Em defesa do Papa Bento XVI
Os milhares de fanáticos que ululam nas ruas da Turquia não são meros manifestantes que detestam um homem de negócios que anda a vender a fé – Bento XVI -, são bandos de intolerantes que se julgam detentores da verdade única e do único Deus verdadeiro.
Impedir a livre circulação de um indivíduo contra quem não existe qualquer mandado de captura, é um acto de proselitismo que a demência da fé alimenta. Não interessa se o Papa é igual aos que o contestam, se o monarca absoluto do Vaticano pensa de Maomé o que este pensava do toucinho, se está igualmente convencido de que as mentiras da sua Igreja são verdades únicas e o seu Deus o único com certificado de garantia.
O que está em causa é a liberdade de circulação de pessoas e mercadorias, direito de que gozam o Sr. Ratzinger e a água benta. As bênçãos que leva, e não precisa de declarar à alfândega, destinam-se apenas a quem aprecia mercadorias sem existência física.
Nenhum país é livre se não assegurar a liberdade de circulação, mesmo aos charlatães, enquanto não transitar em julgado uma sentença de um tribunal independente que os reconheça como tal e os condene.
Não está em causa gostar ou não de um indivíduo de quem Deus, se existisse, também não gostaria. Está em causa a liberdade.
Eis a razão de um ateu para defender o direito do Papa católico, embusteiro de milagres, indulgências e outras trapaças, a viajar pelo mundo e a promover os seus negócios. É, aliás, o direito que os ateus reclamam para denunciar as mentiras da fé.
Combater ideias sem molestar as pessoas é um direito democrático que os beatos não aceitam. É por isso que a laicidade do Estado se torna tão necessária e urgente.
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