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«Juntos contra o novo totalitarismo»

Um grupo de escritores e intelectuais em que se incluem, entre outros, Salman Rushdie, Ayaan Hirsi Ali, Taslima Nasreen, Ibn Warraq, Caroline Fourest e Bernard-Henri Lévy, publicou ontem um Manifesto intitulado «Juntos contra o novo totalitarismo». Nele, os autores afirmam que o mundo se encontra «face a uma nova ameaça totalitária global: o islamismo», e que a resposta passa pela «promoção, para todos, da liberdade, da igualdade de oportunidades e dos valores laicos», valores esses que consideram universais.

O Manifesto foi publicado no jornal dinamarquês Jyllands-Posten e no jornal satírico francês Charlie-Hebdo e faz referência à crise desencadeada pela publicação das caricaturas de Maomé. Distancia-se das análises que insistem no «choque de civilizações» ou no antagonismo entre «Ocidente» e «Oriente», respondendo-lhes que assistimos, isso sim, a uma «luta global que confronta democratas e teocratas». Dado que ainda recentemente insisti que a clivagem é entre laicistas e clericais, não posso deixar de concordar. O Manifesto critica também o «relativismo cultural», que define como a aceitação de que «homens e mulheres de cultura muçulmana deveriam ser privados do seu direito à igualdade, à liberdade e aos valores laicos em nome do respeito pelas culturas e tradições». A terminar, os autores expressam o desejo de que «o nosso século seja um século de Iluminismo e não de obscurantismo». É um desejo que, evidentemente, partilho.
11 thoughts on “«Juntos contra o novo totalitarismo»”
  • zoltrix

    Totalitarismo? De quem? Islâmicos?
    Olha, olha…! E eu a pensar que o totalitarismo era o do Império! Aquele, dos americães!!!!
    Ainda tou para saber ( saberemos) o que faz correr aquela gente contra o «obscurantismo»!
    É evidente que se está perante uma manobra de pura diversão e de oportunismo!!!! Uma coisa é certa: os garotos da Intifada são analbabetos funcionais mas não são alienados como no Ocidente. O Islão é tudo o que sabemos mas não é nenhum inimigo para nós!
    Este blogue às vezes deixa-me espantado com tanta confusão de ideias….
    Mas enfim, todos podemos errar ou opinar. ( por enquanto…)

  • zoltrix

    Totalitarismo? De quem? Islâmicos?Olha, olha…! E eu a pensar que o totalitarismo era o do Império! Aquele, dos americães!!!!Ainda tou para saber ( saberemos) o que faz correr aquela gente contra o «obscurantismo»!É evidente que se está perante uma manobra de pura diversão e de oportunismo!!!! Uma coisa é certa: os garotos da Intifada são analbabetos funcionais mas não são alienados como no Ocidente. O Islão é tudo o que sabemos mas não é nenhum inimigo para nós!Este blogue às vezes deixa-me espantado com tanta confusão de ideias….Mas enfim, todos podemos errar ou opinar. ( por enquanto…)

  • Ricardo Alves

    Caro «zoltrix»,
    o seu comentário é divertido a vários títulos.
    Em primeiro lugar, a fixação anti-americana, que até o leva insinuar que não sabemos «o que faz correr aquela gente contra o obscurantismo». A esse respeito, aconselho-o a ler as biografias das pessoas que assinaram o manifesto. Talvez o ajude a compreender as motivações destas pessoas.
    Em segundo lugar, dizer que «o Islão é tudo o que sabemos mas não é nenhum inimigo para nós». Pois, é a sua opinião. Note que o Manifesto fala em «islamismo» (a ideologia política) e não em «Islão» (a religião). Se acha que o islamismo, com o papel que desempenha na opressão das mulheres, das minorias sexuais, na perpetuação do obscurantismo, etc, não é seu inimigo, olhe: nada tenho a acrescentar… Resta-me desejar-lhe uma boa missa.

  • Ricardo Alves

    Caro «zoltrix»,o seu comentário é divertido a vários títulos.Em primeiro lugar, a fixação anti-americana, que até o leva insinuar que não sabemos «o que faz correr aquela gente contra o obscurantismo». A esse respeito, aconselho-o a ler as biografias das pessoas que assinaram o manifesto. Talvez o ajude a compreender as motivações destas pessoas.Em segundo lugar, dizer que «o Islão é tudo o que sabemos mas não é nenhum inimigo para nós». Pois, é a sua opinião. Note que o Manifesto fala em «islamismo» (a ideologia política) e não em «Islão» (a religião). Se acha que o islamismo, com o papel que desempenha na opressão das mulheres, das minorias sexuais, na perpetuação do obscurantismo, etc, não é seu inimigo, olhe: nada tenho a acrescentar… Resta-me desejar-lhe uma boa missa.

  • A. Cabral

    Caro Ricardo,

    E’ facil demitir um argumento com antis-***, igualmente podia disparar do outro lado que isto e’ islamofobia, sera que nos ajudar a perceber o que se passa?

    E’ seguro, empirico ate que a ideia dos choques das civilizacoes tem a sua expressao mais elaborado nos EUA, e parece-me meter a cabeca na areia julgar que eles nao tem nada a ver com este debate. Preocupa-me que os intelectuais franceses se disponham a disparar a culpa alem fronteiras sem analizar o papel que a direita europeia tem assumido nesta controversia. Parece-me que em justica ha responsabilidades a distribuir. E apesar dos intelectuais franceses conhecerem a distincao entre Islao e islamismo lamento que para a maioria do publico europeu essa na seja tao clara, leiam-se os editoriais do Jose Manuel Fernandes que em analogias com a historia do imperio romano, nos anunciam uma guerra para defesa da nossa civilizacao contra as hordes barbaras.

  • A. Cabral

    Caro Ricardo, E’ facil demitir um argumento com antis-***, igualmente podia disparar do outro lado que isto e’ islamofobia, sera que nos ajudar a perceber o que se passa? E’ seguro, empirico ate que a ideia dos choques das civilizacoes tem a sua expressao mais elaborado nos EUA, e parece-me meter a cabeca na areia julgar que eles nao tem nada a ver com este debate. Preocupa-me que os intelectuais franceses se disponham a disparar a culpa alem fronteiras sem analizar o papel que a direita europeia tem assumido nesta controversia. Parece-me que em justica ha responsabilidades a distribuir. E apesar dos intelectuais franceses conhecerem a distincao entre Islao e islamismo lamento que para a maioria do publico europeu essa na seja tao clara, leiam-se os editoriais do Jose Manuel Fernandes que em analogias com a historia do imperio romano, nos anunciam uma guerra para defesa da nossa civilizacao contra as hordes barbaras.

  • Ricardo Alves

    Caro A. Cabral,
    é evidente que é fácil aniquilar qualquer debate apendendo etiquetas «anti-» e «pró-» a eito. Se se juntar a isso uma boa dose de processos de intenção, o debate fica impossível…

    Este manifesto é importante quer por distinguir o islamismo do Islão, quer por rejeitar o «relativismo cultural», quer por criticar o putativo «choque de civilizações».

    E atenção, nem todos os intelectuais que assinam este manifesto são franceses. O Rushdie é de origem indiana, a Taslima Nasreen do Bangladesh, a Hirsi Ali da Somália (vive na Holanda), a Maryam Namazie do Irão (vive em Londres), e por aí já se vê…

  • Ricardo Alves

    Caro A. Cabral,é evidente que é fácil aniquilar qualquer debate apendendo etiquetas «anti-» e «pró-» a eito. Se se juntar a isso uma boa dose de processos de intenção, o debate fica impossível… Este manifesto é importante quer por distinguir o islamismo do Islão, quer por rejeitar o «relativismo cultural», quer por criticar o putativo «choque de civilizações». E atenção, nem todos os intelectuais que assinam este manifesto são franceses. O Rushdie é de origem indiana, a Taslima Nasreen do Bangladesh, a Hirsi Ali da Somália (vive na Holanda), a Maryam Namazie do Irão (vive em Londres), e por aí já se vê…

  • Miguel Drummond de Castro

    Acho que a escolha da expressão “valores laicos” contraposta à de “valores religiosos” não é das mais felizes. E cria uma situação bipolar, e como se sabe os extremos tocam-se.
    Eu escolheria “valores naturais”, uma via alternativa, de acordo com a biologia e a meu ver mais adequada às circunstâncias presentes – porque o laicismo remete demasiado para o jacobinismo, e este foi por demais intolerante e persecutório.
    Quanto à emergência do totalitarismo ela está a acontecer no nosso seio. Veja-se como o eng. Sócrates anunciou hoje o modelo da Escola Total. Das Nove às Cinco e Meia. Preparem-se e submetam-se já os meninos para os horários laborais do Grande Socialismo Tecnológico.
    ( assunto mais desenvolvido no meu blog “Os Privilégios de Sísifo”.)

  • Miguel Drummond de Castro

    Acho que a escolha da expressão “valores laicos” contraposta à de “valores religiosos” não é das mais felizes. E cria uma situação bipolar, e como se sabe os extremos tocam-se.Eu escolheria “valores naturais”, uma via alternativa, de acordo com a biologia e a meu ver mais adequada às circunstâncias presentes – porque o laicismo remete demasiado para o jacobinismo, e este foi por demais intolerante e persecutório. Quanto à emergência do totalitarismo ela está a acontecer no nosso seio. Veja-se como o eng. Sócrates anunciou hoje o modelo da Escola Total. Das Nove às Cinco e Meia. Preparem-se e submetam-se já os meninos para os horários laborais do Grande Socialismo Tecnológico.( assunto mais desenvolvido no meu blog “Os Privilégios de Sísifo”.)

  • Gabriel Arruda

    Concordo com esse manifesto o islamismo é uma ameaça a humanidade e a tudo pelo qual nós lutamos como a liberdade,dignidade,a igualdade para os muçulmanos conceitos como direitos humanos,direito das mulheres,liberdade individual são coisas para serem extirpadas da memória desse mundo em nome do Alá deles eles são capazes de mergulhar esse planeta num poço sem fundo de crueldade e tirania onde a banalidade do mal seria uma constante como a Oceania do livro 1984 do George Orwell(ou deveria dizer Erick Arthur Blair?)

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