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Igreja Católica e Holocausto – Não havia necessidade

Mussolini com os pios Pios, versão Diego Rivera e versão ao vivo.

Para além da extinção da Acção Católica, a encíclica Non Abbiamo Bisogno – que se pode traduzir livremente por «Não havia necessidade» – carpe a diminuição da importância da igreja no proselitismo de crianças e jovens. Lavagem cerebral desde a tenra infância transferida para o Estado fascista, que segundo Pio XI, «monopolizando completamente os jovens, desde os seus mais tenros anos até à idade adulta, para o benefício exclusivo de um partido e de um partido baseado numa ideologia que claramente se revela numa verdadeira adoração pagã do Estado» «proíbe as pequenas crianças de irem para Jesus Cristo».

Ou seja, Pio XI, condena essencialmente Mussolini (e Hitler) por este pôr lado a lado a desejada idolatria da Igreja Católica com a «Estatolatria», expressa concisamente na máxima fascista: Tutto nello Stato, niente al di fuori dello Stato, nulla contro lo Stato (Tudo no Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado). Ou seja ainda, é «uma injustificável pretensão que é irreconciliável com o nome e a profissão de fé católica, ensinar à Igreja e ao Papa o que é suficiente ou deve ser suficiente para a Educação e formação cristã da alma», isto é, decidir a quantidade de proselitismo que a Igreja pode levar a cabo nas instituições públicas, violando assim «outro direito da Igreja igualmente inviolável», o direito ao proselitismo exclusivo e ilimitado .

Relembrando que «é um erro grave e desastroso» acreditar e passar a mensagem que é suficiente «a instrução religiosa dada nas escolas e a presença de padres nas Associações de Juventude do Partido [Fascista]. As duas são certamente necessárias».

Mas «não são suficientes», apenas permitem à Igreja «o mínimo da sua efectividade espiritual e sobrenatural» já que são conduzidas numa «concepção de Estado que faz com que as gerações em crescimento pertençam a ele [Estado] inteiramente, sem alguma excepção» o que não pode «ser reconciliado com a doutrina católica ou com os direitos naturais da família», que reinvidicam esse privilégio para a Igreja, acrescentando que «não é possível a um católico aceitar a pretensão de que a Igreja e o Papa se devem limitar às práticas exteriores da religião».

Mas Pio XI esclarece que «Nós não dissemos que queremos condenar o partido [fascista]». Muito longe disso. De facto «Nós realizámos um bom trabalho em prol do partido [fascista]» e «Já dissemos que conservamos e conservaremos uma lembrança e uma eterna gratidão pelo que foi feito em Itália pelo bem da religião [católica, claro]».

O Papa queixa-se apenas da «ingratidão» dos fascistas italianos a quem, como Pio XI recorda, lhes concedeu todo o apoio, e agora querem limitar o poder da Igreja. Mas deixa o aviso que, para se impor num país de cultura católica como a Itália, o fascismo não pode hostilizar a Santa Sé. «Que interesse e que sucesso pode ter um partido, num país católico como a Itália, mantendo no seu programa, ideias e práticas que não podem ser reconciliadas com a consciência católica?».

Porque a alegação de que «A Itália é um país católico mas anti-clerical» é uma blasfémia já que «ninguém está nesta única Igreja de Cristo e ninguém nela permanece a não ser que, obedecendo, reconheça e acate o poder de Pedro e de seus sucessores legítimos». (Encíclica Mortalium animos, de 6 de Janeiro de 1928)

Assim, Pio XI expressa a sua «esperança confiante» de que tais ideias e práticas sejam abandonadas e assim seja devolvido à Igreja o que é dela por «mandado divino»: «a educação e formação cristã dos jovens» que ela [Igreja] «deve sempre reclamar com uma insistência e intransigência que nunca pode cessar ou enfraquecer».

Ou seja, a encíclica exprime o desejo de convivência do Vaticano com o regime fascista e expressa uma condenação não de doutrinas mas de acções pontuais que limitam a influência da Igreja Católica, «a depositária infalível da verdade».

Em relação às perseguições feitas a Judeus e outros grupos, as encíclicas Non abbiamo bisogno e Mit brennender Sorge e são completamente omissas, com uma «honrosa» excepção, na primeira, para louvar a perseguição movida pelos fascistas italianos ao «socialismo e organizações anti-religiosas» naquele país.

Pouco depois da publicação da enciclica «Não havia necessidade», Mussolini cede à pressão do Vaticano e à pressão internacional que a extinção da Acção Católica italiana despoletou e esta volta em força à cena política italiana.

Em 1932, Pio XI recebe Mussolini por ocasião da celebração do décimo aniversário da sua tomada de poder e confere-lhe a l’Ordine dello Speron d’Oro. Mussolini retribui agraciando Eugenio Pacelli, núncio apostólico na Alemanha de Hitler e futuro Pio XII, com o Collare dell’Annunziata, a mais alta condecoração da casa de Sabóia, abolida com a implantação da República em 1946.

11 thoughts on “Igreja Católica e Holocausto – Não havia necessidade”
  • bruno cardoso reis

    Cara Palmira

    Não exiba a sua ignorância. Em 1931 não havia perseguição dos judeus em Itália. Pelo contrário, nessa altura ainda havia muitos judeus no Partido Fascista.

    As leis raciais italianas datam de 1938 e foram muito atacadas pela Igreja. Pio XI empenhou-se pessoalmente nisso, e conseguiu algumas emendas que lhe atenuaram o efeito. O que não falta é documentação sobre isso. Nomeadamente portuguesa.

    E sobre o anti-clericalismo e anti-catolicismo de Mussolini? Nada?! Não me diga que tem vergonha da herança? Olhe que as citações nunca mais acabam.

    Já agora era a favor do quê? Da intervenção política da Igreja contra Mussolini!?! Julguei que era uma jacobina!!! Padres só na sacristia e por especial favor!

    E sabe qual é a piada maior? É que o Vaticano esteve realmente envolvida na queda de Mussolini em 1943, e nas negociações secretas para uma paz separada entre a Itália e os Aliados.

  • bruno cardoso reis

    Cara PalmiraNão exiba a sua ignorância. Em 1931 não havia perseguição dos judeus em Itália. Pelo contrário, nessa altura ainda havia muitos judeus no Partido Fascista. As leis raciais italianas datam de 1938 e foram muito atacadas pela Igreja. Pio XI empenhou-se pessoalmente nisso, e conseguiu algumas emendas que lhe atenuaram o efeito. O que não falta é documentação sobre isso. Nomeadamente portuguesa.E sobre o anti-clericalismo e anti-catolicismo de Mussolini? Nada?! Não me diga que tem vergonha da herança? Olhe que as citações nunca mais acabam.Já agora era a favor do quê? Da intervenção política da Igreja contra Mussolini!?! Julguei que era uma jacobina!!! Padres só na sacristia e por especial favor!E sabe qual é a piada maior? É que o Vaticano esteve realmente envolvida na queda de Mussolini em 1943, e nas negociações secretas para uma paz separada entre a Itália e os Aliados.

  • bruno cardoso reis

    Cara PalmiraNão exiba a sua ignorância. Em 1931 não havia perseguição dos judeus em Itália. Pelo contrário, nessa altura ainda havia muitos judeus no Partido Fascista. As leis raciais italianas datam de 1938 e foram muito atacadas pela Igreja. Pio XI empenhou-se pessoalmente nisso, e conseguiu algumas emendas que lhe atenuaram o efeito. O que não falta é documentação sobre isso. Nomeadamente portuguesa.E sobre o anti-clericalismo e anti-catolicismo de Mussolini? Nada?! Não me diga que tem vergonha da herança? Olhe que as citações nunca mais acabam.Já agora era a favor do quê? Da intervenção política da Igreja contra Mussolini!?! Julguei que era uma jacobina!!! Padres só na sacristia e por especial favor!E sabe qual é a piada maior? É que o Vaticano esteve realmente envolvida na queda de Mussolini em 1943, e nas negociações secretas para uma paz separada entre a Itália e os Aliados.

  • Palmira F. da Silva

    O artigo foi apresentado em 3 partes de forma que talvez não tenha ficado claro que as enciclicas a que me referia são aquelas com que começei o artigo:

    Non Abbiamo Bisogno 1931 e
    Mit brennender Sorge, Março de 1937

    Já agora, não vi alguma enciclica ou outro documento, sequer um discurso de Pio XI em que ele condenasse o anti-semitismo.

    É giro como os católicos engolem o revisionismo que o Vaticano «vende» e tentam defender a sua «dama» com dados inconfirmáveis. Essa das negociações secretas do Vaticano é nova 🙂

  • Palmira F. da Silva

    O artigo foi apresentado em 3 partes de forma que talvez não tenha ficado claro que as enciclicas a que me referia são aquelas com que começei o artigo:Non Abbiamo Bisogno 1931 e Mit brennender Sorge, Março de 1937Já agora, não vi alguma enciclica ou outro documento, sequer um discurso de Pio XI em que ele condenasse o anti-semitismo.É giro como os católicos engolem o revisionismo que o Vaticano «vende» e tentam defender a sua «dama» com dados inconfirmáveis. Essa das negociações secretas do Vaticano é nova 🙂

  • Palmira F. da Silva

    O artigo foi apresentado em 3 partes de forma que talvez não tenha ficado claro que as enciclicas a que me referia são aquelas com que começei o artigo:Non Abbiamo Bisogno 1931 e Mit brennender Sorge, Março de 1937Já agora, não vi alguma enciclica ou outro documento, sequer um discurso de Pio XI em que ele condenasse o anti-semitismo.É giro como os católicos engolem o revisionismo que o Vaticano «vende» e tentam defender a sua «dama» com dados inconfirmáveis. Essa das negociações secretas do Vaticano é nova 🙂

  • Palmira F. da Silva

    Já agora as negociações secretas de que o Bruno fala não será a na Conferência de Casablanca, em Janeiro de 1943? Quando o rumo da guerra já estava definido? Um depois de, a 1 de Janeiro de 1942, a declaração dita “das Nações Unidas”, que se seguiu à Carta do Atlântico (Março de 1941) ter sido assinada por vinte e seis Estados? Ditando o fim anunciado do Eixo?

    Pacelli, embora não representasse qualquer organização aliada, participou na dita conferência (desse encontro não participou Stalin). Mas não esteve nem de longe envolvido na queda de Mussolini; isso foi uma consequência (indesejada por Pacelli) da acção dos Aliados.

    Bem pelo contrário, Pacelli opôs-se ostensivamente à rendição incondicional das potências, condição já estabelecida pelos aliados, nomeadamente Roosevelt e Churchill.

    E não esqueçamos que o desembarque dos Aliados na Sicilia que ocorreu uns meros 6 meses depois (10 de Julho). Foi este desembarque que provocou a queda de Mussolini (24 de Julho), preso pelo rei e substituído por Badoglio.

    Já agora em 1944 e 1946, Pio XII, resolutamente, absolveu o III Reich de qualquer responsabilidade pelas atrocidades nazis, alegando que o Poder do proletariado era o ?pior inimigo?.

  • Palmira F. da Silva

    Já agora as negociações secretas de que o Bruno fala não será a na Conferência de Casablanca, em Janeiro de 1943? Quando o rumo da guerra já estava definido? Um depois de, a 1 de Janeiro de 1942, a declaração dita “das Nações Unidas”, que se seguiu à Carta do Atlântico (Março de 1941) ter sido assinada por vinte e seis Estados? Ditando o fim anunciado do Eixo?Pacelli, embora não representasse qualquer organização aliada, participou na dita conferência (desse encontro não participou Stalin). Mas não esteve nem de longe envolvido na queda de Mussolini; isso foi uma consequência (indesejada por Pacelli) da acção dos Aliados.Bem pelo contrário, Pacelli opôs-se ostensivamente à rendição incondicional das potências, condição já estabelecida pelos aliados, nomeadamente Roosevelt e Churchill.E não esqueçamos que o desembarque dos Aliados na Sicilia que ocorreu uns meros 6 meses depois (10 de Julho). Foi este desembarque que provocou a queda de Mussolini (24 de Julho), preso pelo rei e substituído por Badoglio. Já agora em 1944 e 1946, Pio XII, resolutamente, absolveu o III Reich de qualquer responsabilidade pelas atrocidades nazis, alegando que o Poder do proletariado era o ?pior inimigo?.

  • bruno cardoso reis

    Não faltam acções, artigos, documentos papais a condenar o racismo neste período – nomeadamente a excomunhão da Acção Francesa em 1928, ou a encíclica Mit Brennender Sorge de 1937, o único texto de tal teor, que eu saiba, que qualquer organização teve a coragem de apresentar no interior da Alemanha nazi, pois foi lido em todas as igrejas católicas alemãs. Ou, já pelo papa Pio XII a sua primeira encíclica Summi Pontificatus precisamente sobre a Unidade Fundamental da Sociedade Humana e afirma explicitamente, citando São Paulo, que para a Igreja não há distinção entre judeus e gentios.

    A queda de Mussolini deu-se realmente em 1943, quando os aliados já tinham invadido a Itália, mas enfrentavam cada vez maiores dificuldades, e Roma estava cheia de tropas alemãs (que ocuparam a cidade e tomaram controlo da Itália central e do norte quando o novo governo que afastou Mussolini anunciou a paz com os aliados). Foi depois da queda de Mussolini e no contexto da reocupação de Roma nessa altura que Hitler mandou preparar uma operação especial para tomar o Vaticano, mas acabou por ser dissuadido disso pelo terrível impacto na opinião pública alemã e internacional da prisão ou eventual morte do papa. O papa Pio XII nunca esteve em Casablanca. Nunca saiu de Roma e do Vaticano durante este período. As negociações secretas foram facilitadas por vários canais vaticanos.

    Pio XII nunca absolveu o nazismo de nada. É claro que se opunha igualmente à ditadura comunista. Porque é que não o haveria de fazer? Mas é falso que tenha favorecido os nazis por estes terem invadido a URSS. Pelo contrário. Quando o embaixador italiano veio procurá-lo em 1941 para que proclamasse uma cruzada contra o comunismo, ele recusou-se e disse que, pelo contrário, deveria pronunciar “palavras de fogo” sobre o que se passava na Polónia (onde se situavam a maior parte dos campos de concentração) não fosse o seu receio de que isso resultasse ainda em mais vítimas.
    Na mesma altura o presidente Roosevelt pediu-lhe ajuda, porque havia bispos católicos que se opunham ao envio de material norte-americana para ajudar a URSS ateia e perseguidor dos cristãos – uma ajuda que foi essencial para sustentar a resistência soviética. Pio XII acedeu, e enviou instruções aos bispos americanos explicando que a ajuda norte-americana se destinava à defesa do povo russo e não do regime comunista e era portanto legítima.

    Pio XII, aliás, enquanto núncio na Alemanha nos anos vinte, esteve durante anos encarregado de negociar secretamente com a URSS no sentido de acabarem as perseguições aos critãos e as Igrejas terem o mínimo de condições em troca de garantias de que não hostilizariam o regime. Moscovo no final vetou todas as possibilidades de acordo: queria mão livre para poder continuar a promover o ateísmo pela força.

  • bruno cardoso reis

    Não faltam acções, artigos, documentos papais a condenar o racismo neste período – nomeadamente a excomunhão da Acção Francesa em 1928, ou a encíclica Mit Brennender Sorge de 1937, o único texto de tal teor, que eu saiba, que qualquer organização teve a coragem de apresentar no interior da Alemanha nazi, pois foi lido em todas as igrejas católicas alemãs. Ou, já pelo papa Pio XII a sua primeira encíclica Summi Pontificatus precisamente sobre a Unidade Fundamental da Sociedade Humana e afirma explicitamente, citando São Paulo, que para a Igreja não há distinção entre judeus e gentios.A queda de Mussolini deu-se realmente em 1943, quando os aliados já tinham invadido a Itália, mas enfrentavam cada vez maiores dificuldades, e Roma estava cheia de tropas alemãs (que ocuparam a cidade e tomaram controlo da Itália central e do norte quando o novo governo que afastou Mussolini anunciou a paz com os aliados). Foi depois da queda de Mussolini e no contexto da reocupação de Roma nessa altura que Hitler mandou preparar uma operação especial para tomar o Vaticano, mas acabou por ser dissuadido disso pelo terrível impacto na opinião pública alemã e internacional da prisão ou eventual morte do papa. O papa Pio XII nunca esteve em Casablanca. Nunca saiu de Roma e do Vaticano durante este período. As negociações secretas foram facilitadas por vários canais vaticanos.Pio XII nunca absolveu o nazismo de nada. É claro que se opunha igualmente à ditadura comunista. Porque é que não o haveria de fazer? Mas é falso que tenha favorecido os nazis por estes terem invadido a URSS. Pelo contrário. Quando o embaixador italiano veio procurá-lo em 1941 para que proclamasse uma cruzada contra o comunismo, ele recusou-se e disse que, pelo contrário, deveria pronunciar “palavras de fogo” sobre o que se passava na Polónia (onde se situavam a maior parte dos campos de concentração) não fosse o seu receio de que isso resultasse ainda em mais vítimas.Na mesma altura o presidente Roosevelt pediu-lhe ajuda, porque havia bispos católicos que se opunham ao envio de material norte-americana para ajudar a URSS ateia e perseguidor dos cristãos – uma ajuda que foi essencial para sustentar a resistência soviética. Pio XII acedeu, e enviou instruções aos bispos americanos explicando que a ajuda norte-americana se destinava à defesa do povo russo e não do regime comunista e era portanto legítima.Pio XII, aliás, enquanto núncio na Alemanha nos anos vinte, esteve durante anos encarregado de negociar secretamente com a URSS no sentido de acabarem as perseguições aos critãos e as Igrejas terem o mínimo de condições em troca de garantias de que não hostilizariam o regime. Moscovo no final vetou todas as possibilidades de acordo: queria mão livre para poder continuar a promover o ateísmo pela força.

  • bruno cardoso reis

    Não faltam acções, artigos, documentos papais a condenar o racismo neste período – nomeadamente a excomunhão da Acção Francesa em 1928, ou a encíclica Mit Brennender Sorge de 1937, o único texto de tal teor, que eu saiba, que qualquer organização teve a coragem de apresentar no interior da Alemanha nazi, pois foi lido em todas as igrejas católicas alemãs. Ou, já pelo papa Pio XII a sua primeira encíclica Summi Pontificatus precisamente sobre a Unidade Fundamental da Sociedade Humana e afirma explicitamente, citando São Paulo, que para a Igreja não há distinção entre judeus e gentios.A queda de Mussolini deu-se realmente em 1943, quando os aliados já tinham invadido a Itália, mas enfrentavam cada vez maiores dificuldades, e Roma estava cheia de tropas alemãs (que ocuparam a cidade e tomaram controlo da Itália central e do norte quando o novo governo que afastou Mussolini anunciou a paz com os aliados). Foi depois da queda de Mussolini e no contexto da reocupação de Roma nessa altura que Hitler mandou preparar uma operação especial para tomar o Vaticano, mas acabou por ser dissuadido disso pelo terrível impacto na opinião pública alemã e internacional da prisão ou eventual morte do papa. O papa Pio XII nunca esteve em Casablanca. Nunca saiu de Roma e do Vaticano durante este período. As negociações secretas foram facilitadas por vários canais vaticanos.Pio XII nunca absolveu o nazismo de nada. É claro que se opunha igualmente à ditadura comunista. Porque é que não o haveria de fazer? Mas é falso que tenha favorecido os nazis por estes terem invadido a URSS. Pelo contrário. Quando o embaixador italiano veio procurá-lo em 1941 para que proclamasse uma cruzada contra o comunismo, ele recusou-se e disse que, pelo contrário, deveria pronunciar “palavras de fogo” sobre o que se passava na Polónia (onde se situavam a maior parte dos campos de concentração) não fosse o seu receio de que isso resultasse ainda em mais vítimas.Na mesma altura o presidente Roosevelt pediu-lhe ajuda, porque havia bispos católicos que se opunham ao envio de material norte-americana para ajudar a URSS ateia e perseguidor dos cristãos – uma ajuda que foi essencial para sustentar a resistência soviética. Pio XII acedeu, e enviou instruções aos bispos americanos explicando que a ajuda norte-americana se destinava à defesa do povo russo e não do regime comunista e era portanto legítima.Pio XII, aliás, enquanto núncio na Alemanha nos anos vinte, esteve durante anos encarregado de negociar secretamente com a URSS no sentido de acabarem as perseguições aos critãos e as Igrejas terem o mínimo de condições em troca de garantias de que não hostilizariam o regime. Moscovo no final vetou todas as possibilidades de acordo: queria mão livre para poder continuar a promover o ateísmo pela força.

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