próprio veneno

  • Ateu comunista bolivariano

    Outra coisa… existe a “eskerda de deus”…
    Ex: os sandinistas, a teologia de libertação…
    existe ateus anarkistas….
    existem ateus de direita. Hitchens, Dawkins….
    Bruno,,, da vontade de dar o troco e dizer q todos os católicos e prostestantes são nazi-fascistas, pedófilos, ladrões, terroristas, traficantes…. pra eles verem como é provar do próprio veneno

  • ruinix

    AHAH… que confusão aqui vai…
    O Comunismo é um instrumento científico de análise da realidade e guia para a acção que constantemente se enriquece e se renova dando resposta aos novos fenómenos e processos culturais, sociais, científicos, tecnológicos, etc. Em ligação com a prática e com
    o incessante progresso dos conhecimentos, esta concepção do mundo é necessariamente criadora e, por isso, contrária à dogmatização assim como à revisão oportunista dos seus princípios e conceitos fundamentais.
    Essa do “comunismo em si é quase uma religião” ganhou o prémio da absurdo do dia.

  • ruinix

    AHAH… que confusão aqui vai…
    O Comunismo é um instrumento científico de análise da realidade e guia para a acção que constantemente se enriquece e se renova dando resposta aos novos fenómenos e processos culturais, sociais, científicos, tecnológicos, etc. Em ligação com a prática e com
    o incessante progresso dos conhecimentos, esta concepção do mundo é necessariamente criadora e, por isso, contrária à dogmatização assim como à revisão oportunista dos seus princípios e conceitos fundamentais.
    Essa do “comunismo em si é quase uma religião” ganhou o prémio da absurdo do dia.

  • kavkaz

    Caro Bruno Miguel Resende

    Excelente artigo. Acutilante e esclarecedor. Gostei. Parabéns.

    (já sentia a ausência dos seus posts)

  • kavkaz

    Caro Bruno Miguel Resende

    Excelente artigo. Acutilante e esclarecedor. Gostei. Parabéns.

    (já sentia a ausência dos seus posts)

  • libre

    Lembrem-se que muita da carga negativa do comunismo vêm da oposição que a ICAR travou contra ele e que usam as atrocidades cometidas na URSS, principalmente no período Estalinista, na China, Coreia do Norte, etc… Mas se olharmos para o lado dos estados capitalistas o caso não muda de figura: apoiaram-se regimes sanguinários que diferem na ideologia dos estados comunistas que referi atrás, mas assemelham-se nos métodos para segurar o regime. Hoje nos EUA prende-se e depois é que se lança suspeitas, torturam-se prisioneiros, retira-se liberdade aos cidadãos e usa-se a arma do consumismo para desumanizar a população.

    Dos dois lados são cometidas atrocidades mas um dos lados é atacado pela religião por assumir uma ideologia adversa a ela. O problema desta questão não está na tentativa de associar ateísmo ao comunismo, mas sim na máquina de manipulação política que a religião tenta tornar-se. Basta ver que o maior estado comunista actual (China) e o maior estado capitalista (EUA) são semelhantes na violação de direitos humanos como a pena de morte, estado policial, violação de privacidade e limitação da liberdade de expressão: na China por imposição, nos EUA “calam-se opositores” com a manipulação pública através dos media e adivinhem de quem mais…

    A qualquer posição política de instituições religiosas, favoráveis ou contrárias, não deve ser dada qualquer importância senão corremos o risco de criar um meio de influência política demasiado poderoso. Se é que já não o são…

  • libre

    Lembrem-se que muita da carga negativa do comunismo vêm da oposição que a ICAR travou contra ele e que usam as atrocidades cometidas na URSS, principalmente no período Estalinista, na China, Coreia do Norte, etc… Mas se olharmos para o lado dos estados capitalistas o caso não muda de figura: apoiaram-se regimes sanguinários que diferem na ideologia dos estados comunistas que referi atrás, mas assemelham-se nos métodos para segurar o regime. Hoje nos EUA prende-se e depois é que se lança suspeitas, torturam-se prisioneiros, retira-se liberdade aos cidadãos e usa-se a arma do consumismo para desumanizar a população.

    Dos dois lados são cometidas atrocidades mas um dos lados é atacado pela religião por assumir uma ideologia adversa a ela. O problema desta questão não está na tentativa de associar ateísmo ao comunismo, mas sim na máquina de manipulação política que a religião tenta tornar-se. Basta ver que o maior estado comunista actual (China) e o maior estado capitalista (EUA) são semelhantes na violação de direitos humanos como a pena de morte, estado policial, violação de privacidade e limitação da liberdade de expressão: na China por imposição, nos EUA “calam-se opositores” com a manipulação pública através dos media e adivinhem de quem mais…

    A qualquer posição política de instituições religiosas, favoráveis ou contrárias, não deve ser dada qualquer importância senão corremos o risco de criar um meio de influência política demasiado poderoso. Se é que já não o são…

  • mig

    Excelente artigo!

    Torna-se realmente necessária uma resposta pensada e discutida a todos os níveis para que se acabem de vez os ataques saloios e superficiais, ao fim ao cabo, o lobby do “porque sim” só pode ser enfrentado racionalmente.

  • mig

    Excelente artigo!

    Torna-se realmente necessária uma resposta pensada e discutida a todos os níveis para que se acabem de vez os ataques saloios e superficiais, ao fim ao cabo, o lobby do “porque sim” só pode ser enfrentado racionalmente.

  • RJ

    ACB,

    Quando me refiro ao comunismo como religião refiro-me à imposição (em certom ponto, dogmática) de certos e determinados ideais políticos e sociais que são (a meu ver) contra-natura.
    Falo de regimes cujos ideais na teoria são muito bonitos mas que falharam redondamente na prática. Falam muito em liberdade mas são opositores de muitas, nomedamente a nível económico.

    Numa coisa concordo consigo… O Dinheiro é a maior religião que existe e os maiores cancros dos dias de hojes são alguns lobbies económicos. A “democracia” e o anticomunismo que a que se refere foram usados como instrumento de serviço aos interesses de alguns.

    Os EUA não deixaram a América Latina desenvolver-se, é verdade. Por medo ao comunismo e por interesses económicos. No auge da guerra fria era muito preocupante para os EUA terem sucursais da rússia na américa latina (como já o era Cuba). Allende (eleito democraticamente) foi deposto por Pinochet com ajuda da CIA.

    O medo ao comunismo (pode ser encarado como o percussor do anticomunismo) não é um exclusivo dos americanos, já Salazar também fez dele o principal inimigo (e a ICAR).

    Sou um defensor da propriedade privada e do emagrecimento do estado nalguns sectores, mas considero a saúde e a educação públicas indispensáveis. O PC foi (e é importante nos dias de hoje) um partido indispensável na construção da democracia portuguesa.

    Libre,

    A China hoje em dia aglutina o pior do comunismo e o pior do capitalismo. Falamos de um regime comunista com capitalismo selvagem e gravíssimos problemas ambientais. E é onde o cristianismo mais está a aumentar…

  • RJ

    ACB,

    Quando me refiro ao comunismo como religião refiro-me à imposição (em certom ponto, dogmática) de certos e determinados ideais políticos e sociais que são (a meu ver) contra-natura.
    Falo de regimes cujos ideais na teoria são muito bonitos mas que falharam redondamente na prática. Falam muito em liberdade mas são opositores de muitas, nomedamente a nível económico.

    Numa coisa concordo consigo… O Dinheiro é a maior religião que existe e os maiores cancros dos dias de hojes são alguns lobbies económicos. A “democracia” e o anticomunismo que a que se refere foram usados como instrumento de serviço aos interesses de alguns.

    Os EUA não deixaram a América Latina desenvolver-se, é verdade. Por medo ao comunismo e por interesses económicos. No auge da guerra fria era muito preocupante para os EUA terem sucursais da rússia na américa latina (como já o era Cuba). Allende (eleito democraticamente) foi deposto por Pinochet com ajuda da CIA.

    O medo ao comunismo (pode ser encarado como o percussor do anticomunismo) não é um exclusivo dos americanos, já Salazar também fez dele o principal inimigo (e a ICAR).

    Sou um defensor da propriedade privada e do emagrecimento do estado nalguns sectores, mas considero a saúde e a educação públicas indispensáveis. O PC foi (e é importante nos dias de hoje) um partido indispensável na construção da democracia portuguesa.

    Libre,

    A China hoje em dia aglutina o pior do comunismo e o pior do capitalismo. Falamos de um regime comunista com capitalismo selvagem e gravíssimos problemas ambientais. E é onde o cristianismo mais está a aumentar…

  • libre

    RJ,
    Estou perfeitamente consciente da situação actual da China, mas as atrocidades a que me referia são uma herança de quando era um regime comunista.

  • libre

    RJ,
    Estou perfeitamente consciente da situação actual da China, mas as atrocidades a que me referia são uma herança de quando era um regime comunista.

  • RJ

    Libre,
    Algumas ainda perduram, infelizmente. Pior ainda foi no Cambodja…

  • kavkaz

    As Igrejas Ortodoxas choram-se a Durão Barroso

    Realizou-se um encontro entre o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e os representantes das Igrejas Ortodoxas, entre as quais a da Rússia, Constantinopla, Chipre e Grega. Debateram questões relacionadas com o diálogo entre as Igrejas Católicas e as organizações europeias internacionais.

    Os ortodoxos choraram-se a Durão Barroso de que haveria na Europa uma crescente “cristãfobia”, como disse o bispo de Viena e Áustria, Ilarião (Alfeev). Segundo este, a “cristãfobia” leva à retirada de símbolos cristãos da esfera social, insultos do cristianismo e a recusa do reconhecimento da influência do cristianismo na Europa, perseguições às pessoas, às devotas do cristianismo e querem viver sob as suas normas morais”.

    O representante da Igreja Ortodoxa russa lembrou a recente discussão no Parlamento inglês do tema “cristãfobia” e achou necessária a discussão de tal tema nas organizações europeias internacionais, com a presença dos representantes das igrejas cristãs da Europa.

    http://www.blagovest-info.ru/index.php?ss=2&s=3&id=18387

    Comentário: Com tanto choradinho piegas dos bispos pode-se dizer “O que tu queres sei eu !”

  • RJ

    Libre,
    Algumas ainda perduram, infelizmente. Pior ainda foi no Cambodja…

  • kavkaz

    As Igrejas Ortodoxas choram-se a Durão Barroso

    Realizou-se um encontro entre o Presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e os representantes das Igrejas Ortodoxas, entre as quais a da Rússia, Constantinopla, Chipre e Grega. Debateram questões relacionadas com o diálogo entre as Igrejas Católicas e as organizações europeias internacionais.

    Os ortodoxos choraram-se a Durão Barroso de que haveria na Europa uma crescente “cristãfobia”, como disse o bispo de Viena e Áustria, Ilarião (Alfeev). Segundo este, a “cristãfobia” leva à retirada de símbolos cristãos da esfera social, insultos do cristianismo e a recusa do reconhecimento da influência do cristianismo na Europa, perseguições às pessoas, às devotas do cristianismo e querem viver sob as suas normas morais”.

    O representante da Igreja Ortodoxa russa lembrou a recente discussão no Parlamento inglês do tema “cristãfobia” e achou necessária a discussão de tal tema nas organizações europeias internacionais, com a presença dos representantes das igrejas cristãs da Europa.

    http://www.blagovest-info.ru/index.php?ss=2&s=3&id=18387

    Comentário: Com tanto choradinho piegas dos bispos pode-se dizer “O que tu queres sei eu !”

  • Bruno Miguel Resende

    Caro kavkaz, obrigado pelo elogio. 🙂

  • Bruno Miguel Resende

    Caro kavkaz, obrigado pelo elogio. 🙂

  • Bruno Miguel Resende

    Caro mig, obrigado pelo elogio, é sem dúvida imperioso exorcizar certos espantalhos criados religiosamente e mantidos pela comunicação social.

  • Bruno Miguel Resende

    Caro mig, obrigado pelo elogio, é sem dúvida imperioso exorcizar certos espantalhos criados religiosamente e mantidos pela comunicação social.

  • Bruno Miguel Resende

    Caro ruinix, as perspectivas teóricas do comunismo são extramamente sólidas e válidas, assim como as do capitalismo, são posturas de afirmação política que lidam com a realidade das coisas, a questão fulcral é a implementação. Se na Suécia o capitalismo se tem mostrado como excelente expoente de desenvolvimento económico e social mantendo e exacerbando as liberdades individuais, já nos E.U.A. se pratica a selvajaria do darwinismo social extremo e das ignorâncias atrozes, se em Cuba o comunismo se mostra pulsante e libertador, já na Coreia do Norte se mostra como barbárie. A implementação das doutrinas políticas acarreta graves problemas, o maior deles é a revolução sem se saber o que fazer depois, as hierarquias definem-se e mudam-se as políticas mas as sociedades mantêm-se na mesma. Bakunin e Kropotkin previram o problema enorme do comunismo, Bakunin advertiu Marx para as problemáticas das teorias de hierarquização social, e Kropotkin lutou com Lenine pela educação do povo, tentar que este saísse do estado de consciência reduzida e ignorância, tais estados foram mantidos e as mudanças acabaram por sair completamente erróneas. A maioria do capitalismo exponencia o fosso entre ricos e pobres, a maioria do comunismo exponencia a ignorância, as soluções estão na informação, na educação, na liberdade de todos, na organização orgânica e não mecânica.

  • Bruno Miguel Resende

    Caro ruinix, as perspectivas teóricas do comunismo são extramamente sólidas e válidas, assim como as do capitalismo, são posturas de afirmação política que lidam com a realidade das coisas, a questão fulcral é a implementação. Se na Suécia o capitalismo se tem mostrado como excelente expoente de desenvolvimento económico e social mantendo e exacerbando as liberdades individuais, já nos E.U.A. se pratica a selvajaria do darwinismo social extremo e das ignorâncias atrozes, se em Cuba o comunismo se mostra pulsante e libertador, já na Coreia do Norte se mostra como barbárie. A implementação das doutrinas políticas acarreta graves problemas, o maior deles é a revolução sem se saber o que fazer depois, as hierarquias definem-se e mudam-se as políticas mas as sociedades mantêm-se na mesma. Bakunin e Kropotkin previram o problema enorme do comunismo, Bakunin advertiu Marx para as problemáticas das teorias de hierarquização social, e Kropotkin lutou com Lenine pela educação do povo, tentar que este saísse do estado de consciência reduzida e ignorância, tais estados foram mantidos e as mudanças acabaram por sair completamente erróneas. A maioria do capitalismo exponencia o fosso entre ricos e pobres, a maioria do comunismo exponencia a ignorância, as soluções estão na informação, na educação, na liberdade de todos, na organização orgânica e não mecânica.

  • Ateu comunista bolivariano

    BRM, assista esse documentário e vc entenderá algo + sobre EUA e suas ações na AL. como a mídia demoniza Chávez (e aliados) e guarda silêncio pros governos lacaios da CIA.
    http://video.google.com/videoplay?docid=-803717900315922061
    http://www.youtube.com/watch?v=8nn6LJpwvmY

  • Ateu comunista bolivariano

    BRM, assista esse documentário e vc entenderá algo + sobre EUA e suas ações na AL. como a mídia demoniza Chávez (e aliados) e guarda silêncio pros governos lacaios da CIA.
    http://video.google.com/videoplay?docid=-803717900315922061
    http://www.youtube.com/watch?v=8nn6LJpwvmY

  • Morena Flor

    E é justamente essa relação – na verdade, confusão! – entre ateísmo e comunismo q religiosos costumam usar p/ desqualificar os ateus.

    Tomara q esses(religiosos) leiam este artigo e ainda pesquisem mais sobre o assunto antes de saírem por aí falando besteira.

  • Morena Flor

    E é justamente essa relação – na verdade, confusão! – entre ateísmo e comunismo q religiosos costumam usar p/ desqualificar os ateus.

    Tomara q esses(religiosos) leiam este artigo e ainda pesquisem mais sobre o assunto antes de saírem por aí falando besteira.

  • Ateu comunista bolivariano

    Morena… eles falam de propósito mesmo….

  • Ateu comunista bolivariano

    Morena… eles falam de propósito mesmo….

  • Ateu comunista bolivariano

    BMS… leia esse artigo de El País sobre o “oásis capitalista” da Guatemala.
    essa “rica” nação centroamericana teve 1 “Allende” chamado Jacobo Arbenz q governou pro povo de 1951 a 54, quando foi deposto num golpe apoiado pela CIA e United Fruit.de 1954 até hoje a Guatemala teve inúmeros ditadores e “democratas” q arruinaram e massacram + de 100000, 200000 pessoas….
    Curioso q boa parte da mídia, q ataca Cuba, não fala da Guatemala.

    http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2008/01/27/ult581u2429.jhtm

    Citação:
    Guatemala, um Estado falido?
    O espanhol Carlos Castresana, presidente da Comissão Internacional contra a Impunidade, dirige a luta para fazer do país um autêntico Estado de direito

    M. Á. Bastenier
    Na Cidade da Guatemala

    A Guatemala é a Somália da América Latina? Ou seria mais o Haiti da Ibero-América? O Estado guatemalteco cumpre com impecável tenacidade todos os requisitos para se transformar em um Estado falido, se é que ainda não o é: áreas do país -chamadas de corredores estratégicos- escapam ao controle das forças de segurança e são santuários do narcotráfico; 60 mortes violentas por 100 mil habitantes por ano, quando o índice na Espanha não chega a 3; a impunidade que sorri tanto para o que joga lixo na porta do vizinho quanto para o assassino industrial em série; e um governo indiferente, que prima pela passividade, em vez de prestar serviços ao cidadão.

    AFP
    Álvaro Colom, presidente eleito democraticamente: muitos o vêem como o último trem para a salvação da Guatemala
    A Guatemala tem um novo presidente eleito democraticamente, Álvaro Colom, 57 anos, que tem o sangue-frio de se declarar social-democrata em meio a esse pandemônio, e muitos o vêem como o último trem para a salvação nacional, tarefa hercúlea para a qual conta com um Eliot Ness espanhol, como o chama o presidente da patronal, Carlos Zúñiga, cuja missão é reinventar a justiça. Como presidente da Comissão Internacional contra a Impunidade, o jurista Carlos Castresana, nomeado pela ONU por dois anos, deverá ser xerife e magistrado, policial científico e alquimista social. Sabe que sua ambição beira o milagre, mas é otimista porque pessimismo é apenas outra forma de dizer Guatemala.

    O país centro-americano assinou em 1996 acordos de paz que quase pareciam consagrar a vitória da guerrilha, 200 mil mortos e três décadas depois de iniciado o conflito. Castresana explica que aquilo foi uma ilusão. Os serviços de espionagem do exército, que tinham se infiltrado na guerrilha, foram os verdadeiros vencedores. Não só nenhum dos compromissos democratizantes foi cumprido, como a incorporação dos guerrilheiros à vida civil derivou em massacre e a desmobilização de um exército reduzido em seus efetivos aos 15 mil atuais criou uma grande massa de manobra para o crime.

    A professora de literatura e analista social Carmen Aida, da Fundação Myrna Mack, distingue quatro grandes causas de violência: criminalidade comum; bandos de jovens, as “maras”, que já se conhecem na Espanha, que começaram como mecanismos de dominação territorial e hoje são máquinas de extorsão e poder; o crime organizado ou máfias que cultivam o narcotráfico; e violência autônoma, como a dos exércitos privados de “finqueros”, militares desmobilizados e antigos patrulheiros civis que colaboravam com a milícia na guerra e que agora atuam freqüentemente por impulso ideológico para salvar o país. Para Aida, a Guatemala é uma macro-radiografia da dor.

    Falência do Estado?
    A socióloga e o jurista concordam, como praticamente o coro de personalidades consultadas, em que não há Estado falido, mas sim uma gravíssima perda de governabilidade, que empurra para o precipício. O empresário Zúñiga mede suas palavras como filigrana quando diz: “Se não se fizer algo será a perdição da Guatemala”. E o diretor do jornal “Prensa Libre”, Gonzalo Marroquín, lamenta que “o país tenha se acostumado a conviver com o fracasso”.

    O otimismo reservado de Castresana se baseia no fato de ele crer que algo importante mudou. “A elite compreendeu que se não apoiar com o esforço necessário, inclusive econômico, para a reformulação da Guatemala, perderá tudo.” Até poucos meses atrás destacados representantes dos poderes reais e até do Estado se opunham à formação da comissão presidida pelo jurista, alegando que isso significava uma “perda de soberania”; mas Castresana replica que, ao contrário, é “soberania o que se tenta devolver ao país”.

    Muitas vozes indicam que foi o assassinato de três deputados de El Salvador na Cidade da Guatemala em fevereiro passado, com grande probabilidade pelas mãos da narco-máfia, o que acabou vencendo as maiores resistências à intervenção internacional. A comissão terá 150 especialistas, dos quais 40 já estão contratados, alguns deles espanhóis, e seu primeiro encargo será resgatar a Guatemala do paleolítico da investigação judicial. “Hoje só se pratica a prova testemunhal, de forma que o suborno e a intimidação eliminam qualquer testemunha, e o que é preciso é a prova científica irrefutável, para a qual é preciso adquirir tecnologia e formar a equipe para utilizá-la”, diz Castresana. Não só Elliot Ness, mas também David Caruso, do “CSI”.

    O procurador para os Direitos Humanos Sergio Morales também se nega a admitir que isso seja a falência do Estado, mas a linguagem corporal não acompanha quando, com resignação bíblica, lembra: “De cada 250 mil crimes, só 240 investigações levam a julgamento”. E a isso poderíamos acrescentar que há 250 assaltos diários a ônibus urbanos e interurbanos. Tomar um ônibus hoje aqui é a maior profissão de risco.

    Mas Morales, uma fortaleza dentro do realismo, acrescenta: “Sou otimista porque não é produtivo ser pessimista”. Há quem lembre com sarcasmo que há dois anos salvadorenhos pouco amistosos ergueram muros em um posto de fronteira nos quais se lia: “Bem-vindos a Guate (em letras pretas) Mala (em letras vermelhas que escorriam sangue)”.

    Novo presidente
    O presidente eleito Álvaro Colom é o homem adequado, no momento adequado e no lugar adequado? Carmen Aida acredita que “ele improvisou tudo; o governo, no qual só há uma mulher e um indígena, adota muito mais um aroma de social-democracia do que verdadeira competência”. E acrescenta que, embora o presidente exerça o poder formal, não está claro quais são seus apoios no poder real para prevalecer sobre o crime.

    Monsenhor Álvaro Ramazzini, presidente da conferência episcopal, não acredita que o presidente anterior, Óscar Berger, conduzisse com acerto seus ministros, “e os congressistas também não sei o que faziam além de cobrar o salário”. Com a exceção do titular do Interior, Carlos Vielmann. Ele diz que “não enfrentavam o problema”, razão pela qual sente que é preciso dar um voto de confiança a Colom. Os entrevistados concordam que finalmente há esperança, mas não falta quem indique que quando Colom pronunciava seu discurso de posse e falava em ser “o privilégio dos pobres” exibia um relógio de ouro de 18 mil euros.

    O embrulho guatemalteco ainda deveria ser mais labiríntico se levarmos em conta que os indígenas representam os dois terços mais pobres da nação. Mas a divisão étnica extrema, como conta o espanhol residente na Cidade da Guatemala, o escritor Francisco Pérez Antón, faz que “o indígena não tenha como população um papel significativo, porque não é leal a nenhuma ideologia, mas se move através de caciques clientelistas que negociam com o poder branco um apoio sempre submisso”. E o crescimento do protestantismo evangélico, majoritariamente indígena, fomenta essa desmobilização política.

    A Guatemala de Álvaro Colom tem, apesar de tudo, uma oportunidade. A UE, segundo fontes espanholas fidedignas, guarda na manga 25 bilhões de euros para consolidar essa reengenharia. O presidente sabe disso e só é preciso ter a decisão necessária para empreender a fundo a limpeza dos estábulos de Áugias.

  • Ateu comunista bolivariano

    BMS… leia esse artigo de El País sobre o “oásis capitalista” da Guatemala.
    essa “rica” nação centroamericana teve 1 “Allende” chamado Jacobo Arbenz q governou pro povo de 1951 a 54, quando foi deposto num golpe apoiado pela CIA e United Fruit.de 1954 até hoje a Guatemala teve inúmeros ditadores e “democratas” q arruinaram e massacram + de 100000, 200000 pessoas….
    Curioso q boa parte da mídia, q ataca Cuba, não fala da Guatemala.

    http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2008/01/27/ult581u2429.jhtm

    Citação:
    Guatemala, um Estado falido?
    O espanhol Carlos Castresana, presidente da Comissão Internacional contra a Impunidade, dirige a luta para fazer do país um autêntico Estado de direito

    M. Á. Bastenier
    Na Cidade da Guatemala

    A Guatemala é a Somália da América Latina? Ou seria mais o Haiti da Ibero-América? O Estado guatemalteco cumpre com impecável tenacidade todos os requisitos para se transformar em um Estado falido, se é que ainda não o é: áreas do país -chamadas de corredores estratégicos- escapam ao controle das forças de segurança e são santuários do narcotráfico; 60 mortes violentas por 100 mil habitantes por ano, quando o índice na Espanha não chega a 3; a impunidade que sorri tanto para o que joga lixo na porta do vizinho quanto para o assassino industrial em série; e um governo indiferente, que prima pela passividade, em vez de prestar serviços ao cidadão.

    AFP
    Álvaro Colom, presidente eleito democraticamente: muitos o vêem como o último trem para a salvação da Guatemala
    A Guatemala tem um novo presidente eleito democraticamente, Álvaro Colom, 57 anos, que tem o sangue-frio de se declarar social-democrata em meio a esse pandemônio, e muitos o vêem como o último trem para a salvação nacional, tarefa hercúlea para a qual conta com um Eliot Ness espanhol, como o chama o presidente da patronal, Carlos Zúñiga, cuja missão é reinventar a justiça. Como presidente da Comissão Internacional contra a Impunidade, o jurista Carlos Castresana, nomeado pela ONU por dois anos, deverá ser xerife e magistrado, policial científico e alquimista social. Sabe que sua ambição beira o milagre, mas é otimista porque pessimismo é apenas outra forma de dizer Guatemala.

    O país centro-americano assinou em 1996 acordos de paz que quase pareciam consagrar a vitória da guerrilha, 200 mil mortos e três décadas depois de iniciado o conflito. Castresana explica que aquilo foi uma ilusão. Os serviços de espionagem do exército, que tinham se infiltrado na guerrilha, foram os verdadeiros vencedores. Não só nenhum dos compromissos democratizantes foi cumprido, como a incorporação dos guerrilheiros à vida civil derivou em massacre e a desmobilização de um exército reduzido em seus efetivos aos 15 mil atuais criou uma grande massa de manobra para o crime.

    A professora de literatura e analista social Carmen Aida, da Fundação Myrna Mack, distingue quatro grandes causas de violência: criminalidade comum; bandos de jovens, as “maras”, que já se conhecem na Espanha, que começaram como mecanismos de dominação territorial e hoje são máquinas de extorsão e poder; o crime organizado ou máfias que cultivam o narcotráfico; e violência autônoma, como a dos exércitos privados de “finqueros”, militares desmobilizados e antigos patrulheiros civis que colaboravam com a milícia na guerra e que agora atuam freqüentemente por impulso ideológico para salvar o país. Para Aida, a Guatemala é uma macro-radiografia da dor.

    Falência do Estado?
    A socióloga e o jurista concordam, como praticamente o coro de personalidades consultadas, em que não há Estado falido, mas sim uma gravíssima perda de governabilidade, que empurra para o precipício. O empresário Zúñiga mede suas palavras como filigrana quando diz: “Se não se fizer algo será a perdição da Guatemala”. E o diretor do jornal “Prensa Libre”, Gonzalo Marroquín, lamenta que “o país tenha se acostumado a conviver com o fracasso”.

    O otimismo reservado de Castresana se baseia no fato de ele crer que algo importante mudou. “A elite compreendeu que se não apoiar com o esforço necessário, inclusive econômico, para a reformulação da Guatemala, perderá tudo.” Até poucos meses atrás destacados representantes dos poderes reais e até do Estado se opunham à formação da comissão presidida pelo jurista, alegando que isso significava uma “perda de soberania”; mas Castresana replica que, ao contrário, é “soberania o que se tenta devolver ao país”.

    Muitas vozes indicam que foi o assassinato de três deputados de El Salvador na Cidade da Guatemala em fevereiro passado, com grande probabilidade pelas mãos da narco-máfia, o que acabou vencendo as maiores resistências à intervenção internacional. A comissão terá 150 especialistas, dos quais 40 já estão contratados, alguns deles espanhóis, e seu primeiro encargo será resgatar a Guatemala do paleolítico da investigação judicial. “Hoje só se pratica a prova testemunhal, de forma que o suborno e a intimidação eliminam qualquer testemunha, e o que é preciso é a prova científica irrefutável, para a qual é preciso adquirir tecnologia e formar a equipe para utilizá-la”, diz Castresana. Não só Elliot Ness, mas também David Caruso, do “CSI”.

    O procurador para os Direitos Humanos Sergio Morales também se nega a admitir que isso seja a falência do Estado, mas a linguagem corporal não acompanha quando, com resignação bíblica, lembra: “De cada 250 mil crimes, só 240 investigações levam a julgamento”. E a isso poderíamos acrescentar que há 250 assaltos diários a ônibus urbanos e interurbanos. Tomar um ônibus hoje aqui é a maior profissão de risco.

    Mas Morales, uma fortaleza dentro do realismo, acrescenta: “Sou otimista porque não é produtivo ser pessimista”. Há quem lembre com sarcasmo que há dois anos salvadorenhos pouco amistosos ergueram muros em um posto de fronteira nos quais se lia: “Bem-vindos a Guate (em letras pretas) Mala (em letras vermelhas que escorriam sangue)”.

    Novo presidente
    O presidente eleito Álvaro Colom é o homem adequado, no momento adequado e no lugar adequado? Carmen Aida acredita que “ele improvisou tudo; o governo, no qual só há uma mulher e um indígena, adota muito mais um aroma de social-democracia do que verdadeira competência”. E acrescenta que, embora o presidente exerça o poder formal, não está claro quais são seus apoios no poder real para prevalecer sobre o crime.

    Monsenhor Álvaro Ramazzini, presidente da conferência episcopal, não acredita que o presidente anterior, Óscar Berger, conduzisse com acerto seus ministros, “e os congressistas também não sei o que faziam além de cobrar o salário”. Com a exceção do titular do Interior, Carlos Vielmann. Ele diz que “não enfrentavam o problema”, razão pela qual sente que é preciso dar um voto de confiança a Colom. Os entrevistados concordam que finalmente há esperança, mas não falta quem indique que quando Colom pronunciava seu discurso de posse e falava em ser “o privilégio dos pobres” exibia um relógio de ouro de 18 mil euros.

    O embrulho guatemalteco ainda deveria ser mais labiríntico se levarmos em conta que os indígenas representam os dois terços mais pobres da nação. Mas a divisão étnica extrema, como conta o espanhol residente na Cidade da Guatemala, o escritor Francisco Pérez Antón, faz que “o indígena não tenha como população um papel significativo, porque não é leal a nenhuma ideologia, mas se move através de caciques clientelistas que negociam com o poder branco um apoio sempre submisso”. E o crescimento do protestantismo evangélico, majoritariamente indígena, fomenta essa desmobilização política.

    A Guatemala de Álvaro Colom tem, apesar de tudo, uma oportunidade. A UE, segundo fontes espanholas fidedignas, guarda na manga 25 bilhões de euros para consolidar essa reengenharia. O presidente sabe disso e só é preciso ter a decisão necessária para empreender a fundo a limpeza dos estábulos de Áugias.

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