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A ignorância de Deus

Deus não está morto, arrasta-se em lenta e dolorosa agonia, que os padres disfarçam com missas e orações, numa vida vegetativa que serve os interesses dos parasitas.

Um dia acabam-lhe com o Inferno – fonte tradicional de rendimento, quase tão eficaz para a devoção como os métodos do Santo Ofício. Depois eliminam-lhe o Purgatório que tantas missas e orações rendeu. Agora até o Limbo foi à praça e, não tendo havido licitações, foi abatido ao activo para fugir ao Imposto Municipal sobre Imóveis.

Resta o Paraíso, desacreditado e triste, à espera de supersticiosos e desesperados, onde se encontram santos pouco recomendáveis e a fauna divina com ar soturno.

Deus, no seu ódio ao progresso e à modernidade, deixou escapar os subsídios da Comunidade Europeia para fazer uma reciclagem e aprender línguas, para se adaptar aos novos tempos e à democracia.

É por isso que deixou de ouvir as preces dos créus, balbuciadas nas línguas autóctones apesar de Bush estar convencido de que o americano é a língua sagrada importada de Londres onde julga que Cristo fez estudos universitários.

O Sapatinhos Vermelhos, enquanto tirava as medidas para um novo vestidinho de seda e experimentava um chapéu de museu, pensou em regressar ao latim para ver se o patrão percebe os pedidos dos padres e recupera o prestígio da sua Igreja.

O Deus do Islão, mais primário que o dos cristãos, só percebe árabe mas há-de julgar-se um intelectual, comparado com o seu Profeta que não conseguiu aprender a ler e anda feliz com multidões embrutecidas pelos mullahs capazes de todas as torpezas.

Enquanto o Deus do Papa se encontra ligado à máquina, com respiração assistida, B16 regressa ao latim para lhe levar algum ânimo. Para isso tem de se submeter à exigência da Sociedade do Santo Pio X (SSPX), um grupo com sede na Suíça fundado pelo falecido arcebispo Marcel Lefebvre, de pendor francamente fascista e anti-semita.

Mas isso não é problema para B 16. Apesar de excomungado já o recebeu em euforia e mantém uma relação tão cordial como a que um boato atribui à de Deus com os anjos.

Em breve teremos de volta o latim e o Sol a girar à volta da Terra. Depois, as almas voltam ao redil do Vaticano e os beatos lambem as mãos dos padres e extasiam-se à passagem de Sua Santidade.

6 thoughts on “A ignorância de Deus”
  • MC

    Bom dia, Carlos Esperança 🙂

    citei-vos, num texto lá no meu blogue, e atribui a expressão ao Ricardo Alves, espero não tem metido água. Eu não vos excomungo e vocês por favor não me metam um processo por apropriação indevida de ideias magníficas e originais. Mas é que ficava a matar no meu texto.

    PS- não fiz o link para o vosso blogue porque continuo uma incorrigivel preguiçosa. Mas como a vossa fama, vai muito além dos meus pobres devaneios bloguistas, espero que não se zanguem muito comigo. 🙂

    Abraço

  • MC

    Bom dia, Carlos Esperança :)citei-vos, num texto lá no meu blogue, e atribui a expressão ao Ricardo Alves, espero não tem metido água. Eu não vos excomungo e vocês por favor não me metam um processo por apropriação indevida de ideias magníficas e originais. Mas é que ficava a matar no meu texto.PS- não fiz o link para o vosso blogue porque continuo uma incorrigivel preguiçosa. Mas como a vossa fama, vai muito além dos meus pobres devaneios bloguistas, espero que não se zanguem muito comigo. :)Abraço

  • MC

    Bom dia, Carlos Esperança :)citei-vos, num texto lá no meu blogue, e atribui a expressão ao Ricardo Alves, espero não tem metido água. Eu não vos excomungo e vocês por favor não me metam um processo por apropriação indevida de ideias magníficas e originais. Mas é que ficava a matar no meu texto.PS- não fiz o link para o vosso blogue porque continuo uma incorrigivel preguiçosa. Mas como a vossa fama, vai muito além dos meus pobres devaneios bloguistas, espero que não se zanguem muito comigo. :)Abraço

  • Carlos Esperança

    Aqui fica o perdão ateu, sem obrigação de penitência.

    Carlos Esperança

  • Carlos Esperança

    Aqui fica o perdão ateu, sem obrigação de penitência.Carlos Esperança

  • Carlos Esperança

    Aqui fica o perdão ateu, sem obrigação de penitência.Carlos Esperança

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